Oficiais argentinos e peruanos treinam para salvar vidas

Pilotos aeronavais se capacitam para escape de cabine submersa.
Juan Delgado/Diálogo | 17 junho 2019

Como parte do treinamento realizado em abril, os pilotos aeronavais peruanos ficaram submersos em uma cabine para pôr à prova as técnicas de evacuação aprendidas com seus homólogos argentinos. (Foto: Marinha Argentina)

Em meados de abril, pilotos aeronavais da Força de Aviação Naval da Marinha de Guerra do Peru realizaram um treinamento de escape de cabine submersa, organizado pela Marinha Argentina. O exercício foi realizado no Centro de Adestramento da Força Aeronaval No 2 (CIFA) da Marinha Argentina, localizado na Base Aeronaval Comandante Espora de Buenos Aires.

O treinamento teórico-prático de cinco dias se concentrou na apresentação de cenários de emergências em voos sobre a água e exercícios em piscina, para pôr à prova o aprendido. O objetivo do intercâmbio foi ensinar conhecimentos novos e reforçar as destrezas dos oficiais peruanos, para responder a situações aquáticas extremas a bordo de um helicóptero.

“Os pilotos aeronavais da Marinha de Guerra do Peru realizaram adestramento de escape de cabine submersa”, disse à Diálogo o Capitão de Corveta da Marinha Argentina Ramiro Reyero, chefe do CIFA. “Esse exercício ajuda a incrementar as possibilidades de sobrevivência de uma tripulação aérea que precisou realizar um pouso de emergência e deve abandonar sua aeronave enquanto ela está afundando.”

Etapas de adestramento

A capacitação foi dividida em três etapas: uma teórica e duas práticas. Na primeira parte, os instrutores do CIFA apresentaram a história do centro, a metodologia de trabalho, bem como os procedimentos e os aspectos a serem considerados no momento de uma emergência aérea.

A segunda etapa consistiu em exercícios realizados em uma piscina, que incluíram natação e imersões controladas de um simulador de cabine. Durante essa fase, os oficiais praticaram diversas técnicas para escapar da cabine submersa, tendo em conta a desorientação espacial sob a água.

“Finalizadas as duas etapas anteriores, os participantes se dirigiram ao adestrador de cabine submersa, que lhes explicou e demonstrou exercícios de adaptação à água, para que sejam capazes de ajustar a posição de segurança e possam, assim, planejar o processo de evacuação e escape da cabine. Esses treinamentos são realizados posteriormente pelos participantes”, explicou o CC Reyero.

Oficiais da Marinha de Guerra do Peru receberam treinamento por parte dos membros da Marinha Argentina especializados em resgates aquáticos. (Foto: Marinha Argentina)

“Aprendemos conceitos teóricos e práticos relativos ao escape de helicópteros com cabine invertida, à utilização do respirador autônomo para poder ter uma capacidade maior de resistência debaixo da água, ao resgate de pessoas em situação de perigo e aos passos necessários de sobrevivência diante de uma possível situação arriscada”, disse o Capitão de Corveta da Marinha de Guerra do Peru Jorge Santa María Zagastizabal, segundo comandante da Base Aeronaval de Callao.

A Marinha Argentina pôs à disposição os membros do Grupo de Paraquedistas de Busca e Resgate e nadadores de resgate do Comando de Aviação Naval da Marinha, todos especialistas nesse tipo de trabalho para a capacitação, explicou o CC Reyero.

Por sua parte, o CC Zagastizabal considerou completo o adestramento recebido dos seus homólogos argentinos. “Foi transferida para nós toda a experiência do pessoal que forma parte do CIFA”, disse o oficial. “Isso tem muito valor e nos permite completar nosso treinamento, tanto individual quanto coletivo.” 

Laços de amizade

O intercâmbio não serviu apenas para compartilhar técnicas que podem salvar vidas, mas também permitiu estreitar os laços de amizade entre os pilotos aeronavais da região e padronizar os procedimentos utilizados quando seja necessário realizar operações multinacionais de resposta a desastres, por exemplo.

“Exercícios desse tipo nos permitem transmitir toda a experiência adquirida ao longo dos anos para assim poder contribuir para o adestramento do pessoal da Aviação Naval peruana, ratificando uma vez mais os laços de fraternidade que nos unem”, destacou o CC Reyero.

“A experiência de poder vir aqui [ao CIFA] foi muito interessante. A relação criada com os membros da Marinha Argentina foi muito profissional e muito didática”, concluiu o CC Zagastizabal. “A maneira com que nos trataram foi muito positiva e esse aprendizado nos enriqueceu.”

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 3
Carregando conversa