Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Bahamas, parceira regional no combate às redes criminosas

A Real Força de Defesa das Bahamas trabalha com as agências locais e regionais para assegurar a estabilidade da região.
Geraldine Cook/ Diálogo | 19 fevereiro 2019

O Comodoro Tellis Bethel, chefe do Estado-Maior de Defesa da Real Força de Defesa das Bahamas, enfatizou a importância dos parceiros regionais para solucionar as ameaças comuns à segurança. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

O Comodoro Tellis Bethel, chefe do Estado-Maior de Defesa da Real Força de Defesa das Bahamas (RBDF, em inglês), reconhece a importância de manter a segurança e a estabilidade do seu país. Milhares de turistas chegam anualmente para visitar as areias limpas e brancas e as águas azuis das suas praias tropicais, mas o país também é um ponto de transbordo para as atividades ilícitas das redes criminosas internacionais.

O Comodoro Bethel participou da 16ª Conferência de Segurança de Nações Caribenhas (CANSEC, em inglês), em Porto de Espanha, Trinidad e Tobago, de 4 a 6 de dezembro de 2018, onde compartilhou sua perspectiva na integração regional para derrotar as ameaças comuns à segurança. O oficial conversou com Diálogo sobre as questões de segurança enfrentadas pelo seu país e a importância do trabalho em conjunto para combater o efeito das redes ilegais na região caribenha.

Diálogo: Qual é a importância da participação das Bahamas na CANSEC 2018?

Comodoro Tellis Bethel, chefe do Estado-Maior de Defesa da Real Força de Defesa das Bahamas: Embora as Bahamas estejam geograficamente localizadas no extremo noroeste da região do Caribe, suas ameaças e desafios são praticamente os mesmos de seus homólogos. A CANSEC 2018 foi muito importante para a região e particularmente para as Bahamas. As conclusões obtidas dos diálogos multilaterais entre especialistas em segurança altamente experientes e diversificados oferecem às Bahamas a oportunidade tão necessária para que coletem conhecimentos das experiências do passado e das soluções propostas por outros parceiros, bem como para que compartilhem suas próprias experiências e lições aprendidas, para o aprimoramento geral da segurança regional.

Diálogo: Um dos principais tópicos da CANSEC foi melhorar a estrutura para combater as ameaças regionais. Qual é a contribuição das Bahamas para o esforço regional no combate às ameaças à segurança?

Comodoro Bethel: As Bahamas enviaram tropas ao Haiti como parte do Batalhão CARICOM, durante a Missão de Manutenção da Paz das Nações Unidas no Haiti, de 1994 a 1996. Em 2009, as Bahamas contribuíram para os esforços de segurança tanto da Cúpula das Américas quanto da Reunião dos Chefes de Governo da Comunidade das Nações, enviando tropas e equipes de planejamento a ambos os eventos. Além disso, as Bahamas desempenham um papel fundamental no intercâmbio de informações com as agências regionais de inteligência para uma região mais segura e protegida. Hoje, a Força de Defesa está pronta como uma força predominantemente naval de uma pequena ilha para assistência na manutenção da paz, em desastres, operações de segurança para importantes eventos regionais, segurança marítima e treinamento.

Diálogo: O mecanismo regional de resposta às crises fez parte da agenda da CANSEC. Como as Bahamas contribuem para o esforço regional de resposta às crises?

Comodoro Bethel: A Agência Nacional de Administração de Emergências (NEMA, em inglês) das Bahamas é um parceiro ativo da estrutura de resposta às crises regionais sob a égide da Agência Caribenha de Administração de Emergências em Desastres. A NEMA é também a principal agência de resposta às crises locais e, assim sendo, coordena ou participa do treinamento regional regular, do planejamento e da elaboração de estratégias para a resposta às crises regionais. Além de oferecer um apoio fundamental à NEMA, a RBDF dá assistência à Unidade de Assistência em Desastres do Caribe, nos âmbitos administrativo e tático.

