Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Marinha Argentina fortalece suas operações combinadas

A Marinha Argentina realiza operações combinadas para garantir o intercâmbio de doutrina, procedimentos e treinamento nas diferentes áreas militares.
Geraldine Cook/Diálogo | 9 dezembro 2018

O Vice-Almirante José Luis Villán, chefe interino do Estado-Maior Geral da Marinha Argentina, acredita que os exercícios combinados entre as marinhas da Argentina e do Chile fortalecem a confiança mútua e os laços de amizade entre ambas as instituições. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

A visão do Vice-Almirante José Luis Villán, chefe interino do Estado-Maior Geral da Marinha Argentina, é otimizar o trabalho combinado da sua instituição militar. Desde que assumiu o posto em dezembro de 2017, o V Alte Villán busca consolidar as operações combinadas que permitem a otimização da interoperacionalidade. O oficial argentino participou da XVIII Conferência Naval Interamericana (CNI), realizada em Cartagena, Colômbia, entre os dias 23 e 26 de julho de 2018, onde conversou com Diálogo sobre a sua participação no evento, as missões de paz e as operações combinadas, entre outros temas. O fórum reuniu os líderes das marinhas do hemisfério para analisar questões de interesse comum.

Diálogo: Que importância tem a participação da Argentina na CNI?

Vice-Almirante José Luis Villán, chefe interino do Estado-Maior Geral da Marinha Argentina: A CNI é o mais importante fórum de discussão no âmbito regional para questões de interesse comum das marinhas do continente americano. A Marinha Argentina participa do evento desde seu início, em 1959. É uma excelente oportunidade para que as autoridades máximas das marinhas se conheçam e criem laços de amizade e de confiança mútua que se transformarão em uma relação melhor entre as instituições, com a consequente otimização no cumprimento das tarefas designadas no mar a serviço das nossas nações.

Diálogo: O tema principal da conferência é a responsabilidade das marinhas da região no combate ao narcotráfico e aos delitos a ele associados. Por que é importante que as forças navais se unam para combater esses flagelos?

V Alte Villán: A responsabilidade das marinhas frente ao narcotráfico deriva das leis promulgadas por cada nação nesse sentido. No caso argentino, a Marinha não tem essa responsabilidade, pois existem outras forças designadas para combater esse flagelo. A Marinha Argentina, como parte do instrumento militar da nação, só atua como apoio logístico dessas forças. O narcotráfico e outras estruturas do crime organizado, por sua magnitude, seu poder e suas conexões em nível mundial, se tornaram ameaças transnacionais. Não há dúvida de que a atuação coordenada dos Estados para enfrentar essas organizações é essencial para que elas sejam combatidas com eficácia. O mar e os rios se transformaram nas principais vias de comunicação necessárias para o desenvolvimento dessa atividade ilícita no âmbito internacional. Por esse motivo, as nações devem continuar os trabalhos de interdição fluvial e marítima do tráfico ilegal e a única maneira de serem bem-sucedidas é através da ação coordenada entre as agências responsáveis dos países envolvidos.

Diálogo: O presidente Mauricio Macri anunciou no dia 24 de julho de 2018 o processo de modernização das Forças Armadas Argentinas, que começaria com uma nova diretriz em sua política de defesa nacional. O senhor poderia falar sobre isso?

V Alte Villán: A vertiginosa evolução dos cenários internacionais, onde todos nós estamos imersos e dos quais fazemos parte, exige uma análise minuciosa e permanente dos mesmos em vários aspectos. Um deles é o que define os riscos, as ameaças e os desafios que o sistema de defesa nacional deve enfrentar. Essas definições, conjugadas com a inquestionável evolução tecnológica, têm como resultado a necessidade não apenas da modernização das forças armadas, mas também de todo o sistema de defesa nacional. O poder político, que conduz as políticas de defesa da nação, é quem define a direção de todo o esforço da defesa através das leis, dos decretos e das resoluções promulgados nesse sentido. O Conselho de Política de Defesa Nacional é o documento chave que dá início a um novo ciclo de planejamento para a defesa. 

Diálogo: Em julho, 58 representantes do Contingente Chipre LII partiram para prestar serviço nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Por que é importante que a Marinha participe dessas missões?

V Alte Villán: A Argentina tem um longo histórico no desenvolvimento de uma política de intenso envolvimento nas iniciativas da ONU relativas à preservação da paz e à estabilidade internacional. Essa política se materializou e continua seguindo esse caminho, através da participação das forças armadas nas operações de paz de diversos tipos. A Marinha Argentina apoia o Estado-Maior Conjunto com pessoal e equipamentos no cumprimento da sua responsabilidade, destacando os contingentes em diversos lugares, onde a ONU os necessite.​​​​​​​ 

Diálogo: Os exercícios INALAF e VIEKAREN atestam a relevância das operações combinadas de treinamento realizadas pelas marinhas da Argentina e do Chile. Qual é o valor agregado dessas operações para a Marinha Argentina?

V Alte Villán: Exercícios desse gênero permitem o fortalecimento da confiança mútua entre as duas instituições e dos laços de amizade que unem a Argentina e o Chile há muito tempo. A realização desses exercícios ajuda a otimizar o nível de interoperacionalidade entre ambas as marinhas, através do intercâmbio de doutrinas, procedimentos e treinamento combinado em temas de interesse comum, como as operações nas missões de paz, as operações de ajuda humanitária, de controle do tráfego marítimo e da contaminação, entre outros.

Diálogo: Que lições de trabalho conjunto e combinado foram aprendidas com a Patrulha Antártica Naval Combinada (PANC)?

V Alte Villán: A PANC é um exemplo de coordenação e cooperação entre a Argentina e o Chile aos olhos do mundo antártico. A PANC demonstra o trabalho em equipe e o compromisso quanto à salvaguarda da vida no mar e à proteção do meio-ambiente antártico, de acordo com as políticas dos respectivos Estados sob o Tratado Antártico e o Convênio Internacional Sobre Busca e Salvamento Marítimo, a fim de respeitá-los e fortalecê-los em seus conceitos básicos. Esse esforço cooperativo revela claramente o excelente nível de interoperacionalidade alcançado nas operações marítimas entre os nossos conjuntos operacionais, que se tornou possível graças a um longo processo de criação de confiança mútua e de amizade. A unificação do esforço para cumprir os objetivos impostos à PANC permite maior eficácia e eficiência na ação operacional dos meios. Se as responsabilidades assumidas por ambos os países não seguissem esse formato, o esforço seria desnecessariamente dobrado, permitindo inclusive interferências mútuas e redução da eficácia para enfrentar as eventuais contingências. Esse é o principal benefício da PANC, não apenas para os nossos países, mas também para o cenário antártico em geral.

Diálogo: Que ações conjuntas a Marinha realiza com a Marinha dos Estados Unidos?

V Alte Villán: A relação de amizade que une a Marinha Argentina e a Marinha dos Estados Unidos vem de longa data e supera os altos e baixos políticos dos nossos países. São inúmeros os exercícios combinados que realizamos ao longo dos anos. Atualmente, mantemos excelentes relações de intercâmbios cooperativos de todos os tipos, que contribuem para um melhor entendimento e uma melhor interoperacionalidade institucional.

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