Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Força Aérea da Argentina preparada para ajudar e cooperar

Conheça os avanços no processo de modernização e adaptação às novas demandas do século XXI.
Geraldine Cook/Diálogo | 13 agosto 2018

O Brigadeiro Enrique Víctor Amrein, chefe do Estado-Maior da Força Aérea da Argentina, acha que o enfoque da ajuda humanitária do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas frente aos desastres naturais ou causados pelo homem é fundamental para os países da região. (Foto: Geraldina Cook, Diálogo)

O Brigadeiro Enrique Víctor Amrein, chefe do Estado-Maior da Força Aérea da Argentina (FAA), se concentra em modernizar a frota, desenvolver novas tecnologias e criar alianças que permitam a consolidação da instituição como uma força em acordo com as exigências do futuro.

O Brig Amrein participou da LVIII Conferência de Chefes das Forças Aéreas Americanas (CONJEFAMER, em espanhol), realizada na Cidade do Panamá, Panamá, entre os dias 19 e 21 de junho de 2018. Durante o evento, o militar falou à Diálogo sobre a modernização da frota aérea argentina, sobre a cooperação internacional para assistência em desastres, sobre ajuda humanitária e outros assuntos.

Diálogo: Qual é a importância da participação da FAA na CONJEFAMER?

Brigadeiro Enrique Víctor Amrein, chefe do Estado-Maior da Força Aérea da Argentina: A CONJEFAMER tem tido uma enorme importância para nós, desde o início. A segunda conferência foi realizada em nosso país. Os chefes das forças aéreas são precursores quanto à integração com outros países.

Diálogo: Qual é a importância do fato de seu país pertencer ao Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA)?

Brig Amrein: Nosso país acha que o SICOFAA é de suma importância. Sem dúvida, agora com o novo enfoque do SICOFAA eu creio, particularmente, que demos um salto qualitativo na importância do sistema de cooperação entre nossas forças aéreas, especialmente no caso de ajuda humanitária frente aos desastres naturais ou causados pelo homem.

Diálogo: Uma das principais atribuições da FAA é a ajuda humanitária. Qual é a importância do trabalho conjunto e interagências da FAA com outras forças aéreas para responder às ocorrências de ajuda humanitária?

Brig Amrein: A ajuda humanitária é vista em nossa Força Aérea como uma missão complementar, e é de suma importância para nosso governo. Quero destacar que com o novo enfoque do SICOFAA podemos partir em auxílio aos países que têm problemas com desastres naturais e podemos fazê-lo imediatamente com nossos recursos. Por sua característica, o recurso aéreo é o que funciona com mais rapidez para ajudar a transportar cargas, pessoas e a realizar ações de ajuda humanitária em geral aos países necessitados.

Diálogo: Como a FAA se prepara para a dar assistência em casos de desastres naturais?

Brig Amrein: A FAA orientou acima de tudo o planejamento e o exercício do nosso adestramento e engajamento para atuar em caso de ajuda humanitária. A FAA vem realizando exercícios virtuais, a cada dois anos, denominados Cooperação, que planejam a participação de nossas forças em ajuda humanitária. A FAA também desenvolveu um software que permite trabalhar a questão da ajuda humanitária. Temos também cursos de Estado-Maior combinados para ajuda humanitária, que são realizados em nosso país e que faremos de forma itinerante através de um acordo com a Academia Interamericana das Forças Aéreas.

Diálogo: A FAA está em um processo de reequipamento e modernização de sua frota aérea. Quais os avanços realizados até o momento?

Brig Amrein: O novo governo [do presidente Mauricio Macri] nos possibilitou iniciar a modernização da nossa frota, uma substituição de equipamentos que vinha sendo postergada. Priorizamos a formação de nossos aviadores e, por isso, a primeira aquisição foi a incorporação dos aviões Texan II dos Estados Unidos, que já começaram a operar em nosso país. Estamos em um processo de modernização dos aviões C-130, com algumas inovações e a remoção de obsolescências, o que já está em pleno processo. Três dos cinco aviões com previsão de mudanças já foram modernizados, isso em cooperação e através do programa de Vendas Militares ao Exterior [do Departamento de Defesa] dos EUA. Este ano também adquirimos quatro helicópteros Bell 412.

