Brasil vai ajudar Haiti a formar novos engenheiros

O Brasil deverá ajudar o Haiti a formar engenheiros, capacitando-os a elaborar e executar projetos com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do país caribenho. A oferta foi feita no dia 20 de maio pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, ao primeiro-ministro do Haiti, Laurent Salvador Lamothe, durante uma reunião na sede do Ministério da Defesa, em Brasília.
WRITER-ID | 31 maio 2013

Além de enviar professores e estruturar o curso de formação de engenheiros, o Brasil ajudará o Haiti na construção da infraestrutura necessária para abrigar os alunos, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do país caribenho. (Foto: Ministério da Defesa do Brasil)

O Brasil deverá ajudar o Haiti a formar engenheiros, capacitando-os a elaborar e executar projetos com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do país caribenho. A oferta foi feita no dia 20 de maio pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, ao primeiro-ministro do Haiti, Laurent Salvador Lamothe, durante uma reunião na sede do Ministério da Defesa, em Brasília.

Segundo Amorim, o auxílio brasileiro compreenderá não somente o envio de professores e a estruturação do curso de formação de engenheiros, mas também a construção, em território haitiano, da estrutura física necessária para abrigar os alunos, além da aquisição dos equipamentos e do material que será utilizado nas aulas.

O curso deverá ser ministrado por docentes do corpo de engenheiros militares brasileiros. De acordo com Amorim, a ideia é formar cerca de 500 haitianos no Brasil e outros 1.000 no próprio Haiti. Esses profissionais sairão capacitados não somente nas habilidades específicas da profissão, mas também para lidar com ações de defesa civil e de resposta a catástrofes naturais, situações muito comuns na ilha caribenha.

A oferta brasileira foi bem recebida pelo representante haitiano. Lamothe afirmou que seu país está preparado para receber o apoio na formação profissional em engenharia. Ele lembrou que nos últimos três anos seu país sofreu três catástrofes naturais, incluindo o trágico terremoto de 2010, além de furacões.

A formação de engenheiros faz parte do conjunto de iniciativas que marcam uma nova etapa na cooperação do Brasil com o Haiti, que recebeu o aval da presidenta Dilma Rousseff. Esse novo momento, como explicou o ministro brasileiro, deverá priorizar ações de caráter estruturante, que auxiliem o país caribenho a criar condições efetivas para seu desenvolvimento socioeconômico. “Iniciativas como essa fazem parte da herança que o Brasil quer deixar para o Haiti”, disse Amorim.

O titular da Defesa afirmou que o Brasil não pretende retirar, de maneira irresponsável, suas tropas do país, mas reiterou seu entendimento de que a permanência dos militares brasileiros não deve se perpetuar indefinidamente, criando o que ele chamou de uma “zona de conforto” para todos os envolvidos. “Queremos, progressivamente, deixar para o Haiti a responsabilidade por sua segurança e pela manutenção da lei e da ordem”, afirmou.

De acordo com o ministro da Defesa, parte dos recursos financeiros que serão investidos na formação de engenheiros haitianos deverá sair da economia resultante da desmobilização dos efetivos militares no país. O Brasil iniciou a redução de seu contingente, que deverá, em breve, voltar a ser de cerca de 1.200 homens, tamanho similar ao registrado antes do terremoto de 2010.

Amorim também citou como exemplos de ajuda de caráter estruturante, a possibilidade de o Brasil prestar apoio na formação da Polícia Nacional haitiana, e também tornar viável o financiamento para a construção da hidrelétrica de Artibonite, no norte do país, que poderá resolver o sério problema da falta de energia elétrica.

Lamothe enfatizou como uma de suas principais preocupações a área de segurança. Ele pediu apoio para treinar e equipar uma força de ação rápida – corpo de elite militar – capaz de atuar em eventuais situações de falha da polícia regular. Segundo o representante haitiano, essa força seria constituída por 600 homens. Amorim se comprometeu a ajudar Lamothe.

Antes de dirigir-se à reunião, Lamothe e comitiva foram recebidos com honras militares pelo ministro brasileiro. Estiveram presentes ao encontro o comandante da Força Aérea, Brigadeiro Juniti Saito; os chefes dos Estados-Maiores da Armada, Almirante Eduardo Monteiro Lopes, e do Exército, General Joaquim Silva e Luna; além do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, General José Carlos De Nardi, e do secretário-geral da Defesa, Ari Matos Cardoso.

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