Brasil e Colômbia trocam experiências no combate ao crime organizado

O Brasil quer aproveitar o conhecimento da Colômbia na luta contra os cartéis e na redução dos índices de criminalidade, além de ampliar a cooperação em diferentes áreas.
Nelza Oliveira/Diálogo | 25 outubro 2018

Relações Internacionais

O ministro da Segurança Pública do Brasil Raul Jungmann (à esq.), se reuniu com o ministro de Relações Exteriores da Colômbia Carlos Trujillo (à dir.), no dia 22 de agosto de 2018, em Bogotá, Colômbia. (Foto: Ministério de Relações Exteriores da Colômbia)

Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública do Brasil, se reuniu com Carlos Trujillo, ministro de Relações Exteriores da Colômbia, no dia 22 de agosto de 2018, em Bogotá, para discutir a colaboração no combate ao crime organizado, na segurança nas fronteiras e em assuntos migratórios. A visita de Jungmann à Colômbia faz parte da diplomacia de defesa, um esforço comum de integração das forças de segurança dos países mais expostos ao crime organizado, por se constituírem em mercados consumidores ou produtores de drogas. O esforço vem sendo executado conjuntamente entre os ministérios da Segurança Pública, das Relações Exteriores e da Defesa dos países.

O Brasil tem 17.000 quilômetros de fronteiras com dez países, quatro deles produtores mundiais de drogas: Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru. A assessoria de comunicação do Ministério da Segurança Pública do Brasil afirmou à Diálogo que o governo vem se empenhando desde 2016 para um esforço maior de integração com esses países, principalmente nos programas de monitoramento aéreo, fluvial e terrestre, investindo em tecnologia e inteligência, além de reforço de tropas das forças militares e das polícias Rodoviária e Federal. Segundo o comunicado, a visita do ministro Jungmann à Colômbia teve o propósito de ampliar o alcance dessa integração.

“Nos últimos dois anos ampliou-se a percepção de que com a transnacionalização do crime organizado não se pode mais conceber seu enfrentamento em bases estritamente nacionais”, disse Jungmann. “Consolida-se a consciência de que tal combate não pode mais ser fragmentado, mas sim integrado.”

Parceria contra o crime organizado

Em Medellín, Jungmann conheceu o plano de redução de homicídios que na época dos cartéis alcançaram 380 por 100.000 pessoas e agora caiu para 25 por 100.000. O ministro também se informou sobre as soluções de mobilidade urbana aplicada à segurança pública, bem como sobre a Polícia Nacional, os programas sociais conduzidos pelos seus próprios beneficiários, as ações da prefeitura com características gerenciais privadas e a atuação do Gabinete das Nações Unidas para Drogas e Crimes.

Brasil e Colômbia têm em comum a tomada de territórios por narcotraficantes, limitando a atuação do Estado, e por organizações criminosas que influenciam no processo eleitoral do país, permitindo somente a alguns candidatos fazer campanha nos seus domínios. Também há semelhanças na utilização de comunidades locais para o escoamento das drogas. No Brasil são usados os indígenas e ribeirinhos e na Colômbia são os pescadores.

A diferença é que no Brasil não há o fenômeno da “narcoguerrilha”, que é a associação de narcotraficantes com guerrilhas revolucionárias de orientação comunista. “Com relação ao crime organizado, o tráfico internacional de drogas é um dos principais problemas enfrentados pelos dois países. O Brasil quer aproveitar a experiência bem-sucedida da Colômbia no combate aos cartéis e na redução dos índices de criminalidade, especialmente em Bogotá e Medellín”, afirmou Jungmann.

De acordo com o Ministério da Segurança Pública do Brasil, alguns projetos na área de segurança cidadã inspirados nos bons resultados da Colômbia já estão em curso no Brasil, como o Centro Comunitário de Paz, sediado no Recife, em Pernambuco, no nordeste do país. A visita resultou em um acordo informal de intercâmbio que levará à reciprocidade da visita pelo prefeito de Medellín ao Rio de Janeiro.

Maior cooperação

O Ministério da Segurança Pública informou ainda que um memorando de entendimento entre os dois países está em fase adiantada. O acordo, em breve a ser assinado, tem o objetivo de intensificar a cooperação migratória, mediante a troca de informações para aprimorar as ações conjuntas de combate aos crimes transnacionais.

“Já estão em curso alguns acordos operacionais no plano do compartilhamento de informações e das atuações conjuntas em áreas específicas. Avança-se para o ponto mais crucial no plano operacional, que é a possibilidade de atuação de forças de um país em território do outro, resguardadas normas específicas, e desde que presos eventuais fiquem sob custódia do país em cujo território forem efetuadas”, explicou o Ministério da Segurança Pública, acrescentando que a parceria entre os dois países é robusta e que as áreas de segurança e de defesa trabalham de forma bastante harmônica e sinérgica.

A cooperação com a Colômbia já vem de longa data. O Programa de Ação Nacional Antidrogas, de 1996, já previa a criação de adidâncias policiais nas respectivas embaixadas em Brasília e Bogotá, o que efetivamente ocorreu em 1999. As parcerias existentes estão focadas nas áreas de combate ao crime organizado, segurança nas fronteiras e assuntos migratórios e resultaram em acordos internacionais e memorandos de entendimento interinstitucionais-ministeriais.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 7
Carregando conversa