Brasil sedia reunião dos Países de Língua Portuguesa

A 20ª edição reuniu chefes de Estado-Maior-General das forças armadas de nove países e definiu as ações para os assuntos de defesa.
Taciana Moury/Diálogo | 7 junho 2018

Relações Internacionais

Chefes militares de nove países participaram da 20ª edição da Reunião de Chefes de Estado-Maior-General das Forças Armadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Salvador, Bahia, de 23 a 27 de abril. (Foto: Assessoria de Comunicação Social, Ministério da Defesa do Brasil)

O Brasil foi sede da 20ª edição da Reunião dos Chefes de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O evento aconteceu de 23 a 27 de abril em Salvador, Bahia, região nordeste do Brasil, e reuniu mais de 40 pessoas no Centro Militar de Convenções e Hospedagem da Aeronáutica.

A reunião dos CEMGFA acontece anualmente, de forma alternada nos países membros, e funciona como um dos órgãos de decisão e de acompanhamento das ações desenvolvidas pela comunidade nos assuntos relacionados à defesa. Na edição de 2018, organizada pelo Brasil, estiveram presentes os chefes militares de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Segundo o Almirante-de-Esquadra da Marinha do Brasil Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o fórum é fundamental para a interação e o fomento da confiança entre os países e contribui com iniciativas e medidas concretas de preparo e emprego de tropas e demais assuntos de defesa no âmbito da CPLP. “A CPLP vem se destacando como importante catalizador de cooperação entre os povos dos países membros e poderá contribuir significativamente para o aumento da confiança, a prevenção de conflitos e a consolidação da paz e da estabilidade internacional, na medida em que se torna fonte de inspiração para outros fóruns multilaterais”, destacou o Alte Esq Ademir.

Para o oficial, apesar das distâncias geográficas, o Brasil sente-se fortemente ligado aos países que integram a CPLP. “Não somente por compartilharmos o português como idioma pátrio, mas também por sólidos laços culturais e de amizade que mantemos”, disse o Alte Esq Ademir. “Ações de assistência humanitária, operações de paz, saúde militar, desenvolvimento das atividades das respectivas forças armadas, tanto no âmbito nacional quanto internacional, expandindo suas capacidades por meio desse intercâmbio e garantindo integração e interoperabilidade, são reforçadas pela realização anual das respectivas reuniões”, salientou.

O Almirante da Marinha de Portugal António Manuel Fernandes da Silva Ribeiro, chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, ressaltou a importância da união dos países para enfrentar problemas semelhantes. “Este fórum é essencial para que reflitamos sobre as questões de defesa e troquemos visões sobre as nossas preocupações estratégicas”, afirmou o Alte Silva Ribeiro durante o evento.

Dentre os principais temas da reunião, foram discutidos os benefícios do Curso de Direito Internacional dos Conflitos Armados, realizado na Escola Superior de Guerra, em Brasília, e a necessidade da criação de um inventário de capacidades militares em desastres naturais e antrópicos para uso em cooperação no âmbito da CPLP. O objetivo do inventário é o de conhecer as capacidades operacionais de cada Estado-Membro, possibilitando uma maior rapidez na resposta, no caso de algum pedido de apoio ou de ajuda humanitária.

O Almirante-de-Esquadra Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil (ao centro), na abertura do evento que reuniu mais de 40 pessoas no Centro Militar de Convenções e Hospedagem da Aeronáutica. (Foto: Assessoria de Comunicação Social, Ministério da Defesa do Brasil)

Exercício Felino foi destaque

A reunião 2018 da CEMGFA definiu o calendário de realização do exercício Felino. A atividade funciona como uma força-tarefa conjunta e combinada e tem o objetivo de propiciar o adestramento integrado dos militares dos países membros da CPLP para atuação em missões de paz e de assistência humanitária. A operação acontece anualmente, de forma alternada, nos formatos de exercício de carta (EC) e de forças no terreno (FT). 

A edição de 2017/2018 do exercício Felino aconteceu no Brasil no final de 2017, com a participação de mais de 1.500 militares. Angola confirmou a disponibilidade para acolher a atividade em 2019 no formato FT e Guiné-Bissau vai ser o país responsável em 2020 pelo exercício no formato EC. Em 2021, o Felino vai acontecer em Portugal, como FT. Durante a reunião, os CEMGFA concordaram com a proposta de integrar o componente de saúde militar na programação dos exercícios.

De acordo com o Alte Esq Ademir, os exercícios da série Felino são um importante instrumento para o compartilhamento de experiências e conhecimentos, além de uma oportunidade de padronização e aperfeiçoamento dos procedimentos entre os países. “O objetivo é termos uma força-tarefa conjunta combinada da CPLP preparada para uma necessidade em missões de paz ou assistência humanitária, sob a égide da ONU”, destacou.

“As Forças Armadas brasileiras são beneficiadas ao participar de uma atividade conjunta por acolher as experiências de países inseridos em diferentes espaços estratégicos, de continentes distintos. Além disso, o exercício Felino permite a inserção do país em áreas de interesse, abrindo oportunidades para novas parcerias e desenvolvimento tecnológico da nossa indústria de defesa”, complementou o Alte Esq Ademir.

Segundo informações da Assessoria de Comunicação do Ministério da Defesa do Brasil, a 21ª Reunião dos CEMGFA/CPLP será realizada em Cabo Verde. A reunião está prevista para a primeira quinzena de abril de 2019.

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