Como consequência do furacão Maria (outubro de 2017), as Bahamas ajudaram Dominica com o destacamento de um navio auxiliar da RBDF, o HMBS Lawrence Major, com suprimentos de assistência para as vítimas do furacão. No caminho, o barco de desembarque de 187 pés também recolheu e transportou suprimentos da Jamaica até Dominica, em nome do governo jamaicano. Em Dominica, a tripulação do navio preparou centenas de refeições diárias, ajudou com os reparos básicos das instalações públicas e levou a tão necessária água. O governo das Bahamas enviou um pequeno corpo médico para prestar atendimento de saúde.

Diálogo: Qual é o foco dos seus esforços militares como chefe do Estado-Maior?

Comodoro Bethel: O domínio marítimo das Bahamas é desafiado por várias atividades ilícitas, incluindo delitos relacionados ao terrorismo. Se ficarem fora de controle, essas atividades podem ameaçar a estabilidade da região. A RBDF atua primordialmente a partir da sua base principal de Coral Harbour, na ilha de Nova Providência, na parte central das Bahamas. Isso dificulta uma resposta rápida às ameaças ou a prestação de assistência humanitária para todo o nosso arquipélago. Um dos meus principais objetivos nos próximos cinco anos é desenvolver o programa de descentralização da RBDF. Trata-se de um programa em três partes, que consiste na aquisição de unidades de patrulhamento e na dragagem dos portos, na expansão e no desenvolvimento das bases e na aquisição e instalação de tecnologias de detecção e rastreamento no norte, centro e sul das Bahamas.

O governo das Bahamas já investiu US$ 232 milhões na aquisição de nove embarcações de patrulhamento com comprimentos que variam entre 100 e 187 pés, bem como na dragagem de três portos no centro e no sul das Bahamas. Como parte da segunda fase, os planos já estão sendo desenvolvidos para a expansão e o desenvolvimento de bases nas ilhas do centro e do sul das Bahamas, próximas dos postos de controle estratégicos, onde têm origem muitas das atividades ilícitas. A terceira fase está também simultaneamente em andamento com a aquisição e a instalação de sistemas de comunicação e detecção e com tecnologias de rastreamento, com a assistência do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF, em inglês) dos EUA. Os sistemas de detecção e rastreamento incluirão uma rede de radares costeiros ao longo do nosso arquipélago. O primeiro de uma série de radares costeiros foi instalado recentemente na nossa ilha no extremo sul com o auxílio do FMF. As Bahamas recentemente aprovaram planos de desenvolvimento e implementação de um programa multiagências de drones coordenado pela RBDF. O objetivo final é desenvolver uma estrutura de segurança marítima multifacetada que melhoraria significativamente as capacidades do C4ISR (comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento) da RBDF no domínio marítimo das Bahamas. 

Diálogo: A Comunidade das Bahamas compreende 700 ilhas e 2.000 recifes e ilhotas que oferecem um paraíso para os turistas e um refúgio marítimo para as redes do crime internacional. Quais são as atividades interagências que a RBDF adotou para combater as organizações criminosas transnacionais?

Comodoro Bethel: Com mais de 700 ilhas para patrulhar e uma infinidade de desafios, é essencial que a RBDF mantenha parcerias com as agências policiais e militares locais e regionais como forças multiplicadoras. O Ato de Defesa, que também rege a RBDF, prevê que a RBDF preste assistência com unidades policiais para a manutenção da lei e da ordem, ou que seja utilizada segundo a indicação do Conselho de Segurança Nacional. Além de disponibilizar membros da RBDF para as agências de manutenção da ordem pública, a RBDF tem participado de diversas operações conjuntas de manutenção da ordem com a Força de Polícia, a Alfândega, a Imigração e a Unidade de Recursos Marítimos, resultando em muitas prisões e, mais recentemente, em uma significativa redução de delitos graves nas ruas da nossa capital.

Regionalmente, a RBDF realiza operações conjuntas com a polícia local, com a Polícia das Ilhas Turcas e Caicos e com parceiros de manutenção da ordem dos EUA, no âmbito das Operações Bahamas Turcas e Caicos (OPBAT, em inglês). Além disso, as Bahamas e os EUA fizeram um acordo marítimo bilateral e abrangente que permite que a RBDF participe de um programa de gerenciamento de embarcações, onde membros da unidade atuam como agentes policiais a bordo de navios da Guarda Costeira dos EUA. A RBDF também forneceu apoio logístico e tático em diversas operações combinadas e conjuntas importantes com a polícia e seus parceiros dos EUA.  

