Brasil realiza evento inédito de defesa cibernética

A primeira feira Brazil Cyber Defence vai acontecer simultaneamente com a 7ª edição da Conferência de Simulação e Tecnologia Militar.
Taciana Moury/Diálogo | 23 abril 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A Brazil Cyber Defence vai discutir o desenvolvimento do setor de defesa e segurança cibernética no país. (Foto: Prospectare Brasil)

A defesa cibernética será o tema de um evento inédito realizado em Brasília de 23 a 26 de abril: a Brazil Cyber Defence – primeira feira de cibernética de comunicações e de guerra eletrônica –, criada com o objetivo de promover o debate dos assuntos de defesa e segurança entre as Forças Armadas e de Segurança Pública. Setores da indústria, do meio acadêmico, de instituições civis e governamentais vão discutir a necessidade da sensibilização da sociedade e da administração pública sobre a importância da ciberdefesa, da cibersegurança, das comunicações e da guerra eletrônica.

Segundo Rogério Gomes da Costa, diretor executivo da Prospectare Brasil, empresa organizadora e realizadora do evento, a Brazil Cyber Defence já nasce grande e deve reunir aproximadamente 1.000 pessoas por dia. “Temos um mercado único no que diz respeito ao ciberespaço, primeiro por conta do seu tamanho continental e da quantidade de pessoas conectadas à internet, segundo pela falta de conscientização da importância da cibersegurança por parte do governo, de empresas e do usuário final”, explicou Costa.

Aproximadamente 120 milhões de pessoas estão conectadas no Brasil, colocando o país no quarto lugar do ranking mundial de usuários de internet, de acordo com um relatório sobre economia digital divulgado no final de 2017 pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. “O aumento das ameaças cibernéticas e a existência de vulnerabilidades nas redes e nos sistemas de informação exigem ações para resguardar a capacidade nacional e de outras estruturas de governo”, disse Costa. Ele acrescentou que essas ameaças podem comprometer os ativos de informações governamentais críticas e das estruturas estratégicas, afetando diretamente a segurança nacional.

Durante os quatro dias de discussão serão apresentados mais de 40 temas, entre eles a neutralidade da rede, a criptografia, o ordenamento jurídico para crimes cibernéticos, a segurança da internet e a importância da simulação no treinamento militar. “Vão acontecer ainda algumas atividades paralelas, como a reunião dos chefes dos departamentos de Ciência e Tecnologia das Forças Armadas; o encontro entre os representantes dos órgãos e das agências que compõem o Sistema de Defesa Cibernética do Brasil; e a reunião com os representantes das instituições que compõem o Sistema Defesa-Indústria-Academia de Inovação, um sistema sinérgico que busca incrementar a cooperação entre as instâncias governamentais de todos os níveis, a base industrial brasileira e as universidades”, antecipou Costa.

7ª Conferência de Simulação e Tecnologia Militar

Simultaneamente à Brazil Cyber Defence, acontece a 7ª Conferência de Simulação e Tecnologia Militar (CSTM) – uma feira de negócios com produtos e serviços de defesa e segurança. A CSTM vai reunir 40 expositores dos setores de Tecnologia da Informação (TI) e de Defesa e Segurança de 14 diferentes países, entre eles: Alemanha, Bélgica, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Reino Unido, Turquia, Suécia e Suíça. De acordo com Costa, a abordagem multifuncional da tecnologia militar apresentada pela CSTM possibilita ao público participante conhecer de perto as novas tecnologias e equipamentos, além da simulação militar, poderosa ferramenta de apoio ao ensino e ao treinamento militar.

“A edição de 2018 da CSTM será palco para importantes discussões entre autoridades, militares e representantes das três esferas da segurança pública, especialistas, empresários de segurança corporativa e indústria, sobre os cenários atual e futuro dos programas estratégicos do Exército Brasileiro. Nela estarão sendo divulgados assuntos relativos à 2ª fase de implantação do Sistema de Monitoramento de Fronteiras”, destacou Costa.

