Brasil e Paraguai reforçam a cooperação militar na fronteira entre os dois países

Brasil e Paraguai fecharam um acordo para fortalecer a cooperação em questões de segurança com operações militares conjuntas em sua fronteira compartilhada para combater o narcotráfico e outras atividades ilegais.
Julieta Pelcastre | 16 fevereiro 2016

Relações Internacionais

O ministro da Defesa brasileiro, José Aldo Rebelo Figueiredo (esquerda), reuniu-se com seu colega paraguaio, Diógenes Martínez (direita), em janeiro no Paraguai com a meta de fortalecer a cooperação contínua para salvaguardar a fronteira comum dos dois países. [Foto: Cortesia do Ministério da Defesa do Brasil]

Brasil e Paraguai fecharam um acordo para fortalecer sua parceria por meio da melhoria da comunicação entre seus Ministérios de Defesa e Forças Armadas para combater grupos do narcotráfico e prevenir o crime na fronteira compartilhada.

No dia 26 de janeiro, no Paraguai, o ministro da Defesa brasileiro, José Aldo Rebelo Figueiredo, reuniu-se com o seu colega paraguaio, Diógenes Martínez, para discutir o fortalecimento da cooperação contínua entre os dois países para salvaguardar a fronteira comum. A delegação brasileira incluiu Igor Boeacha, Coronel-Chefe do Ministério da Defesa; Carlos Augusto Sydrião Ferreira, Adido Militar do Brasil no Paraguai; José Eduardo Felicio, embaixador brasileiro no Paraguai; e Jorge Sameck, presidente da usina hidrelétrica de Itaipu.

Os ministros da Defesa do Brasil e do Paraguai “concordaram em manter e melhorar os mecanismos de comunicação usados para realizar operações militares na fronteira contra o tráfico de drogas e armas e de todas as atividades criminosas que geram insegurança e preocupação tanto para os dois países quanto para a população civil”, disse o Coronel Jorge Mieres, porta-voz das Forças Armadas do Paraguai, em entrevista a Diálogo .

Os ministros da Defesa concordaram em cooperar em ciberdefesa e no compartilhamento de informações para prevenir ataques químicos e biológicos. Autoridades de ambos os países se comprometeram a concentrar seus esforços conjuntos na fronteira de 1.000 km que os países compartilham.

"Todos os países estão tentando erradicar as atividades ilegais, principalmente o narcotráfico, um problema em nível mundial", disse o Cel Mieres. "Os acordos entre os Ministérios da Defesa são importantes e vitais para continuar o trabalho de cooperação em defesa, que visa a um futuro melhor para os dois países. A Forças Armadas não se curvarão perante as organizações criminosas. Controles estritos e o reforço na fronteira com o Brasil continuarão enquanto houver o combate aos grupos de crime organizado."

Ameaças comuns

Entre as ameaças comuns que os dois países concordaram em combater, estão os grupos de narcotráfico brasileiros que operam em ambos os lados da fronteira, e as informações compartilhadas são um componente fundamental da iniciativa conjunta. “Ambos os ministros [da Defesa, Rebelo e Martínez] consolidaram os laços pessoais e institucionais para uma comunicação direta, fluída, prática e rápida no cumprimento das missões conjuntas na região de fronteira”, disse o Cel Mieres.

Os ministros da Defesa Rebelo e Martínez concordaram em manter, ampliar, intensificar e aprofundar acordos e tratados de cooperação que já estão em vigor, com cada país mantendo sua respectiva soberania em um quadro de confiança mútua. “A cooperação, o apoio mútuo e as alianças estratégicas entre as Forças Armadas do Brasil e do Paraguai são excelentes”, disse o Cel Mieres. “Nós não só fechamos acordos para troca de informações, capacitação e ensinamentos de doutrina em nível militar e bolsas de estudos para reforçar o aprendizado dos oficiais da Força Aérea, da Marinha e do Exército, como também recebemos doações do governo brasileiro, como veículos táticos militares, para ampliar o campo da nossa defesa.”

“Queremos elevar o status de nossa cooperação", disse o ministro da Defesa Rebelo, cuja viagem ao Paraguai marcou sua primeira visita oficial desde que assumiu o posto, em outubro passado. "Já temos uma presença importante do Exército e da Força Aérea. Queremos transformar esta cooperação em uma missão da Marinha.”

Para promover um cooperação ainda maior, o ministro da Defesa Rebelo anunciou que a próxima Reunião do Mecanismo de Consulta e Coordenação, entre autoridades dos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores dos dois países, será realizada em 4 de abril em Assunção, a capital paraguaia.

Uma longa história de cooperação

Brasil e Paraguai têm uma longa história de cooperação em desafios de segurança. Os dois governos trabalham juntos em questões de defesa que envolvem os três ramos de suas respectivas Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) há mais de 70 anos.

Por exemplo, a Comissão Nacional para Prevenção e Resposta a Emergências Biológicas do Paraguai trabalhou com o Primeiro Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear do Exército Brasileiro para prevenir um potencial ataque terrorista ao Papa Francisco durante sua visita ao Paraguai, em julho de 2015, segundo o site do Ministério da Defesa do Paraguai. “A finalidade da cooperação entre as Forças Armadas do Brasil e do Paraguai é dar respostas eficazes e oportunas em operações de prevenção e resposta a ameaças.”

Em outro esforço cooperativo, as forças de segurança brasileiras participaram da Operação Ágata em toda a fronteira sul do país com Paraguai, Uruguai e Argentina para barrar o narcotráfico e fornecer assistência social. Aeronaves como helicópteros equipados com visão noturna, além de veículos blindados e lanchas, apoiaram a presença de centenas de seguranças. A Operação Ágata foi lançada pelo Brasil em 2011.

A cooperação internacional com nações parceiras é um componente fundamental para a estratégia de segurança do Paraguai. Por exemplo, o país colabora com a Colômbia e com os Estados Unidos em questões de segurança, que incluem treinamento conjunto e troca de informações.

"O Paraguai realiza um trabalho conjuntos com os Estados Unidos e a Colômbia com o objetivo de erradicar atividades ilegais e prevenir o abuso de drogas através do treinamento de pessoal, da troca de ideias, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento científico e troca de estratégias que enriquecem, porque cada país tem uma experiência diferente", afirmou o Cel Mieres.

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