Céu de brigadeiro adiante para o SICOFAA

O Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas torna-se mais relevante na América Latina.
Marcos Ommati/Diálogo | 7 novembro 2016

Capacitação e Desenvolvimento

Os coronéis da Força Aérea dos EUA Anthony Cook (de pé) e Alberto Moreno fazem uma apresentação sobre o SICOFAA no SOUTHCOM, no dia 27 de outubro. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

Apenas algumas horas depois de um terremoto de 7,8 graus atingir o Equador em 16 de abril de 2016, o governo do país emitiu um pedido de ajuda para várias nações da região. Nas horas e dias após a tragédia, a Força Aérea do Equador recebeu respostas imediatas ao seu pedido de assistência, de vários países: Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, República Dominicana, Honduras, Panamá, Peru e Estados Unidos.

Isso foi possível em parte porque a nação andina é membro do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), uma organização voluntária sem fins políticos, dedicada à promoção da cooperação, unidade e interoperabilidade entre as forças aéreas do hemisfério ocidental. Devido à rapidez da resposta dos membros do SICOFAA nas primeiras 72 horas após a tragédia, 113 vidas equatorianas foram salvas.

Embora tenha sido fundado em 1961 na primeira reunião dos Chefes de Estado-Maior das Forças Aéreas da região, esta foi a primeira vez que o SICOFAA foi ativado em uma emergência real porque a assistência humanitária e ajuda a desastres (HA/DR, por sua sigla em inglês) tornou-se um ponto focal para a organização apenas a partir de 2010. Naquela época, os chefes das forças aéreas da região pediram que a instituição adoutasse a HA/DR como um de seus principais objetivos, resultando na implementção do exercício ao vivo “Cooperação”, ao ciclo anual. O Chile foi o anfitrião do “Cooperação I” naquele ano.

O terremoto de 2016 no Equador, que rapidamente sobrecarregou a capacidade de resposta do país, gerou uma resposta eficiente do SICOFAA que foi possível, em parte, devido ao treinamento realizado durante os exercícios anuales “Cooperação” desde 2010 e en conformidade com seu Manual de Operações Aéreas Combinadas para Ajuda Humanitária e Desastres, publicado após o exercício “Cooperação I.”

Trabalho em conjunto

“No SICOFAA, discutimos muitos assuntos de cooperação, mas aquele que todos parecem concordar, e de que todo o mundo precisa, é HA/DR. Fora deste escopo, trabalhamos em vários temas, tais como a segurança aérea, prevenção de acidentes, busca e salvamento etc.”, explicou o Coronel da Força Aérea dos EUA, Anthony Cook, novo secretário-geral do SICOFAA. “O foco em HA/DR é apenas uma parte do SICOFAA. Nós somos o motor da Conferência dos Chefes das Forças Aéreas Americanas, (CONJEFAMER, por sua sigla em espanhol), por assim dizer, que foi criado em 1961 por iniciativa do chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos EUA. Normalmente, a CONJEFAMER é convocada em junho e é o evento que encerra cada ciclo do SICOFAA”, disse o Cel Cook.

Ele, juntamente com seu homólogo de saída, o Coronel Alberto Moreno, conversou com a Diálogo durante uma visita em outubro ao Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês) para conscientizar o pessoal sobre a importância de incluir o SICOFAA durante o planejamento de vários compromissos etre os EUA e as nações parceiras na América Central, América do Sul e no Caribe. “Esta sinergia é importante porque estamos continuamente interagindo com as nações parceiras. Temos cinco conferências por ano em todo o teatro de operações. É uma poderosa ferramenta de integração para promover a cooperação e integração entre as forças aéreas do hemisfério ocidental”, declarou o Cel Cook. “Por exemplo, eventualmente gostaríamos de alavancar o exercício simulado Forças Aliadas Humanitárias (FAHUM) como possibilidade de expandir a um exercício conjunto.”

