Forças armadas da América Central e do México unidas na Nicarágua

As nações parceiras atenderam ao pedido de ajuda do governo nicaraguense para debelar um incêndio em uma área da reserva biológica acessível apenas pelo ar.
Lorena Baires / Diálogo | 11 maio 2018

Resposta Rápida

Os pilotos da Força Aérea Hondurenha aprontam seus equipamentos antes de partir rumo à Reserva Biológica Indio Maíz da Nicarágua. (Foto: Secretaria da Defesa Nacional de Honduras)

No início de abril de 2018, as Unidades Humanitárias de Resgate das forças armadas da América Central e do México se uniram para debelar o incêndio que atingiu a Reserva Biológica Indio Maíz, localizada no noroeste da Nicarágua. Helicópteros provenientes de El Salvador, Honduras e México realizaram mais de 400 voos para despejar 630.000 litros de água sobre 5.500 hectares de terreno.

“Os esforços dos helicópteros da nossa Força Aérea e de nações parceiras foram importantes para combater esse incêndio. Foi um esforço intenso, primeiro, para apagar o fogo, e, depois, para eliminar os focos de calor que emitiam fumaça”, expressou o General-de-Exército Julio César Avilés, comandante em chefe do Exército da Nicarágua. “Agradecemos esse trabalho coordenado entre os exércitos junto aos habitantes da região.”

O incêndio em Indio Maíz durou quase dez dias. “A Força Armada da Nicarágua conseguiu deter o avanço das chamas, ao executar uma operação em 25 quilômetros lineares de aceiros [terreno aparado para evitar a propagação do fogo], com uma largura média de 10 metros”, detalhou o Coronel de Infantaria do Exército DEM Rogelio Flores Ortiz, chefe do Estado-Maior da Defesa Civil da Nicarágua. “Contamos, ainda, com a intervenção de 1.500 efetivos militares, 160 brigadistas voluntários e o trabalho das forças aéreas de países como El Salvador, Honduras e México.”

Em 6 de abril de 2018, as nações parceiras atenderam ao pedido de ajuda do governo nicaraguense, já que os helicópteros da Força Aérea do Exército da Nicarágua não possuem o equipamento necessário para realizar descargas de água em voo. O tempo era seu pior inimigo e a única forma de chegar às zonas em chamas era pelo ar.

Resposta imediata

Em 9 de abril, a Força Aérea Mexicana (FAM) foi a primeira a se integrar nas tarefas para apagar o incêndio. O helicóptero mexicano começou a se abastecer no rio Indio, que margeia a reserva no município de San Juan del Norte, na fronteira com a Costa Rica.

“É um prazer poder ajudar o povo da Nicarágua, uma honra nos unirmos nessas tarefas. A aeronave possui dois baldes para helicópteros, com capacidade de 2.000 litros cada um”, disse à Diálogo o Capitão Piloto da FAM Francisco Sánchez. “Nós realizamos 14 descargas por hora, graças ao fato de que havia um corpo de água próximo; assim, conseguimos que o trabalho fosse contínuo e efetivo, para debelar as chamas.”

O helicóptero da Força Aérea Salvadorenha trabalhou durante uma semana para apagar o incêndio na Reserva Biológica Indio Maíz na Nicarágua. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

No dia 11 de abril, dois helicópteros Bell UH-1H chegaram, um proveniente da Força Aérea Salvadorenha (FAS) e outro da Força Aérea Hondurenha (FAH). Ambas as aeronaves estão equipadas com o sistema Bambi Bucket, que são bolsas gigantes que podem coletar entre 1.600 e 1.800 litros de água e podem ser descarregadas de forma controlada em incêndios como esse.

“A tripulação [da FAS] estava formada por três pilotos, que executaram voos de duas horas contínuas. Eles se reabasteciam de combustível e continuavam o esforço para apagar esse incêndio”, disse à Diálogo o Coronel Piloto Aviador Ángel Sermeño, representante da missão da FAS na Nicarágua. “Nossa experiência ao debelar incêndios com esse tipo de equipamento é eficaz em todos os casos. Então, sentimos orgulho e estamos agradecidos por apoiar nossos homólogos militares da Nicarágua nessa missão”, acrescentou o Tenente-Coronel Manuel Ricarte, representante da missão da FAH na Nicarágua.

Indio Maíz, pulmão da região

A Polícia Nacional Civil da Nicarágua informou que o incêndio foi iniciado por Miguel Ángel Díaz Sevilla, habitante da comunidade Sempre Viva, no município de San Juan del Norte. O acusado admitiu o fato e disse que sua família queima terrenos para o plantio de culturas há anos.

“Meu pai havia feito isso [queima de terreno], mas nunca havia ocorrido algo assim. Quando a brigada chegou para apagar o fogo, minha família e eu nos dispusemos a colaborar”, manifestou Díaz no momento de sua detenção.

Em 16 de abril, a Força Armada da Nicarágua e os países que se uniram ao pedido de ajuda conseguiram apagar as chamas. “Ainda mantemos o contingente militar na região. Esperamos que as chuvas contribuam para o esforço de nossas tropas na eliminação definitiva desses focos de calor que ainda persistem em algumas zonas onde ocorreu o incêndio”, disse à Diálogo o Cel Flores.

A Reserva Biológica Indio Maíz, a maior da América Central, tem 320.000 hectares de extensão. Localizada na fronteira com a Costa Rica, faz parte do Corredor Biológico Mesoamericano. A Força Armada da Nicarágua calculou que o fogo destruiu 5.484 hectares de floresta tropical. O incêndio se alastrou com rapidez devido à abundância de yolillo, uma palmeira frondosa rica em óleo, que facilita a propagação e permanência das chamas.

A Indio Maíz é uma reserva pouco explorada em virtude da densidade de sua floresta, mas é o habitat de centenas de espécies da flora e da fauna. Estima-se que em seu território coabitem, pelo menos, 1.221 espécies de aves, 159 de insetos, 65 de mamíferos, 55 de répteis, 34 de anfíbios e 26 de peixes. A região conta ainda com 101 espécies endêmicas registradas sob ameaça de extinção.

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