Brasil sedia reunião das agências de monitoração do espaço aéreo mundial

A 13ª edição do evento reuniu 11 das 13 agências no mundo.
Taciana Moury/Diálogo | 5 setembro 2018

Relações Internacionais

As melhorias nas operações aéreas em todo o mundo foram discutidas na reunião das agências regionais de monitoração do espaço aéreo, realizada de 11 a 15 de junho em Salvador, Bahia, Brasil. (Foto: Assessoria de Comunicações do DECEA)

O grupo de coordenação das agências regionais de monitoração (RMA, em inglês) do espaço aéreo esteve no Brasil para a 13ª edição da reunião anual do setor. Integrantes de 11 das 13 agências do mundo, representando 188 países, participaram do evento, que foi realizado de 11 a 15 de junho, no Centro Militar de Convenções e Hospedagem da Aeronáutica, em Salvador.

As RMAs são acreditadas pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) para supervisionar os parâmetros de navegação aérea e assim garantir a segurança das operações no espaço aéreo de Separação Vertical Mínima Reduzida (RVSM, em inglês) entre os voos. A RVSM, implementada em altitudes de 29.000 pés a 41.000 pés – onde a maioria das aeronaves comerciais viajam – reduziu a separação vertical padrão entre aeronaves de 2.000 a 1.000 pés, aumentando a capacidade do espaço aéreo. As RMAs fazem o acompanhamento constante da utilização dessa porção do espaço aéreo para avaliação dos riscos operacionais.

No Brasil, a função é realizada pela Agência Regional de Monitoração para as Regiões do Caribe e América do Sul (CARSAMMA, em inglês), responsável pela área que vai do Golfo do México até a Patagônia. CARSAMMA abrange 38 paises.

Padronização de procedimentos

A 13ª edição do encontro foi sediada pela CARSAMMA e promovida pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), unidade da Força Aérea Brasileira (FAB) que apoia administrativamente a entidade. Jose Luis Perez, chefe do Programa de Monitoramento de Segurança RVSM da Administração da Aviação Federal dos Estados Unidos, presidiu as discussões.

Segundo o Major Aviador da FAB Marcio Rodrigues Ribeiro Gladulich, chefe da CARSAMMA, o encontro possibilitou a padronização nos procedimentos executados pelas agências de monitoração ao redor do mundo. “As reuniões são fundamentais para o desenvolvimento de um trabalho eficiente”, destacou.

Representantes de 11 das 13 agências regionais de monitoração do espaço aéreo mundial participaram do encontro. (Foto: Assessoria de Comunicações do DECEA)

Nonjabulo Gumede, representante da Agência de Monitoração Regional para África e Oceano Índico, destacou à Agência Força Aérea que a integração entre as agências é importante para consolidar os padrões de atuação. “A recorrente implementação de novas tecnologias evidencia ainda mais esta necessidade, de modo que todas as agências possam falar a mesma língua e atuar em conformidade com os parâmetros de eficiência e segurança.”

Na pauta de 2018, foram discutidos novos sistemas de monitoramento de altitude, técnicas de análise de segurança e metodologias de análise de risco de colisão vertical, performance operacional no espaço aéreo RVSM, cumprimento dos regulamentos e troca de dados estatísticos e informações entre RMAs. “A reunião possibilitou também melhorias no refinamento das métricas empregadas nas avaliações de segurança e alertas de aumento de ocorrências em determinados tipos de aeronaves”, salientou o Maj Gladulich.

Para o Coronel Aviador R1 da FAB Luiz Roberto Barbosa Medeiros, chefe da Divisão de Planejamento e Controle da Comissão de Estudos Relativos à Navegação Aérea Internacional, unidade do DECEA responsável pela organização da reunião, a atuação das agências de monitoração tem sido fundamental no cenário da aviação internacional. O oficial destacou ainda a relevância das reuniões para o desenvolvimento de um trabalho eficiente. “Os acertos técnicos e a troca de experiência na condução da segurança operacional da RVSM em todo o mundo são realizados durante esses encontros”, disse. 

Melhoria nas operações aéreas

Outros pontos importantes discutidos durante a reunião foram: a implementação de um boletim global que aborde as aeronaves não-certificadas e que utilizam o espaço RVSM; o Sistema de Vigilância Aérea Automática Dependente por Radiodifusão; a implementação do novo conceito de vigilância aérea e comunicação baseadas em desempenho; e soluções para intercâmbio de dados, entre outros assuntos. A primeira reunião deste tipo foi realizada no Brasil em 2017.

O encontro entre as RMAs possibilitou a mudança de categoria de diversos modelos de aeronaves. “Por meio da reavaliação dos requisitos mínimos de monitoração, foi possível redistribuir essas aeronaves entre as diversas categorias de homologação, elevando sua confiabilidade e gerando um maior espaçamento entre os voos de certificação”, explicou o Maj Gladulich. “Isso vai ocasionar uma consequente economia para a comunidade aeronáutica”, concluiu. A próxima reunião, em 2019, está prevista para ser realizada na Espanha e vai ser sediada pela Agência de Monitoramento do Atlântico Sul.

 

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