Programa ASTROS 2020 incrementa artilharia do Exército Brasileiro

O Brasil avança na construção de um núcleo da artilharia e no desenvolvimento de tecnologias de armas de defesa dominadas por apenas uma dezena de países do mundo.
Andréa Barretto/Diálogo | 16 maio 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A viatura lançadora MK6, adquirida pelo programa estratégico ASTROS 2020, é capaz de lançar quatro tipos de foguetes e o míssil tático de cruzeiro, que está na fase final de desenvolvimento. (Foto: Exército Brasileiro, Divulgação)

Até outubro de 2018, o Exército Brasileiro (EB) vai receber oito viaturas modernizadas MK3M, capazes de disparar, de um único lançador, um míssil e quatro diferentes tipos de foguetes. Esse será o quarto e último lote de entregas realizadas pela empresa brasileira Avibras, contratada em 2012 para operacionalizar a atualização tecnológica de 38 viaturas das versões MK2 e MK3 empregadas pelo 6º Grupo de Mísseis e Foguetes (GMF).

Com isso, o programa estratégico ASTROS 2020 concluirá mais uma etapa de seu desenvolvimento. Em 2018, outros passos fundamentais já foram dados. Em 25 de janeiro e em 1º de fevereiro, foram inaugurados, respectivamente, o Centro de Instrução e o Centro de Logística do ASTROS 2020. As novas estruturas já estão em operação e fazem parte do complexo do Forte Santa Bárbara, conglomerado de organizações militares que está sendo erguido na cidade de Formosa, em Goiás, região central do Brasil.

“É uma realização pessoal comandar uma organização militar de logística, por eu ser um oficial de material bélico e, particularmente essa instalação, com um sistema de armas que exige de nós um conhecimento profissional aprofundado e o trabalho com ferramentas gerenciais complexas”, afirmou o Tenente-Coronel do EB Giovani Siqueira, que assumiu o comando do Centro de Logística, durante o evento de inauguração.

“Estamos construindo o núcleo da artilharia de mísseis e foguetes do EB”, resumiu o General-de-Brigada do EB José Júlio Dias Barreto, gerente do ASTROS 2020, em entrevista exclusiva para a Diálogo em Brasília. Além da modernização de equipamentos e da construção de instalações, o programa contempla projetos de pesquisa e desenvolvimento e de aquisição de novos veículos. “A expectativa é a de que o programa como um todo esteja finalizado em 2023, se não houver atrasos por conta de cortes orçamentários.”

Grupo seleto

Na área de pesquisa e desenvolvimento, o ASTROS 2020 busca criar e fabricar o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), o foguete guiado SS-40G e o Sistema Integrado de Simulação (SIS-ASTROS). O MTC-300 é inédito nas Forças Armadas Brasileiras. Sua concepção teve início em 2005. Em março de 2018, a arma entrou em sua fase final de desenvolvimento, quando foram retomados os voos de teste.

Sede do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes, primeira organização militar do EB vocacionada para o emprego do sistema ASTROS 2020. (Foto: Exército Brasileiro, Divulgação)

O míssil tem alcance de 300 quilômetros e precisão numa escala de 50 metros. Sua navegação inteligente é orientada por GPS, associado a outras tecnologias. Por meio de um sensor ótico-eletrônico, é capaz de acompanhar o terreno e corrigir sua trajetória em função de coordenadas inseridas em seu computador de bordo antes do lançamento. O desenvolvimento do MTC-300 permite ao Brasil inserir-se entre as sete nações detentoras dessa tecnologia, segundo informações do EPEX.

Sendo uma arma de defesa de longo alcance e com alto índice de precisão, o MTC-300 poderá ser usado em missões de destruição de grandes infraestruturas, a exemplo de usinas hidrelétricas e refinarias de petróleo. O EB encomendou inicialmente 100 unidades do míssil, a serem entregues entre 2020 e 2023.

O foguete guiado SS-40G é outra munição desenvolvida no bojo do programa ASTROS 2020. Trata-se da evolução do modelo de foguete SS-40, que chega a 40 km de alcance e já é utilizado pelo sistema ASTROS. Tecnologias aplicadas ao foguete permitem que a nova versão tenha um ganho de precisão e consequentemente uma redução dos danos colaterais. “Atualmente, a artilharia do mundo funciona segundo uma estratégia de saturação. A tendência é a de que isso mude e passe a seguir uma estratégia de precisão. Assim, o foguete e outras armas passam a ser guiados e vão em cima do alvo. A dispersão é muito reduzida”, explicou o Gen Bda Barreto.

É com o objetivo de proporcionar uma formação mais adequada aos militares que irão empregar os novos equipamentos do sistema ASTROS que está sendo desenvolvido o SIS-ASTROS. Por se tratar de um sistema, ele reúne vários tipos de simuladores, além de softwares para treinamento baseado em computador. O projeto do SIS-ASTROS está sendo elaborado numa parceria entre o EB e a Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A previsão é de que o projeto fique pronto em 2019, quando será entregue à empresa Avibras, responsável pela fabricação do conjunto de simuladores. Uma vez concluído, o SIS-ASTROS será instalado no Centro de Instrução do ASTROS 2020, no Forte Santa Bárbara, em Florianópolis, Santa Catarina.

Múltiplas funções

O sistema de artilharia do ASTROS 2020 foi criado para conferir ao EB apoio de fogo de longo alcance, recurso que permite uma maior capacidade de dissuasão, quer dizer, maior capacidade de enfraquecer e desencorajar ataques e ameaças por parte de forças inimigas. A formação básica de uma bateria do sistema ASTROS 2020 inclui um total de 13 viaturas, com diferentes funções. São seis viaturas lançadoras de míssil e foguetes e três viaturas remuniciadoras. Há também um blindado de comando e controle e um carro-radar de tiro, o qual registra informações sobre o lançamento, usadas para o aperfeiçoamento dos tiros posteriores. Há ainda um veículo-estação meteorológica – que faz a leitura das condições meteorológicas – e um carro de transporte de pessoal, que serve igualmente para fazer manutenções em outras viaturas enquanto estão em operação no terreno.

O 6º e o 16º GMF são as organizações do EB que empregam o sistema ASTROS 2020. As viaturas modernizadas e as viaturas novas adquiridas pelo programa estão sendo entregues pouco a pouco às duas estruturas militares. De acordo com o Gen Bda Barreto, os veículos modernizados, que ganharam a nomenclatura de MK3M, e os novos, da versão MK6, são exatamente iguais, porque a modernização proporcionou que as viaturas antigas fossem dotadas das mesmas tecnologias que as novas.

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