Diálogo: A RBDF e os Estados Unidos fizeram uma parceria na Operação Marlin Spike, em janeiro de 2017. Qual foi o objetivo e quais são as conquistas atribuídas à operação? Por que foi importante para as Bahamas e os EUA realizar essa operação em conjunto?

Comodoro Bethel: A Operação Marlin Spike é uma iniciativa de Operações de Informação Militar Conjunta entre o Comando Norte dos EUA e a RBDF, para prestar assistência na dissuasão, prevenção ou interdição de drogas, armas e tráfico de pessoas, bem como na caça ilegal e em atividades potenciais de terrorismo no domínio marítimo das Bahamas, através de Operações de Informação (OI). Nós utilizamos as OI como um mecanismo para gerar apoio para nossos esforços entre os principais setores do público em geral, além de impedir ou desencorajar aqueles que tentam violar as leis marítimas das Bahamas. Um importante ponto de sucesso, até o momento, tem sido as opiniões construtivas da comunidade sobre como a RBDF pode prestar melhores serviços. Embora tenham sido criadas uma Linha Telefônica de Informações e uma página no Facebook como parte desse programa, a maior conquista veio com as informações recebidas relativas às atividades ilícitas, que foram geradas a partir dos contatos pessoais feitos com o grande público. Isto significa que está sendo estabelecida uma confiança progressiva dentro das diversas comunidades.

Nossas parcerias com os EUA, como vizinhos que compartilham fronteiras que sofrem ameaças comuns, são importantes porque atuam como um multiplicador de forças que permite que as Bahamas e os EUA compartilhem conhecimentos, recursos e informações vitais, bem como realizem operações conjuntas com os parceiros regionais para combater as ameaças comuns à segurança e à estabilidade da região, principalmente no setor norte da região do Caribe.

Diálogo: Quais são os esforços combinados que a RBDF realiza com os Estados Unidos? 

Comodoro Bethel: A RBDF é membro do Conselho de Operações de Informação da Região do Caribe, que estimula as parcerias, as redes, a colaboração regional e o intercâmbio de informações, para promover a estabilidade e a segurança locais através de diversos programas de OI na região. Temos também as OPBAT, que incluem primordialmente unidades de asa rotativa da Guarda Costeira dos EUA que coordenam as operações conjuntas com a Real Força Policial das Bahamas (RBPF, em inglês), a Força Policial das Ilhas Turcas e Caicos, a RBDF, a Guarda Costeira dos EUA e outras agências policiais dos Estados Unidos. A RBDF também participa de três exercícios de treinamento que incluem seus parceiros do Comando Norte e/ou do Comando Sul: Coral Cays, Marlin Shield e Tradewinds. A RBPF e outros parceiros locais de manutenção da ordem pública das Bahamas, tais como Imigração e Alfândega, são convidados a participar sempre que for importante.

O Coral Cays é um exercício teórico de planejamento e prontidão que avalia possíveis cenários de ameaças e as funções e responsabilidades dos envolvidos para evitar, deter, detectar, desmanchar, eliminar ou mitigar tais ameaças. O Marlin Shield é um exercício de treinamento conjunto e combinado de combate ao terrorismo realizado de dois em dois anos nas Bahamas. As principais agências são as Forças do Corpo de Fuzileiros Navais do Norte, o Comando Norte de Operações Especiais e a RBDF. O exercício utiliza recursos de superfície, aéreos e terrestres. O último exercício foi realizado em 2017 e envolveu o rastreamento e a apreensão de terroristas que passavam pela rota das Bahamas em direção à fronteira sul dos EUA.

Diálogo: Por que é importante para a RBDF participar de exercícios multinacionais interagências tais como o Tradewinds?

Comodoro Bethel: Todas as forças regionais têm suas limitações em capacidade e competências e, por conseguinte, precisam compartilhar seus conhecimentos e expertise. Essa experiência compartilhada também ajuda a estabelecer procedimentos e protocolos comuns de interoperabilidade, especialmente quando os parceiros regionais são requisitados para prestar assistência uns aos outros. O Tradewinds oferece um treinamento tático e operacional nas áreas de interoperabilidade, colaboração, compartilhamento de informações e criação de parcerias, com o objetivo de combater atividades ilícitas como o contrabando de drogas e de armas, o terrorismo, bem como prestar assistência durante desastres naturais e oferecer ajuda humanitária no âmbito regional. 

