Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Guarda Costeira de Belize e SOUTHCOM mantêm uma sólida parceria

A Guarda Costeira de Belize modernizou a sua força com novas tecnologias, recursos e treinamento.
Geraldine Cook/Diálogo | 29 abril 2019

O Contra-Almirante John Borland, comandante da Guarda Costeira de Belize, agradece a cooperação e o apoio do SOUTHCOM para a modernização da unidade. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

A Guarda Costeira de Belize é responsável por ações policiais marítimas, busca e resgate, preparação para resposta a furacões e ajuda em desastres, entre outras obrigações. A Guarda Costeira fazia parte da Força de Defesa de Belize, mas em 2005 se tornou parte de uma das três armas das estruturas de segurança nacional de Belize.

O Contra-Almirante John Borland, comandante da Guarda Costeira de Belize, assumiu o comando em 2009, e tinha como foco a modernização da instituição. Diálogo conversou com o oficial durante uma visita à sede da Guarda Costeira na Cidade de Belize, onde ele falou sobre as novas capacidades e o trabalho interagencial, entre outros temas.

Diálogo: Quando o senhor assumiu o comando da Guarda Costeira em agosto de 2009, o seu principal objetivo era modernizá-la. O senhor conseguiu cumprir esse objetivo? Em caso afirmativo, como isso foi possível?

Contra-Almirante John Borland, comandante da Guarda Costeira de Belize: Cumprimos muitos dos objetivos que nos propusemos a alcançar em 2009, e mesmo antes da data prevista. Eu era o vice-comandante em 2005 e, naquela época, meu objetivo era desenvolver uma Guarda Costeira moderna, que estivesse no mesmo nível das nossas forças parceiras da região. Cumprimos nosso propósito trabalhando com o governo, através de uma abordagem interagencial, e com nossos parceiros regionais e internacionais. Nós modernizamos nossa instituição com tecnologia, recursos e treinamento do nosso pessoal. Essa modernização foi possível graças aos nossos parceiros regionais e internacionais, especialmente com o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) e também com as nossas parcerias com canadenses, britânicos e mexicanos.

Diálogo: Quais as maiores preocupações de Belize com a segurança da fronteira marítima?

C Alte Borland: Nosso foco principal é o crime organizado transnacional, que tira o meu sono. Belize está localizado bem no meio de muitas zonas de transbordo. As drogas são provenientes da América do Sul e tentam chegar à América do Norte. Os efeitos do crime organizado transnacional são profundos na sociedade belizenha. Infelizmente, as drogas ilegais acabam nas nossas ruas e causam um sério rombo; elas são um perigo para a sociedade, pois fomentam as gangues locais na sua luta para controlar o mercado.

Diálogo: De que maneira a Guarda Costeira apoia o esforço nacional para combater as ameaças à segurança?

C Alte Borland: A Guarda Costeira de Belize é uma das três armas da iniciativa de segurança do país, pois temos a Força de Defesa de Belize, o Departamento de Polícia de Belize e a Guarda Costeira de Belize. Somos diretamente responsáveis pela segurança marítima, pois cada um dos nossos membros é um oficial de manutenção da ordem pública, com total autoridade para prender qualquer indivíduo no mar, seja nas águas internas, no mar territorial ou na zona econômica exclusiva. Nós temos essa responsabilidade com a colaboração de outras agências, como a polícia, a Força de Defesa e os departamentos de imigração e alfândega.

Diálogo: Quais os esforços que a Guarda Costeira realiza com o México e a Guatemala para proteger suas fronteiras?

C Alte Borland: Mantemos vários esforços com o México. Temos uma operação mensal combinada com a Marinha do México no Rio Hondo e na Baía de Chetumal, a qual estendemos às águas do nosso mar territorial. Embarcamos nosso pessoal nas plataformas mexicanas e eles fazem o mesmo nas nossas plataformas, durante as operações mensais que realizamos para combater as drogas ilícitas. Temos também reuniões trimestrais de comandantes tanto no México como em Belize, nas quais intercambiamos informações. Com a Guatemala, nós trabalhamos em conjunto com a Força de Defesa de Belize e em combinação com a Marinha da Guatemala no Rio Sarstoon. Além disso, a Guarda Costeira foi convidada para a conferência trimestral de comandantes entre autoridades militares guatemaltecas e belizenhas.

Diálogo: O SOUTHCOM forneceu equipamentos para o programa antinarcóticos de Belize. Como essa doação melhorou as capacidades da Guarda Costeira?

