Bombeiros da América Central se capacitam com militares dos EUA

O exercício, denominado CENTAM SMOKE, reforçou as capacidades dos bombeiros da região centro-americana.
Kay Valle/Diálogo | 15 maio 2018

Relações Internacionais

Trinta bombeiros da América Central participaram do exercício CENTAM SMOKE 2018, patrocinado pelo Comando Sul dos EUA, na Base Aérea Soto Cano, em Comayagua, Honduras. (Foto: Kay Valle, Diálogo)

No final de abril de 2018, bombeiros da América Central adquiriram conhecimento e novas experiências mediante um exercício patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), por meio da Força-Tarefa Conjunta Bravo (FTC-Bravo). O exercício América Central Compartilhando Conhecimentos e Experiências Operacionais Mútuas (CENTAM SMOKE, em inglês) ocorreu entre 23 e 27 de abril.

Os participantes desenvolveram suas capacidades de manejo do fogo, como o uso de mangueiras. (Foto: Maria Pinel, Exército dos EUA)

O exercício, realizado na Base Aérea Soto Cano, em Comayagua, Honduras, sede da FTC-Bravo, foi ministrado pelo Departamento de Bombeiros do 612º Esquadrão da Base Aérea da FTC-Bravo. No total, 30 bombeiros de Honduras, Guatemala, Panamá, El Salvador, Belize e Nicarágua participaram do treinamento.

O objetivo do CENTAM SMOKE é o de desenvolver as capacidades das brigadas de bombeiros de países da região, melhorar competências para o combate a incêndios e apresentar novos cenários aos participantes. Além disso, o exercício busca unificar técnicas de combate ao fogo que promovam o trabalho conjunto em casos de desastres naturais.

“Nós não estamos apenas treinando-os, mas eles também estão nos ensinando”, disse à Diálogo o Primeiro-Sargento do 612º Esquadrão da Base Aérea da Força Aérea dos EUA Jessie Alberto Cadavid, encarregado do treinamento CENTAM SMOKE. “Se alguma vez ocorrer uma emergência dentro ou fora da base, eles já saberão como nós trabalhamos; e, se na América Central acontecer um furacão ou um terremoto e nós tivermos de ir para lá, o trabalho ficará ainda mais fácil, pois já nos conhecemos.”

Cenários de prática

Os bombeiros enfrentaram em conjunto cenários simulados de incêndios de prédios e aeronaves, além de se familiarizarem com vários equipamentos, como os helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawk e Boeing CH-47 Chinook. Os participantes também se concentraram em medidas de segurança, uso de mangueiras, equipamentos de proteção individual e treinamento médico básico.

O rigoroso exercício de cinco dias também incluiu uma competição, visando estimular o desempenho dos bombeiros e encorajar o espírito de camaradagem. Os participantes formaram grupos de cinco membros, chefiados por um líder, para enfrentar desafios como pistas de obstáculos, golpes com marretas e simulação de resgate de veículos usando manequins.

Julio César Rivera, oficial da seção de Salvamento e Combate de Incêndios do Aeroporto Internacional Monseñor Arnulfo Romero y Galdámez de El Salvador, está há 26 anos no corpo de bombeiros. Essa foi sua segunda participação no treinamento, conforme informou à Diálogo.

“Na anterior [em 2011], senti a emoção pela primeira vez e a expectativa das coisas que iria aprender”, disse Rivera. “Agora, já como oficial no comando, tenho a responsabilidade do grupo de bombeiros, com a missão de que eles aprendam e levem consigo novos conhecimentos e sejam capazes de avaliar cada etapa do treinamento.”

Antes de começar as tarefas, os bombeiros receberam instrução de membros do 612º Esquadrão da Base Aérea. Os instrutores detalharam cada passo dos exercícios a serem realizados e as medidas de segurança necessárias.

Na capacitação de cinco dias, os bombeiros enfrentaram vários cenários simulados, como incêndios em um simulador de aeronave. (Foto: Kay Valle, Diálogo)

“A primeira [parte] foi a de apagar [sic] um derramamento de combustível em uma pista de pouso”, explicou Rivera. “O derramamento ocorre quando há ruptura no tanque e se forma o incêndio debaixo de uma aeronave.”

Em uma segunda etapa, os bombeiros combateram um incêndio na fuselagem e na cabine da aeronave. Segundo disse Rivera, o exercício possibilitou aos participantes observar de perto a pirólise –decomposição química da matéria orgânica causada por altas temperaturas – e examinar em detalhe a formação e propagação do fogo.

O terceiro cenário consistiu em apagar o incêndio de um simulador de helicóptero e, o quarto, em conter as chamas em um motor e trem de pouso de uma aeronave. Entre cada exercício, os bombeiros se reidratavam e trocavam de vestimenta em uma área de descanso.

Novas experiências

“Nós que já recebemos essa capacitação seremos o apoio, o suporte para a divisão da aeronáutica [de bombeiros do Panamá]”, disse Kevin David Requena González, bombeiro estrutural do Benemérito Corpo de Bombeiros da República do Panamá, designado na província de Chiriquí. “Adquiri muitos conhecimentos; é ótimo que os bombeiros civis possam se capacitar e conhecer as ações dos bombeiros militares.”

Para muitos dos bombeiros, os cenários, bem como as técnicas utilizadas, representaram novas experiências. Foi assim para Adam Lumsden, do Serviço Nacional de Bombeiros de Belize.

“É uma oportunidade para ampliar o conhecimento que já possuímos”, disse Lumsden à Diálogo. “Em verdade, não tinha treinado com acidentes aéreos. Foi uma experiência maravilhosa. Todos os bombeiros têm procedimentos diferentes, que foram compartilhados e que levamos para casa, para dividir com os outros e implantá-los.”

Diferentemente de seus colegas centro-americanos, Lumsden não fala espanhol, mas disse que isso não impediu a comunicação. “Na profissão de bombeiro, o idioma não é uma barreira. Os padrões e códigos ditados pela Associação Nacional de Proteção contra o Fogo são os que utilizamos em uma emergência”, detalhou Lumsden a respeito da associação americana com alcance internacional.

O exercício trimestral começou em 2005, como treinamento entre os bombeiros do 612º Esquadrão da Base Aérea e seus homólogos hondurenhos. O treinamento se tornou regional em 2010, quando se juntaram bombeiros da Guatemala. Mais de 800 bombeiros da América Central participaram do CENTAM SMOKE.

“É uma comunidade de bombeiros que aprendem [uns com os outros]”, concluiu o 1S Cadavid. “E [essa comunidade] se prepara para trabalhar em equipe em qualquer parte da América Central. Nós, bombeiros, somos uma família.”

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