Segundo ele, o fato de os dois eventos acontecerem juntos é uma grande vantagem para os participantes. “Tanto as empresas de defesa e segurança quanto às de TI estão na vanguarda do conhecimento e existe sinergia entre elas. Além disso, muitas das empresas de defesa têm as suas divisões de TI com soluções que estão sendo utilizadas fora do ambiente dito ‘militar’, existindo a necessidade de integração”, explicou Costa.

O consultor e especialista em segurança dos EUA Kevin Mitnick, considerado o maior hacker do planeta, é um dos palestrantes da Brazil Cyber Defence. (Foto: Prospectare Brasil)

Apoio institucional do Comando de Defesa Cibernética

O Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), unidade do Exército Brasileiro responsável por garantir a defesa cibernética nas Forças Armadas, é o responsável pelo apoio institucional ao evento. Segundo o General-de-Divisão Angelo Kawakami Okamura, comandante do ComDCiber, a Brazil Cyber Defence vai proporcionar uma ampla discussão sobre segurança e defesa cibernéticas, guerra eletrônica e comunicações, por meio de interações de grandes nomes da indústria, profissionais especialistas nas respectivas áreas, importantes setores acadêmicos, empresas startups e estudantes.

Para o Gen Div Okamura, a junção da 7ª CSTM com a primeira edição da Brazil Cyber Defence vai destacar a potencialidade de cada setor e o aproveitamento de oportunidades para a integração e a colaboração entre os participantes. “Na agenda vamos ter a presença de nomes como Kevin Mitnick, consultor e especialista [estadunidense] de segurança; Paul de Souza, presidente [e fundador] da Cyber Security Forum Initiative; Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR; Patrícia Peck, advogada especialista em direito digital [no Brasil], dentre outros”, destacou.

Está prevista ainda uma demonstração de equipamentos, como interferidores em veículos aéreos não tripulados e bloqueadores de sinais antimagnéticos. Além disso, vai acontecer uma simulação de hackeamento de um telefone celular feita por Mitnick, considerado o maior hacker do planeta.

Evolução do setor de defesa cibernética no Brasil

O Gen Div Okamura avaliou que o Brasil evoluiu bastante no campo de defesa cibernética e encontra-se em permanente desenvolvimento. “É necessário que a qualificação de pessoal e investimentos no setor também seja constante para que o país continue evoluindo e se aprimorando”, destacou. Para ele é fundamental resguardar a capacidade nacional e de outras estruturas de governo frente a possíveis ações cibernéticas hostis, bem como reduzir os seus efeitos.

O ComDCiber foi criado em 2016 pelo Exército Brasileiro e tem o objetivo de planejar, coordenar, conduzir, integrar e supervisionar ações cibernéticas no âmbito da defesa. A unidade funciona com a integração das Forças Armadas por meio de um Comando Operacional Conjunto, dentro da estrutura regimental do Exército Brasileiro, e está organizada em um estado-maior conjunto, chefiado por um contra-almirante; um Departamento de Gestão e Estratégica, chefiado por um brigadeiro; e o Centro de Defesa Cibernética, chefiado por um general-de-brigada. “O efetivo total, incluindo a Escola Nacional de Defesa Cibernética, deverá chegar a 300 militares, atuando nas atividades operacionais, de inteligência, doutrinárias, de ciência e tecnologia e de capacitação”, contou o Gen Div Okamura.

Para ele, a criação do ComDCiber vem contribuindo para que o Ministério da Defesa e as Forças Armadas tenham a capacidade de atuar no espaço cibernético, de forma conjunta, em rede e com a devida liberdade de ação. “É importante destacar que o ComDCiber impactou positivamente também as áreas científico-tecnológica e industrial do país, além de maximizar o efeito dissuasório das forças armadas”, avaliou o Gen Div Okamura. “Especificamente, no âmbito do Exército Brasileiro, o Comando de Defesa Cibernética tem colaborado para a transição do EB da era industrial para a era do conhecimento”, finalizou.

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