Brasil mantém missão no Haiti pós furacão Irma

Militares brasileiros membros da missão de paz da ONU no Haiti analisaram os efeitos da passagem do furacão Irma pelo país e estavam prontos para prestar assistência.
Andréa Lemos/Diálogo | 5 outubro 2017

Resposta Rápida

A aeronave da FAB resgatou 14 pessoas, entre elas sete brasileiros e um norte-americano, na ilha de São Martinho, atingida pelo furacão Irma. (Foto: Primeiro-Sargento da Força Aérea Brasileira Johnson Barros)

A Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) teve seu encerramento em 31 de agosto, mas a ameaça do furacão Irma fez com que o Secretariado das Nações Unidas decidisse autorizar a extensão excepcional das operações humanitárias das tropas brasileiras até 17 de setembro. “Nós reativamos as nossas tropas, que já estavam com todo o material guardado, e as viaturas, que também estavam preparadas para serem embarcadas nos navios”, contou o General-de-Divisão do Exército Brasileiro Ajax Porto Pinheiro, comandante da MINUSTAH, em entrevista concedida à rádio brasileira Jovem Pan.

Os ventos fortes e as chuvas atingiram o norte e nordeste do Haiti no dia 7 de setembro, deixando cerca de 3.445 pessoas desabrigadas e uma pessoa morta. No dia anterior, em 6 de setembro, dois grupamentos de 48 militares tinham sido deslocados para o norte do país. As tropas estavam equipadas com viaturas e máquinas para desobstruir barreiras em estradas, caso houvesse necessidade, além de botes infláveis.

“Foram pré-posicionados 96 militares do 26º Contingente do Batalhão Brasileiro de Força de Paz, inclusive o pessoal de saúde e da Companhia de Engenharia de Força de Paz nas imediações da cidade de Arcahai, ao sul de Saint-Marc, e ao norte de Porto Príncipe, onde aguardaram em local seguro e abrigado a passagem do furacão Irma, em 7 de setembro”, afirmou a 3ª Subchefia do Comando de Operações Terrestres (COTER) do Exército Brasileiro, responsável pelas missões de paz no âmbito do Exército. Enquanto isso, nas outras bases do contingente brasileiro no Haiti, permaneceram de prontidão 874 militares prontos para serem empregados, em caso de uma emergência de maior impacto.

No dia seguinte à passagem do Irma, os grupamentos se dirigiram para as cidades costeiras de Port-de-Paix e Cap Haitien (norte e nordeste do país), a fim de realizar o reconhecimento dessas áreas e verificar a necessidade de liberação de vias. “Isso acabou não sendo necessário, em função da pequena monta dos danos causados pelo furacão no Haiti”, disse o COTER. Também foram empregados helicópteros da MINUSTAH para sobrevoar os locais atingidos e identificar solicitações de apoio.

Felizmente, as consequências da tempestade foram menores do que aquilo que as equipes da MINUSTAH imaginavam. “Estávamos com uma expectativa muito negativa da passagem do furacão Irma, porque nós tivemos uma experiência traumática, há menos de um ano, com o furacão Matthew, que era de menor intensidade que esse de agora”, contou o Gen Div Ajax, que disse ainda: “O Irma vinha destruindo tudo em sua passagem. Por um milagre, que até agora eu não consegui entender, a natureza poupou o Haiti.”

Cumprida essa última missão, as tropas brasileiras iniciaram a desmobilização. O retorno dos militares foi concluído em 28 de setembro, permanecendo no Haiti apenas 103 militares responsáveis por despachar ao Brasil os materiais utilizados na missão, como os armamentos e os blindados. Estes voltarão para casa até 10 de outubro.

Resgate no Caribe

A Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, no dia 13 de setembro, o resgate de 14 pessoas que se encontravam na ilha de São Martinho. Diferentemente do Haiti, essa ilha caribenha sofreu enormes consequências por conta do furacão Irma. Quase todas as escolas da ilha de São Martinho foram destroçadas, exatamente no dia em que as crianças deveriam voltar às aulas.

No grupo trazido na aeronave da FAB a Brasília, estavam sete brasileiros, um norte-americano, quatro holandeses e outras duas pessoas. Em relação às novas tempestades que ameaçavam a região caribenha, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou, no dia 19 de setembro: “O governo brasileiro reitera sua manifestação de solidariedade a todos os países afetados pelos furacões Irma, José e Maria nas últimas semanas”.



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