Diálogo: Quais os avanços obtidos com os veículos aéreos não-tripulados (VANTs) para as operações de vigilância, controle e busca e resgate realizadas pela FAA?

Brig Amrein: O nosso país decidiu avançar nessa área através da pesquisa e desenvolvimento dos VANTs. A FAA é pioneira nisso, embora também haja desenvolvimento semelhante no Exército e na Marinha argentinos. Progredimos satisfatoriamente em veículos classes I e II, que já estão operando e na fase final de certificação.

Diálogo: Qual é o tipo de colaboração internacional existente entre a FAA e a Força Aérea dos EUA?

Brig Amrein: Temos com a Força Aérea dos EUA, historicamente – além da relação que implica estar no SICOFAA – uma infinidade de intercâmbios que vêm sendo desenvolvidos desde a criação das forças, já como elementos independentes nos anos 1940. Quero ainda destacar atualmente o Programa de Associação Estadual [da Guarda Nacional/Departamento de Defesa dos EUA] com a Guarda Nacional Aérea do estado da Geórgia, que acabou de ser assinado no ano passado [2017]. Creio que essa associação seja muito importante para a nossa cooperação e nossa integração com os EUA.

Diálogo: A 1ª Brigada Aérea El Palomar da FAA foi condecorada durante a CONJEFAMER. Qual o motivo dessa condecoração?

Brig Amrein: Geralmente fazemos uma seleção anual das unidades aéreas merecedoras dos prêmios de segurança e prevenção de acidentes no âmbito do SICOFAA. A 1ª Brigada Aérea, que é a brigada principal que trata dos aviões C-130, teve um desempenho muito bom nos anos de 2017 e 2018, e foi merecedora dessa condecoração por dois anos consecutivos. Essa brigada já computou mais de 3.000 horas de voo com essas aeronaves em atividades realizadas na Antártida e outras ações operacionais, e dispõe de aviões modernizados que demonstraram toda a capacidade de nossos membros de atuar de acordo com os padrões máximos de segurança.

Diálogo: Quais ações de cooperação a FAA realiza com os países vizinhos para reduzir as operações do crime organizado transnacional?

Brig Amrein: Há alguns anos nossos países e nossas forças, especificamente, têm normas binacionais de intercâmbio de informações para a ocorrência de voos ilícitos, o que é de nossa responsabilidade. Temos essas normas com o Uruguai, com o Paraguai e com o Brasil e, brevemente, faremos um acordo também com a Bolívia, já que esses são os países limítrofes nas regiões mais preocupantes quanto a essa problemática de voos ou vetores aéreos considerados irregulares. Essas normas binacionais permitem o compartilhamento de informações de todo o trânsito irregular detectado em um país e que pretenda ultrapassar a fronteira com outro; em seguida, sob um protocolo, a informação é transferida imediatamente para que dessa maneira seja possível antecipar, detectar e interceptar, quando for necessário.

Diálogo: Quais os resultados dessas ações de cooperação internacional?

Brig Amrein: Obtivemos resultados positivos. Geralmente trabalhamos ano a ano com exercícios, mas em situação real essa transferência de informações é realizada cotidianamente, sobretudo com o Brasil e com o Uruguai, já que são países chaves para o exercício do controle do espaço aéreo.

Diálogo: Como é realizado o trabalho conjunto e combinado entre as Forças Armadas da Argentina?

Brig Amrein: Uma das políticas de estado é a integração e a ação militar conjunta das três forças armadas do nosso país. Sem dúvida alguma, as questões principais atuais giram em torno do apoio logístico às forças de segurança nos problemas que elas enfrentam para manter o controle do narcotráfico, do tráfico de pessoas e de todas as questões em pauta na agenda. No entanto, temos diretrizes precisas para avançar nos treinamentos e nas operações combinadas com as forças armadas dos países amigos e parceiros, conforme as prioridades estratégicas estabelecidas pela política exterior do país.

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