Forças armadas de países de língua portuguesa realizam exercício conjunto no Brasil

A Operação Felino adestrou aproximadamente 1.600 militares para atuação conjunta em missões de paz e de assistência humanitária.
Taciana Moury/Diálogo | 22 novembro 2017

Capacitação e Desenvolvimento

Militares de países de língua portuguesa realizaram a Operação Felino 2017, um adestramento combinado para atuação conjunta em missões de paz. (Foto: Primeiro-Sargento do EB Alexandre Manfrim, Ministério da Defesa)

O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) do Brasil coordenou a Operação Felino 2017, realizada entre os dias 18 e 29 de setembro na cidade de Resende, no Rio de Janeiro. O treinamento conjunto das forças armadas que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) teve o objetivo de realizar um adestramento integrado dos militares para uma atuação conjunta em missões de paz e de assistência humanitária.

As Forças Armadas brasileiras utilizaram helicópteros durante os exercícios no campo. (Foto: Primeiro-Sargento do EB Alexandre Manfrim, Ministério da Defesa)

A Operação Felino, supervisionada pela Organização das Nações Unidas (ONU), reuniu aproximadamente 1.600 militares, dos quais 60 foram oficiais e assessores estrangeiros. Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste participaram do exercício.

O Capitão-de-Mar-e-Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) do Brasil Walter Marinho de Carvalho Sobrinho, chefe da seção de Operações Complementares do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, disse que a Operação Felino 2017 atendeu plenamente ao objetivo. “Foi um instrumento de integração entre as forças armadas dos diversos países, bem como de congraçamento para fortalecer nossos laços de amizade, despertando novos interesses que podem ser objetos de cooperação e desenvolvimento para todos os participantes”, enfatizou.

Para o CMG Marinho, a participação do Brasil, com um papel de liderança no cenário internacional, enaltece ainda mais a CPLP. “A participação do Brasil na Operação Felino traz ao fórum novas oportunidades de cooperação, perspectivas diferentes para a abordagem de uma situação militar, além de fortalecer o grupo, pela importância do país no cenário internacional”, disse o CMG Marinho. “O Brasil oferece para os demais países uma visão mais ampla do contexto internacional, por sua situação estratégica na América do Sul”, acrescentou.

Cenário Simulado

Vários cenários foram montados durante o período de realização da Operação Felino. “A tropa começou o exercício em um ambiente desfavorável de desconfiança da população e teve que agir para neutralizar um grupo oponente, que desejava dominar esta mesma população por meio de ações violentas. A partir de então, há todo um trabalho de isolar e prender as lideranças violentas e conquistar e proteger a população”, explicou o CMG Marinho.

Já no final do exercício foi simulada a ocorrência de uma catástrofe. Neste cenário, a tropa treinou a pronta resposta para a assistência e prestação de socorro à população. “É necessária uma complexidade de ações coordenadas visando a contribuir para a pacificação da região e a minimização dos efeitos do desastre sobre a população”, explicou o CMG Marinho e acrescentou que durante as atividades foram exercitados o planejamento integrado entre todos os segmentos de um estado-maior como os setores de logística, de inteligência, de operações navais, terrestres e aéreas, sempre com a observância das normas da ONU e do direito humanitário.

O Brasil, responsável por toda a infraestrutura do exercício, forneceu as tropas de acordo com o planejamento estabelecido pelos oficiais de todos os países que compõem a Força-Tarefa Conjunta Combinada (FTCC). “A Marinha do Brasil (MB), o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira usaram meios diversos nas simulações como navios, helicópteros, drones, viaturas blindadas, destacamentos de operações especiais, entre outros”, disse o CMG Marinho.

Equipes da MB realizaram simulações de descontaminação nuclear, biológica, química e radiológica durante a Operação Felino 2017. (Foto: Marinha do Brasil)

Participação da Marinha

O Capitão-Tenente do CFN do Brasil Bruno Lopes Pena foi um dos 200 militares da MB que participaram da Operação Felino. Ele destacou a importância do exercício na preparação da tropa para missões de paz. “Foi minha primeira vez na Felino, mas como fiz parte do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais da MINUSTAH, no Haiti, em 2012, pude revisar os conteúdos e reviver algumas das experiências que vivenciei naquele país”, declarou.

O CT Bruno Pena lembrou que durante a operação sua equipe submeteu-se a ciclos de patrulhamento, escolta de comboios, reconhecimento, entrega de mantimentos, cerco e vasculhamento e operações de controle de distúrbio. “Durante essas atividades nos deparávamos com problemas militares simulados, por exemplo, engajamento com a força adversa, colisão de viaturas, manifestações da população, feridos da tropa, feridos da força adversa ou da população, entre outros”, disse.

A Marinha do Brasil deslocou militares do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais (GptOpFuzNav) para integrar o componente naval da FTCC dos países participantes. A tropa da Marinha incluía militares de combate terrestre, de comandos anfíbios, equipes de combate nuclear, biológico, químico e radiológico, além do apoio com 10 viaturas leves e seis pesadas.

Segundo o Capitão-de-Fragata do CFN do Brasil Luis Felippe Valentini da Silva, comandante do 3º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais – Batalhão Paissandu, a Operação Felino foi conduzida nos mesmos moldes de um exercício realizado pela Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). “É um exercício que explora a capacidade expedicionária do Corpo de Fuzileiros Navais, a capacitação dos grupamentos operativos em operações de paz e complementa o eixo de adestramento da FFE, reafirmando nossa prontidão operativa para futuros cenários de atuação”, disse o CF Valentini.

O trato com a sociedade civil significou uma das principais lições aprendidas durante o exercício, de acordo com o CT Bruno Pena. “Este tipo de operação nos leva a uma constante vigilância do emprego das regras de engajamento, para minimizar efeitos colaterais e prezar pela vida humana”, destacou. Outro aprendizado reforçado por ele foi a necessidade de uma estrutura de Comando e Controle bem estabelecida para agregar as tropas que atuam na área de operações.

Manter a eficiência do comando e controle representou a grande dificuldade sentida pelo CT Bruno Pena durante o exercício. “Neste tipo de operação, a velocidade com que os eventos evoluem no terreno nos impõem uma capacidade de processamento e resposta no Centro de Operações de Paz em um mesmo ritmo, para acompanhar os acontecimentos”, enfatizou.

Para o CMG Marinho, participar de uma operação como a Felino mantém o Brasil inserido no contexto internacional e mostra as capacidades profissionais das suas Forças Armadas e da indústria de defesa nacional. “É uma demonstração de que o Brasil está apto a defender seus interesses e soberania, além de trabalhar em harmonia com outros países para a segurança global”. O oficial destacou ainda que os exercícios combinados permitem o compartilhamento do conhecimento e metodologias e possibilitam o aperfeiçoamento do emprego dos meios militares.

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