Brasil, Colômbia e Peru se unem para a construção de um barco patrulheiro da Amazônia

Os três países trabalham em conjunto no desenvolvimeno de um barco de patrulha para proteger o Trapézio Amazônico contra o narcotráfico e outras atividades ilegais.
Julieta Pelcastre | 4 janeiro 2016

Em julho de 2014, o Contra Almirante Jorge Enrique Carreño Moreno (esquerda), presidente da Cotecmar, e o Vice Almirante (r) Marcelio Carmo Castro Pereira, presidente da Emgepron, assinaram o acordo original para o desenvolvimento de um barco de patrulhamento. O Peru envolveu-se oficialmente no projeto em 26 de outubro. [Foto: Ministério da Defesa da Colômbia]

Brasil, Colômbia e Peru concordaram em realizar intercâmbio de tecnologia militar e colaborar na construção de um barco de patrulhamento para proteger a região amazônica compartilhada pelos países contra narcotraficantes e outras ameaças criminosas.

O projeto foi anunciado pelo Contra Almirante Jorge Enrique Carreño, presidente da Cooperação Colombiana de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval, Marítima e Fluvial (Cotecmar), durante a feira internacional Expodefensa 2015, realizada entre 30 de novembro e 2 de dezembro, em Bogotá, na Colômbia.

“Nós – Colômbia, Brasil e Peru – assinamos o acordo Patrulheiro Amazônico”, disse ele à imprensa. “As Marinhas desses países se posicionam para proteger este pulmão do mundo que é o Rio Amazonas.”

Aníbal Fernández de Soto, vice-ministro de Políticas e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa da Colômbia, disse a Diálogo que o projeto do barco de patrulha refletirá as capacidades de engenharia dos três países. “[Também queremos] que a experiência, a doutrina e o conhecimento dessas três Marinhas aumentem exponencialmente a efetividade de cada uma nas atividades contra ameaças – como as derivadas do narcotráfico e da mineração ilegal – que colocam a região em perigo.”

Cooperação na luta contra o narcotráfico

O barco patrulheiro ajudará os três países a combater as organizações de tráfico internacional de droga que operam na Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru – uma região conhecida como Trapézio Amazônico . Forças de segurança também usarão o barco para lutar contra uma ampla gama de atividades de crime organizado, como o contrabando de flora e fauna e o desmatamento ilegal.

“O principal benefício é ter uma ferramenta comum com a qual possamos patrulhar os rios da bacia amazônica, que formam um ecossistema estratégico do ponto de vista ambiental”, diz o vice-ministro Fernández de Soto. “O uso desse barco patrulheiro também nos permitirá exercer maior presença para combater várias manifestações de crime organizado, que se aproveitam dessa região às vezes inóspita e de difícil acesso para desenvolver atividades ilegais.”

A embarcação ajudará as forças de segurança a proteger o Trapézio Amazônico, uma região que abriga os ecossistemas de maior diversidade e recursos genéticos do mundo, além de importantes recursos hidrelétricos, de hidrocarbonetos e minerais.

As autoridades militares desenvolveram um plano para o barco patrulheiro da Amazônia a partir da experiência da Colômbia com barcos ribeirinhos e do Brasil, que tem trajetória na construção naval. Desse modo, oficiais dos dois países discutiram a ideia de trabalhar em conjunto e assinaram o acordo em julho de 2014. Os Serviços Industriais da Marinha do Peru (SIMA) aceitaram trabalhar no projeto com a Cotecmar da Colômbia e a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) do Brasil após a quarta reunião do Mecanismo de Consulta e Coordenação Política realizada entre a Colômbia e o Peru em 26 de outubro.

“Essa importante estratégia conjunta não apenas permitirá o trabalho harmonioso entre as várias Marinhas envolvidas, mas também proporcionará importantes avanços tecnológicos e intercâmbios de tecnologias desenvolvidas por cada país para o benefício da região”, diz o vice-ministro Fernández de Soto.

Embora as três empresas estejam trabalhando juntas no desenho do barco e garantindo que tenha as capacidades necessárias, concordaram que a Cotecmar construirá a embarcação, que será financiada após a etapa do projeto. “Cada país vai lidar com a fase seguinte de acordo com suas possibilidades econômicas e planos de desenvolvimento estratégico”, disse o Contra Almirante Carreño aos jornalistas.

Iniciativa fortalece laços de cooperação

“A relação entre Colômbia, Peru e Brasil é muito estreita e fluida, caracterizada por uma comunicação permanente entre nossas Forças Armadas”, diz o vice-ministro Fernández de Soto. “Formamos uma excelente aliança que advém não apenas de nossa relação fronteiriça, mas também do interesse mútuo em combater estruturas de crime organizado, que geram danos a nossas comunidades e à região como um todo.”

Por exemplo, durante a quarta reunião do Mecanismo de Consulta e Coordenação Política entre Peru e Colômbia, esses países concordaram em trocar informação sobre a construção, reparação, modernização e manutenção das unidades navais, assim como dividir serviços de manutenção de aviões e informação sobre a implementação de seus sistemas, entre outras coisas.

“O Brasil ofereceu recentemente sua cooperação no enorme esforço de desminagem que a Colômbia deve fazer na região, enquanto nós e o Peru renovamos nosso compromisso quanto à assistência às vítimas e à erradicação de minas terrestres”, diz o vice-ministro colombiano Fernández de Soto. “Uma vez mais, a Colômbia, o Peru e o Brasil reiteram seus laços históricos de amizade, que se manifestam na defesa e promoção da democracia.”

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