Diálogo: A RBDF tem uma forte parceria com a Guarda Nacional do Exército de Rhode Island através do Programa de Parceria Estatal da Guarda Nacional dos EUA. Que tipos de intercâmbios vocês realizam juntos?

Comodoro Bethel: A Guarda Nacional do Exército de Rhode Island vem fornecendo um extenso treinamento especializado à RBDF, tanto nas Bahamas quanto nos Estados Unidos, desde 2005. Os programas de treinamento oferecidos à RBDF ao longo dos anos incluíram policiamento militar, cibernética e comunicações, logística, proteção para a força, operações em centros de detenção, treinamento com armas não-letais e letais e com K-9. Esses programas normalmente duram de uma a três semanas. São também um complemento aos demais programas de treinamento para a manutenção da ordem pública realizados pela RBDF, que continuarão durante 2019. 

Diálogo: Quais foram as conquistas mais importantes da RBDF em 2018, na sua opinião?

Comodoro Bethel: A RBDF obteve diversas conquistas importantes em 2018. Entre elas eu citaria a apreensão de quase 200 caçadores ilegais da República Dominicana, além do confisco de cinco navios pesqueiros com cascos de aço, que levavam mais de 72 toneladas de produtos de pesca a bordo, resultando em multas emitidas pelos tribunais de mais de US$ 8 milhões. 

A RBDF também contribuiu para a redução da criminalidade nas ruas de Nova Providência, onde vivem mais de 75 por cento dos cidadãos das Bahamas, que resultou em uma redução de 25 por cento dos crimes, o mais baixo índice em uma década. A RBDF apreendeu ou ajudou a apreender aproximadamente 1.600 migrantes sem documentação que estavam sendo traficados para as Bahamas. Além disso, deu apoio logístico e tático em duas importantes operações antidrogas combinadas com a polícia das Bahamas e agências policiais dos EUA.

Quanto às operações de assistência humanitária e ajuda em desastres, a RBDF continua fornecendo segurança aos residentes locais em uma das ilhas remotas do arquipélago, que ainda está se recuperando da devastação causada pelo furacão Matthew, em 2017. Em 2018, mais de 80 vidas foram salvas ou assistidas no mar.

O Comodoro Tellis Bethel, chefe do Estado-Maior de Defesa da Real Força de Defesa das Bahamas (RBDF, em inglês), reconhece a importância de manter a segurança e a estabilidade do seu país. Milhares de turistas chegam anualmente para visitar as areias limpas e brancas e as águas azuis das suas praias tropicais, mas o país também é um ponto de transbordo para as atividades ilícitas das redes criminosas internacionais.

O Comodoro Bethel participou da 16ª Conferência de Segurança de Nações Caribenhas (CANSEC, em inglês), em Porto de Espanha, Trinidad e Tobago, de 4 a 6 de dezembro de 2018, onde compartilhou sua perspectiva na integração regional para derrotar as ameaças comuns à segurança. O oficial conversou com Diálogo sobre as questões de segurança enfrentadas pelo seu país e a importância do trabalho em conjunto para combater o efeito das redes ilegais na região caribenha.

Diálogo: Qual é a importância da participação das Bahamas na CANSEC 2018?

Comodoro Tellis Bethel, chefe do Estado-Maior de Defesa da Real Força de Defesa das Bahamas: Embora as Bahamas estejam geograficamente localizadas no extremo noroeste da região do Caribe, suas ameaças e desafios são praticamente os mesmos de seus homólogos. A CANSEC 2018 foi muito importante para a região e particularmente para as Bahamas. As conclusões obtidas dos diálogos multilaterais entre especialistas em segurança altamente experientes e diversificados oferecem às Bahamas a oportunidade tão necessária para que coletem conhecimentos das experiências do passado e das soluções propostas por outros parceiros, bem como para que compartilhem suas próprias experiências e lições aprendidas, para o aprimoramento geral da segurança regional.

Diálogo: Um dos principais tópicos da CANSEC foi melhorar a estrutura para combater as ameaças regionais. Qual é a contribuição das Bahamas para o esforço regional no combate às ameaças à segurança?