O ciclo de HA/DR do SICOFAA está baseado em uma rotação de três anos: o primeiro ano é dedicado a temas de interesse para consideração pelos comitês; o segundo ano está centrado na preparação para um exercício simulado de HA/DR; e o terceiro ano é designado para o exercício de HA/DR no terreno de ação. Em abril de 2013, “Cooperação II”, um exercício simulado de HA/DR, foi realizado na Argentina, em preparação para o exercício de HA/DR no terreno de ação em 2014, “Cooperação III”, no Peru. Em 2016, mais uma vez a Argentina realizou um exercício virtual, “Cooperação IV”, e atualmente o planejamento para o “Cooperação V” está em curso, um exercício no terreno de ação a ser realizado em Puerto Montt, Chile, em setembro de 2017.

Estes exercícios no terreno de ação e virtuais são o que diferenciam o SICOFAA das suas congêneres, a Conferência dos Exércitos Americanos, Conferência Naval Americana e também a Junta Interamericana de Defesa (JID), na opinião do Cel Cook. “Sabemos que a Conferência dos Exércitos Americanos vai tentar implantar um programa similar para que possam iniciar um exercício virtual. Um dos seus objetivos é estar preparados em breve, para que, talvez no futuro, possamos unir nossos esforços para colaborar nestes tipos de exercícios.”

Um idioma comum

Outra diferencia entre o SICOFAA e as outras instituições congêneres é o fato de que um idioma padrão foi escolhido para ser utilizado nas comunicações entre os seus membros, neste caso, o espanhol. Essa foi uma das primeiras decisões dos membros do SICOFAA durante o exercício “Cooperação I” em 2010. “Eu disse: ‘Nós estamos começando do zero, mas a coisa mais importante agora é concordar sobre o idioma que queremos usar nas operações aéreas durante um desastre’, porque nós tínhamos as tripulações aéreas brasileiras chegando e falando em português, os canadenses e americanos falando em inglês e assim por diante. E todos os outros, falando em espanhol. Imaginem todos esses idiomas em um centro de operações aéreas. Não tem como você se comunicar. Tem muita confusão. Então, decidimos escolher um idioma para as operações, e espanhol foi o idioma escolhido”, explicou o Cel Moreno.

Em 2013, enquanto o Cel Moreno foi secretário-geral do SICOFAA, a organização adotou um idioma comum para as operações e criou uma doutrina comum. Alguns eventos estão agora sendo totalmente monitorados e o software que a instituição usa nos centros de operações aéreas é padrão.

De acordo com o Cel Moreno, ainda está faltando uma parte para que o SICOFAA tenha todos os seus procedimentos padronizados. “O treinamento para o Centro de Operações Aéreas Combinadas (CAOC, por sua sigla em inglês) precisa ser uniforme para todos os países participantes, um curso sobre como operar em um centro de operações aéreas combinadas. As maiores forças aéreas sabem muito bem como trabalhar nesses tipos de centros, mas para a maioria das menores, é a primeira vez que estão dentro de um centro de operações aéreas, muito menos, um complexo centro de operações aéreas combinadas. É muita coisa para eles”, diz o Cel Moreno. Este treinamento vai nos ajudar a ensiná-los como gerenciar um centro utilizando os procedimentos do SICOFAA. O conceito é treinar os aeronautas em como usar os centros de operações aéreas nos seus próprios países.”

O caminho à frente

Este pode ser um dos maiores desafios para o Cel Cook nos próximos anos à frente do SICOFAA. “Isso definitivamente está na minha lista de prioridades, mas também precisamos continuar a encontrar maneiras de sermos relevantes, além da assistência humanitária e alívio a desastres”, ele observou. “Essa é uma área onde nos encaixamos muito bem, mas eu quero ter cuidado para que possamos atender aos desejos dos chefes das forças aéreas da região – um desses desejos é continuar como uma organização voluntária e apolítica”, concluiu o Cel Cook.

Definitivamente, esta é uma difícil tarefa, uma vez que o SICOFAA é composto de vinte países membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Também temos cinco países observadores: Belize, Costa Rica, Haiti, Jamaica e Trinidad e Tobago, e duas organizações observadoras: a Academia Interamericana das Forças Aéreas e o JID. “Anthony [Col. Cook] é definitivamente a pessoa certa para assumir esses desafios. Ele é um especialista em assuntos regionais, tendo servido em várias funções em toda a região. Tenho certeza de que ele fará um trabalho excelente”, concluiu o Cel Moreno.

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