Autoridades latino-americanas de segurança concordam em fortalecer cooperação para combater o crime organizado

Objetivo é criar níveis mais altos de coordenação entre as instituições policiais de diferentes países para combater o crime organizado e o narcotráfico.
Julieta Pelcastre | 22 dezembro 2013

Conferência da Ameripol: representantes de 20 países latino-americanos compareceram à VI Cúpula da Comunidade de Polícias das Américas (Ameripol) na Costa Rica, em 12 e 13 de novembro de 2013. Os participantes concordaram em fortalecer a cooperação na luta contra o crime organizado. [Foto: Ameripol]

Recentemente, autoridades de segurança representando 20 países latino-americanos que fazem parte da Comunidade de Polícias das Américas (Ameripol) concordaram em fortalecer a cooperação internacional contra o crime organizado.

Representantes de 20 países, assim como autoridades de sete outros, chegaram a um acordo ao final da VI Cúpula da Comunidade de Polícias das Américas (Ameripol), que ocorreu em San Jose, Costa Rica, em 12 e 13 novembro de 2013.

Os 20 países que compõem a Ameripol são: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. Os Estados Unidos também são um país-membro.

A conferência foi inaugurada pela presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, que urgiu às forças policiais a combater o crime organizado “com estratégias que visem ir além da mera reação das agências de aplicação de lei.”

Foco no fortalecimento da cooperação policial

Autoridades de segurança que compareceram à conferência focaram no fortalecimento da cooperação das agências policiais em diferentes países na luta contra as organizações criminosas transnacionais, de acordo com uma declaração escrita da Ameripol.

Autoridades latino-americanas de segurança que compareceram à conferência, incluindo chefes de polícia, concordaram em engajar em níveis mais altos de cooperação para fortalecer o Plano Regional de Segurança. O objetivo é criar níveis mais altos de coordenação entre as instituições policiais de diferentes países para combater o crime organizado e o narcotráfico.

Autoridades de segurança na conferência também concordaram em promover ações e mecanismos de cooperação com “as organizações intergovernamentais, regionais e globais, permitindo a criação de uma sinergia entre as agências policiais.”

Enfrentando uma ameaça transnacional

Os membros da Ameripol também aprovaram intercâmbios entre as agências policiais para promover o aprimoramento de habilidades e capacidades tecnológicas.

As agências policiais devem continuar a melhorar sua capacidade para enfrentar a crescente ameaça apresentada pelas organizações criminosas transnacionais, disse Rodolfo Palomino, presidente da Ameripol e diretor da Polícia Nacional da Colômbia.

“Os grandes cartéis transformaram-se em gangues criminosas ou minicartéis”, disse Palomino. “As forças de segurança estão enfrentando esses grupos menores. Esses criminosos não respeitam os limites da lei.”

Segundo Palomino, a cooperação internacional é crucial para a luta contra os narcotraficantes.

Atenção à América Central

A América Central, em particular, exige um nível mais alto de atenção das forças de segurança que lutam contra o narcotráfico, o contrabando de armas de fogo e o tráfico de seres humanos, disse Enrique Galindo, diretor-executivo da Ameripol e comissário-geral da Polícia Federal do México, à agência de notícias Notimex.

“É muito importante dar à América Central total atenção e vigiar o que está ocorrendo lá em termos de tráfico, todos os tipos de tráfico”, disse Galindo.

As organizações criminosas transnacionais, como o Cartel de Sinaloa e Los Zetas, transportam grandes quantidades de cocaína através da América Central para México, Estados Unidos, América Central, Europa e África

Além do tráfico de pessoas, drogas e armas de fogo, os grupos do crime organizado na América Central praticam extorsão, sequestro, venda doméstica de drogas e suborno.

Quase 90% ou mais das 700 t de cocaína que entram nos Estados Unidos provenientes da Colômbia todos os anos passam pela América Central, de acordo com autoridades dos EUA. Os narcotraficantes geram lucros anuais de mais de US$ 320 bilhões (R$ 750 bilhões) pelo mundo, segundo um recente relatório da Polícia Nacional da Colômbia, que foi emitido na 82ª Assembleia Geral da Interpol em Cartagena, Colômbia.

Gangues de rua e traficantes de drogas internacionais

Além de combater as organizações criminosas transnacionais, as forças de segurança da América Central também lutam contra mais de 900 gangues locais, que possuem mais de 70.000 membros, de acordo com o Relatório Anual 2012 da Comissão Internacional de Controle de Drogas das Nações Unidas. As duas maiores gangues são a Mara Salvatrucha, também conhecida como MS-13, e Barrio 18, conhecida como Calle 18.

As forças de segurança da América Latina enfrentam desafios diferentes de traficantes de drogas internacionais, de acordo com um relatório da Ameripol, “Análise Situacional do Narcotráfico”.

O relatório detalha as ameaças enfrentadas por diferentes países:

• O Brasil tornou-se o paraíso para traficantes de drogas foragidos e uma ponte para a distribuição de drogas para a Europa e a África Ocidental. Três grupos controlam o narcotráfico no país: o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro (TCP).

• A Bolívia é um dos maiores produtores de hidrocloreto de cocaína, que é traficado para diferentes partes do mundo através do Chile, Argentina, Brasil, Peru e Paraguai.

• O Equador é um ponto de transbordo e armazenamento dos narcotraficantes. Los Zetas e o Cartel de Sinaloa transportam drogas através do Equador.

• O Peru é um dos maiores produtores de cocaína do mundo. Cerca de 800 t de cocaína são produzidas em todo o mundo todos os anos e a maior parte da produção é feita no Peru, Bolívia e Colômbia

• O Panamá é um país de trânsito para organizações criminosas transnacionais que traficam drogas para o norte através das Américas Central e do Sul para México, EUA e Canadá.

A necessidade de cooperação

Enquanto os grupos do crime organizado na América Latina se engajam em uma variedade de empreendimentos ilícitos, o tráfico de drogas é sua maior fonte de renda, de acordo com Nestor Rosania, diretor do Centro de Estudos em Segurança, Defesa e Assuntos Internacionais (CESDAI), na Colômbia.

Os países devem confrontar as organizações criminosas transnacionais em uma base cooperativa, disse Rosania.

A coordenação e a cooperação entre os países-membro da Ameripol na luta contra os grupos do crime organizado é boa, mas precisa ser fortalecida, disse Rosania. Um constante diálogo para dar continuidade aos modelos policiais é necessário, acrescentou.

Segundo Rosania, a conferência da Ameripol e outros eventos similares ajudam a abrigar o diálogo e o espírito de cooperação. Tais encontros permitem às autoridades policiais de diferentes países compartilhar sua experiência na luta contra o crime transnacional.

Apoio a um modelo educacional

Durante a conferência da Ameripol, autoridades de segurança também concordaram em promover a consolidação da Rede Interamericana de Desenvolvimento e Profissionalização Policial, um modelo educacional virtual para a polícia conduzido pelo Departamento de Segurança Pública da Organização dos Estados Americanos (OEA), um parceiro estratégico que obtém o modelo de educação virtual para os policiais.

O Conselho de Diretores da Ameripol elegeu o comissário Juan José Andrade Morales, diretor da força policial da Costa Rica, para ser presidente durante as sessões de 2014-2015.

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