Comodoro Bethel: As Bahamas enviaram tropas ao Haiti como parte do Batalhão CARICOM, durante a Missão de Manutenção da Paz das Nações Unidas no Haiti, de 1994 a 1996. Em 2009, as Bahamas contribuíram para os esforços de segurança tanto da Cúpula das Américas quanto da Reunião dos Chefes de Governo da Comunidade das Nações, enviando tropas e equipes de planejamento a ambos os eventos. Além disso, as Bahamas desempenham um papel fundamental no intercâmbio de informações com as agências regionais de inteligência para uma região mais segura e protegida. Hoje, a Força de Defesa está pronta como uma força predominantemente naval de uma pequena ilha para assistência na manutenção da paz, em desastres, operações de segurança para importantes eventos regionais, segurança marítima e treinamento.

Diálogo: O mecanismo regional de resposta às crises fez parte da agenda da CANSEC. Como as Bahamas contribuem para o esforço regional de resposta às crises?

Comodoro Bethel: A Agência Nacional de Administração de Emergências (NEMA, em inglês) das Bahamas é um parceiro ativo da estrutura de resposta às crises regionais sob a égide da Agência Caribenha de Administração de Emergências em Desastres. A NEMA é também a principal agência de resposta às crises locais e, assim sendo, coordena ou participa do treinamento regional regular, do planejamento e da elaboração de estratégias para a resposta às crises regionais. Além de oferecer um apoio fundamental à NEMA, a RBDF dá assistência à Unidade de Assistência em Desastres do Caribe, nos âmbitos administrativo e tático.

Como consequência do furacão Maria (outubro de 2017), as Bahamas ajudaram Dominica com o destacamento de um navio auxiliar da RBDF, o HMBS Lawrence Major, com suprimentos de assistência para as vítimas do furacão. No caminho, o barco de desembarque de 187 pés também recolheu e transportou suprimentos da Jamaica até Dominica, em nome do governo jamaicano. Em Dominica, a tripulação do navio preparou centenas de refeições diárias, ajudou com os reparos básicos das instalações públicas e levou a tão necessária água. O governo das Bahamas enviou um pequeno corpo médico para prestar atendimento de saúde.

Diálogo: Qual é o foco dos seus esforços militares como chefe do Estado-Maior?

Comodoro Bethel: O domínio marítimo das Bahamas é desafiado por várias atividades ilícitas, incluindo delitos relacionados ao terrorismo. Se ficarem fora de controle, essas atividades podem ameaçar a estabilidade da região. A RBDF atua primordialmente a partir da sua base principal de Coral Harbour, na ilha de Nova Providência, na parte central das Bahamas. Isso dificulta uma resposta rápida às ameaças ou a prestação de assistência humanitária para todo o nosso arquipélago. Um dos meus principais objetivos nos próximos cinco anos é desenvolver o programa de descentralização da RBDF. Trata-se de um programa em três partes, que consiste na aquisição de unidades de patrulhamento e na dragagem dos portos, na expansão e no desenvolvimento das bases e na aquisição e instalação de tecnologias de detecção e rastreamento no norte, centro e sul das Bahamas.

O governo das Bahamas já investiu US$ 232 milhões na aquisição de nove embarcações de patrulhamento com comprimentos que variam entre 100 e 187 pés, bem como na dragagem de três portos no centro e no sul das Bahamas. Como parte da segunda fase, os planos já estão sendo desenvolvidos para a expansão e o desenvolvimento de bases nas ilhas do centro e do sul das Bahamas, próximas dos postos de controle estratégicos, onde têm origem muitas das atividades ilícitas. A terceira fase está também simultaneamente em andamento com a aquisição e a instalação de sistemas de comunicação e detecção e com tecnologias de rastreamento, com a assistência do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF, em inglês) dos EUA. Os sistemas de detecção e rastreamento incluirão uma rede de radares costeiros ao longo do nosso arquipélago. O primeiro de uma série de radares costeiros foi instalado recentemente na nossa ilha no extremo sul com o auxílio do FMF. As Bahamas recentemente aprovaram planos de desenvolvimento e implementação de um programa multiagências de drones coordenado pela RBDF. O objetivo final é desenvolver uma estrutura de segurança marítima multifacetada que melhoraria significativamente as capacidades do C4ISR (comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento) da RBDF no domínio marítimo das Bahamas. 