C Alte Borland: Antes da criação da Guarda Costeira de Belize, os narcotraficantes controlavam quase toda a nossa área de responsabilidade marítima, tanto que costumávamos encontrar de 15 a 20 lanchas rápidas por ano. Desde que a Guarda Costeira de Belize surgiu, em 2005, percebemos um efeito profundo, com a redução da quantidade de tráfico ilícito marítimo. O efeito dissuasor de ter uma Guarda Costeira – equipada e com capacidade de resposta – afastou os narcotraficantes marítimos da nossa costa. Agora surgiram pistas de pouso ilegais em terra, ou lançamentos de pacotes úmidos voltando às nossas comunidades costeiras.

A contribuição do SOUTHCOM tem sido inigualável. A cooperação e o apoio do SOUTHCOM com equipamentos, infraestrutura e treinamento nos ajudaram a modernizar a força. Provavelmente, 70 por cento da frota da Guarda-Costeira de Belize, em sua atual configuração, são baseados na contribuição do SOUTHCOM, e somos gratos por isso. Essa contribuição abrange equipamentos e tecnologia, que nos permitem realizar uma maior vigilância. A maioria dos nossos oficiais são treinados sob os auspícios da parceria com o SOUTHCOM, tanto com a Guarda Costeira dos EUA, a Marinha dos EUA, o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA ou até mesmo com o Exército dos EUA. Esperamos que a nossa parceria com o SOUTHCOM continue a crescer e se torne ainda mais forte.

Diálogo: Belize é um parceiro-chave no intercâmbio de informações na Operação Martillo (Martelo). Qual é a principal lição aprendida nessa operação multinacional?

C Alte Borland: A principal lição que aprendemos com a Operação Martillo se refere ao mecanismo de intercâmbio de informações, que funciona nos dois sentidos: tomamos conhecimento do que acontece durante a operação e compreendemos os novos padrões e o modus operandi dos cartéis e, ao mesmo tempo, somos informados sobre o que acontece em nossas áreas de operação. Nós nos beneficiamos com a Operação Martillo, por sermos capazes de criar um panorama operacional mais de acordo com o que está realmente acontecendo, não apenas na região, mas até mesmo na costa do Pacífico, de maneira que possamos ter um conhecimento mais profundo do quadro operacional comum, para ajudar-nos a realizar um trabalho melhor de planejamento e cooperação.

Diálogo: Quais os tipos de intercâmbio que Belize realiza com a Guarda Nacional da Louisiana através do Programa de Parceria Estatal?

C Alte Borland: Nossa parceria com a Guarda Nacional da Louisiana começou há 10 anos, principalmente com os cursos de desenvolvimento de liderança, técnicos e táticos. Uma das áreas fundamentais de desenvolvimento é o treinamento para a resposta e a assistência em desastres. Eles enviam especialistas em assuntos específicos a Belize para ministrar diversos cursos. A Guarda Nacional da Louisiana desempenha uma função vital no nosso desenvolvimento em geral e nos ajuda, enquanto a Guarda Costeira de Belize continua a crescer em sua mobilidade e suas tendências.

Diálogo: Qual é a importância das parcerias regionais no combate aos agentes criminosos e ilegais?

C Alte Borland: É de suma importância que as parcerias regionais continuem a ser desenvolvidas e sustentadas, porque nenhum dos nossos países está suficientemente equipado, com a tecnologia, os recursos ou os meios para combater a atividade criminosa por conta própria. Será necessária uma abordagem integral do governo, das agências e regional para trabalharmos juntos e derrotar o crime. Nós precisamos uns dos outros e dependemos uns dos outros com tecnologia, vigilância e comunicações, para criarmos uma rede forte.

Diálogo: Quais os avanços da Guarda Costeira quanto à integração de gênero?

C Alte Borland: A Guarda Costeira tem uma política que incentiva a igualdade de oportunidades. Dez por cento da Guarda Costeira é composta por mulheres, mas esperamos ver esse número crescer. Acreditamos, na verdade, que não existe uma só função na Guarda Costeira que uma mulher não possa exercer tão bem ou até melhor do que um homem. Já vimos mulheres que chegam à Guarda Costeira bem-educadas, ambiciosas e com desejos de se desenvolver. As mulheres se envolvem em cada um dos aspectos do trabalho da Guarda Costeira. Somos uma unidade relativamente jovem e apenas algumas mulheres conseguiram superar o que costumava ser a nossa antiga organização com a ala marítima. Contamos com duas suboficiais seniores líderes e três oficiais.

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