Brasil e Estados Unidos dialogam sobre Defesa

O terceiro diálogo entre os parceiros será realizado no Brasil em 2019.
Nelza Oliveira/Diálogo | 6 setembro 2018

Relações Internacionais

O Vice-Almirante da Marinha do Brasil Marcelo Francisco Campos, diretor de Promoção Comercial do Ministério da Defesa, e Maria Cameron, diretora adjunta para a América Latina e o Caribe do Departamento de Comércio dos EUA, discutem as prioridades para a cooperação entre os dois países no setor da defesa. (Foto: Assessoria de Comunicação do Ministério da Defesa)

Cerca de 100 representantes técnicos do governo e de empresas brasileiras e norte-americanas participaram em junho de 2018 de uma reunião preparatória na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, para o 3º Diálogo da Indústria de Defesa (DID) Brasil-Estados Unidos, que discutirá as prioridades a longo prazo e a cooperação entre os dois países no setor. O 3º DID vai ocorrer no Brasil, em 2019, sob a coordenação do Ministério da Defesa.

“Estamos em um processo de intensificar a atuação internacional e, para isso, a nossa vitrine é aquilo que desenvolvemos aqui no nosso país. É essencial que o Ministério da Defesa seja o grande promotor destas ações”, destacou Giacomo Staniscia, diretor de negócios da Atech, empresa brasileira do Grupo Embraer especializada no desenvolvimento de soluções e tecnologias.

O Brasil é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos na América Latina com relação à indústria da defesa, perdendo apenas para o México. “Nós somos os dois maiores países do hemisfério; precisamos continuar a trabalhar juntos e construir novas parcerias. Essa interação interpessoal é muito importante para viabilizar essas colaborações”, afirmou Maria Cameron, diretora adjunta para a América Latina e o Caribe do Departamento de Comércio dos EUA.

O Vice-Almirante da Marinha do Brasil Marcelo Francisco Campos, diretor de Promoção Comercial e responsável pela Secretaria de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, acredita que a reunião preparatória alcançou o resultado esperado. “As parcerias estão sendo concretizadas, porém as empresas preferem o sigilo para evitar prejuízos aos negócios. Mesmo assim, no intuito de facilitar e agilizar, as associações industriais trabalham a ideia da elaboração de um plano de negócios em que sejam mapeados os possíveis pontos de interesse/necessidades dos empresários de cada país”, disse o V Alte Campos. 

Grupos de Trabalho

Para facilitar os debates e intercâmbios de informação, foram criados quatro grupos de trabalho. Os grupos estão divididos sob os seguintes temas: parcerias comerciais, estimulando oportunidades de negócios entre empresas de ambos os países; cooperação binacional, com o objetivo de selecionar programas governamentais; espaço, visando acelerar o acordo com os Estados Unidos para lançamentos a partir do Centro Espacial de Alcântara, no estado do Maranhão; e política, destinado a identificar os obstáculos à política regulatória e industrial.

“O ingresso nos grupos de trabalho mencionados é aberto à indústria de defesa, devendo as empresas solicitarem a sua inclusão à Associação Brasileira das Indústrias de Materiais da Defesa e Segurança, indicando de quais grupos de trabalho desejam participar. Da mesma forma, o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos é responsável, pelo lado dos EUA, de inserir as empresas de defesa americanas”, explicou o V Alte Campos.

O oficial explicou que a participação no grupo de trabalho ajuda no contato direto da indústria com os órgãos governamentais dos dois países, criando um espaço para debates, esclarecimentos, intercâmbio e sugestões. Para manter a continuidade dos trabalhos, os grupos estão se reunindo periodicamente ou propõem, conforme as suas necessidades, a realização de conferências telefônicas, webinars, e aproveitam as oportunidades de encontros em feiras e exposições de interesse mútuo. 

Cerca de 100 representantes técnicos do governo e de empresas brasileiras e norte-americanas participaram da reunião preparatória para o 3º Diálogo da Indústria de Defesa Brasil-Estados Unidos. (Foto: Assessoria de Comunicação do Ministério da Defesa)

Progressos dos diálogos

O primeiro DID foi realizado em setembro de 2016, em Brasília, quando os dois países assinaram uma carta de intenção para expandir a parceria bilateral e abrir as portas para potenciais novos negócios. Desde então, vários progressos foram feitos.

O Departamento de Defesa dos EUA e o Ministério da Defesa do Brasil assinaram, em 22 de março de 2017, um acordo de troca de informações mestre para a expansão da colaboração de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Em 4 de abril, as empresas de defesa Rockwell Collins, americana, e Savis e Bradar, brasileira, assinaram acordo para avaliar oportunidades de negócios. Já na semana de 22 de maio, uma delegação do governo brasileiro visitou as instalações da Unidade Experimental de Inovação da Defesa, no Vale do Silício, nos EUA.

O segundo DID aconteceu em outubro de 2017, em Washington, D.C., nos Estados Unidos. Para o V Alte Campos, essa continuidade já demonstra o sucesso dos diálogos. “Um exemplo é a área espacial, onde avanços significativos foram realizados durante as reuniões anteriores do DID e certamente será assunto da próxima reunião.”

Além disso, o secretário de Defesa dos EUA James N. Mattis visitou Brasil pela primeira vez no dia 13 de agosto de 2018, para reafirmar a importância da relação bilateral e aumentar o comércio com o país. Durante a sua visita, Mattis se reuniu com o ministro da Defesa do Brasil Joaquim Silva e Luna e com o ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira Filho, para discutir alternativas para alavancar a cooperação em ciência e tecnologia político-militar e na indústria de defesa. 

Perspectivas futuras

Segundo o V Alte Campos, as prioridades para o próximo DID são: identificar e remover os impedimentos legislativos, regulamentares e práticos, promover a aproximação das indústrias dos EUA e do Brasil, apontar as oportunidades nas forças armadas e polícias federais do Brasil e dos EUA, apoiar iniciativas para facilitar a realização de negócios e identificar e definir projetos binacionais. É necessário “trabalhar a fim de implementar os projetos conjuntos e as parcerias”, disse. “No horizonte mais próximo ressalta-se a necessidade de concretizar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA-Brasil, em termos favoráveis a ambas as partes, para possibilitar a utilização do Centro de Lançamento de Alcântara bem como as atividades tecnológicas e de cooperação.”

O militar acredita que são muitas as oportunidades de negócios entre os dois países na área de segurança. Entre essas oportunidades estão “os casos de utilização de aeronaves do tipo veículo aéreo não tripulado para o controle de fronteiras, o emprego de tecnologia das ‘smart cities’ [cidades inteligentes] e a aplicação do sistema de E-Gates [portões eletrônicos de controle automatizado de passaporte] em pontos na fronteira terrestre”, exemplificou o V Alte Campos.

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