Diálogo: A Comunidade das Bahamas compreende 700 ilhas e 2.000 recifes e ilhotas que oferecem um paraíso para os turistas e um refúgio marítimo para as redes do crime internacional. Quais são as atividades interagências que a RBDF adotou para combater as organizações criminosas transnacionais?

Comodoro Bethel: Com mais de 700 ilhas para patrulhar e uma infinidade de desafios, é essencial que a RBDF mantenha parcerias com as agências policiais e militares locais e regionais como forças multiplicadoras. O Ato de Defesa, que também rege a RBDF, prevê que a RBDF preste assistência com unidades policiais para a manutenção da lei e da ordem, ou que seja utilizada segundo a indicação do Conselho de Segurança Nacional. Além de disponibilizar membros da RBDF para as agências de manutenção da ordem pública, a RBDF tem participado de diversas operações conjuntas de manutenção da ordem com a Força de Polícia, a Alfândega, a Imigração e a Unidade de Recursos Marítimos, resultando em muitas prisões e, mais recentemente, em uma significativa redução de delitos graves nas ruas da nossa capital.

Regionalmente, a RBDF realiza operações conjuntas com a polícia local, com a Polícia das Ilhas Turcas e Caicos e com parceiros de manutenção da ordem dos EUA, no âmbito das Operações Bahamas Turcas e Caicos (OPBAT, em inglês). Além disso, as Bahamas e os EUA fizeram um acordo marítimo bilateral e abrangente que permite que a RBDF participe de um programa de gerenciamento de embarcações, onde membros da unidade atuam como agentes policiais a bordo de navios da Guarda Costeira dos EUA. A RBDF também forneceu apoio logístico e tático em diversas operações combinadas e conjuntas importantes com a polícia e seus parceiros dos EUA.  

Diálogo: A RBDF e os Estados Unidos fizeram uma parceria na Operação Marlin Spike, em janeiro de 2017. Qual foi o objetivo e quais são as conquistas atribuídas à operação? Por que foi importante para as Bahamas e os EUA realizar essa operação em conjunto?

Comodoro Bethel: A Operação Marlin Spike é uma iniciativa de Operações de Informação Militar Conjunta entre o Comando Norte dos EUA e a RBDF, para prestar assistência na dissuasão, prevenção ou interdição de drogas, armas e tráfico de pessoas, bem como na caça ilegal e em atividades potenciais de terrorismo no domínio marítimo das Bahamas, através de Operações de Informação (OI). Nós utilizamos as OI como um mecanismo para gerar apoio para nossos esforços entre os principais setores do público em geral, além de impedir ou desencorajar aqueles que tentam violar as leis marítimas das Bahamas. Um importante ponto de sucesso, até o momento, tem sido as opiniões construtivas da comunidade sobre como a RBDF pode prestar melhores serviços. Embora tenham sido criadas uma Linha Telefônica de Informações e uma página no Facebook como parte desse programa, a maior conquista veio com as informações recebidas relativas às atividades ilícitas, que foram geradas a partir dos contatos pessoais feitos com o grande público. Isto significa que está sendo estabelecida uma confiança progressiva dentro das diversas comunidades.

Nossas parcerias com os EUA, como vizinhos que compartilham fronteiras que sofrem ameaças comuns, são importantes porque atuam como um multiplicador de forças que permite que as Bahamas e os EUA compartilhem conhecimentos, recursos e informações vitais, bem como realizem operações conjuntas com os parceiros regionais para combater as ameaças comuns à segurança e à estabilidade da região, principalmente no setor norte da região do Caribe.

Diálogo: Quais são os esforços combinados que a RBDF realiza com os Estados Unidos? 

Comodoro Bethel: A RBDF é membro do Conselho de Operações de Informação da Região do Caribe, que estimula as parcerias, as redes, a colaboração regional e o intercâmbio de informações, para promover a estabilidade e a segurança locais através de diversos programas de OI na região. Temos também as OPBAT, que incluem primordialmente unidades de asa rotativa da Guarda Costeira dos EUA que coordenam as operações conjuntas com a Real Força Policial das Bahamas (RBPF, em inglês), a Força Policial das Ilhas Turcas e Caicos, a RBDF, a Guarda Costeira dos EUA e outras agências policiais dos Estados Unidos. A RBDF também participa de três exercícios de treinamento que incluem seus parceiros do Comando Norte e/ou do Comando Sul: Coral Cays, Marlin Shield e Tradewinds. A RBPF e outros parceiros locais de manutenção da ordem pública das Bahamas, tais como Imigração e Alfândega, são convidados a participar sempre que for importante.

O Coral Cays é um exercício teórico de planejamento e prontidão que avalia possíveis cenários de ameaças e as funções e responsabilidades dos envolvidos para evitar, deter, detectar, desmanchar, eliminar ou mitigar tais ameaças. O Marlin Shield é um exercício de treinamento conjunto e combinado de combate ao terrorismo realizado de dois em dois anos nas Bahamas. As principais agências são as Forças do Corpo de Fuzileiros Navais do Norte, o Comando Norte de Operações Especiais e a RBDF. O exercício utiliza recursos de superfície, aéreos e terrestres. O último exercício foi realizado em 2017 e envolveu o rastreamento e a apreensão de terroristas que passavam pela rota das Bahamas em direção à fronteira sul dos EUA.

Diálogo: Por que é importante para a RBDF participar de exercícios multinacionais interagências tais como o Tradewinds?

Comodoro Bethel: Todas as forças regionais têm suas limitações em capacidade e competências e, por conseguinte, precisam compartilhar seus conhecimentos e expertise. Essa experiência compartilhada também ajuda a estabelecer procedimentos e protocolos comuns de interoperabilidade, especialmente quando os parceiros regionais são requisitados para prestar assistência uns aos outros. O Tradewinds oferece um treinamento tático e operacional nas áreas de interoperabilidade, colaboração, compartilhamento de informações e criação de parcerias, com o objetivo de combater atividades ilícitas como o contrabando de drogas e de armas, o terrorismo, bem como prestar assistência durante desastres naturais e oferecer ajuda humanitária no âmbito regional. 

Diálogo: A RBDF tem uma forte parceria com a Guarda Nacional do Exército de Rhode Island através do Programa de Parceria Estatal da Guarda Nacional dos EUA. Que tipos de intercâmbios vocês realizam juntos?

Comodoro Bethel: A Guarda Nacional do Exército de Rhode Island vem fornecendo um extenso treinamento especializado à RBDF, tanto nas Bahamas quanto nos Estados Unidos, desde 2005. Os programas de treinamento oferecidos à RBDF ao longo dos anos incluíram policiamento militar, cibernética e comunicações, logística, proteção para a força, operações em centros de detenção, treinamento com armas não-letais e letais e com K-9. Esses programas normalmente duram de uma a três semanas. São também um complemento aos demais programas de treinamento para a manutenção da ordem pública realizados pela RBDF, que continuarão durante 2019. 

Diálogo: Quais foram as conquistas mais importantes da RBDF em 2018, na sua opinião?

Comodoro Bethel: A RBDF obteve diversas conquistas importantes em 2018. Entre elas eu citaria a apreensão de quase 200 caçadores ilegais da República Dominicana, além do confisco de cinco navios pesqueiros com cascos de aço, que levavam mais de 72 toneladas de produtos de pesca a bordo, resultando em multas emitidas pelos tribunais de mais de US$ 8 milhões. 

A RBDF também contribuiu para a redução da criminalidade nas ruas de Nova Providência, onde vivem mais de 75 por cento dos cidadãos das Bahamas, que resultou em uma redução de 25 por cento dos crimes, o mais baixo índice em uma década. A RBDF apreendeu ou ajudou a apreender aproximadamente 1.600 migrantes sem documentação que estavam sendo traficados para as Bahamas. Além disso, deu apoio logístico e tático em duas importantes operações antidrogas combinadas com a polícia das Bahamas e agências policiais dos EUA.

Quanto às operações de assistência humanitária e ajuda em desastres, a RBDF continua fornecendo segurança aos residentes locais em uma das ilhas remotas do arquipélago, que ainda está se recuperando da devastação causada pelo furacão Matthew, em 2017. Em 2018, mais de 80 vidas foram salvas ou assistidas no mar.

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