Argentina e Chile realizam exercício combinado na Antártida

O exercício anual tem como objetivo preparar ambas as nações para uma eventual emergência em áreas distantes das bases do continente branco.
Juan Delgado/Diálogo | 2 outubro 2018

Relações Internacionais

Unidades dos exércitos da Argentina e do Chile formam as patrulhas de resgate no norte da Península Antártica para o exercício PARACACH 2018. (Foto: Comando Conjunto Antártico Argentino)

Durante 10 dias o norte da Península Antártica foi o cenário de um exercício combinado de resgate entre as forças armadas da Argentina e do Chile. Trata-se da Patrulha de Auxílio e Resgate Antártica Combinada Argentino-Chilena 2018 (PARACACH 2018), realizada entre os dias 20 e 30 de agosto, para integrar os membros dos exércitos de ambos os países, com a finalidade de melhorar as capacidades de resposta frente a emergências de resgate no continente branco.

Sob a coordenação do Comando Conjunto Antártico do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina e do Estado-Maior Conjunto do Chile, os participantes realizaram atividades de emergências antárticas, como o planejamento de busca e resgate, navegação, recuperação de feridos e primeiros socorros. Além disso, efetuaram marchas sobre os glaciares e o mar congelado e uma coordenação de comunicações via rádio.

“É uma experiência muito enriquecedora do ponto de vista profissional”, disse à Diálogo o Major do Exército da Argentina Leonardo Martín Sakamoto, chefe da Base Esperanza da Antártida argentina. “Com a realização do exercício no terreno em tempo real e trabalhando sob condições extremas, [o exercício] é muito importante para o treinamento da patrulha.”

O objetivo foi verificar e incrementar as capacidades dos militares em operações de resgate na Antártida. O PARACACH 2018 também procurou fortalecer a cooperação e os laços de amizade entre os dois países para que eles possam enfrentar juntos os cenários de emergência no deserto branco inóspito.

“O objetivo principal foi formar a patrulha combinada de maneira permanente para responder em um tempo mínimo de reação ao chamado de urgência de qualquer base estrangeira”, explicou o Maj Sakamoto. “O importante é poder homologar técnicas de resgate de feridos que caíram em fendas profundas e a utilização dos equipamentos especiais para a recuperação das pessoas atingidas.”

Longo percurso

A patrulha foi formada por 14 homens de ambos os países e 13 motos de neve com os respectivos trenós. Os participantes pertencem à Base Esperanza e à Base O’Higgins da Antártida chilena, que operam durante o ano inteiro.

“Para as Forças Armadas do Chile, é muito importante realizar esse tipo de exercício com a Argentina, já que ele permite a homologação dos procedimentos que possibilitarão uma reação mais veloz”, disse o Capitão do Exército do Chile René Salgado, comandante da Seção de Exploração e Resgate O’Higgins. “Ficou evidente a capacidade conjunta dos meios de resgate que podem atuar sob condições climáticas extremas em qualquer época do ano.”

Sob temperaturas de -20º C e fortes ventos gelados, os integrantes da patrulha partiram da base O’Higgins até o local do exercício, em Bahía Dusse, próxima à Base Esperanza, para efetuar o resgate fictício de um cientista acidentado que caiu em uma fenda profunda. Depois de um percurso de quase 50 quilômetros sobre glaciares e mar congelado, os militares alcançaram seu objetivo com o apoio de uma aeronave DHC-6 Twin Otter da Base Marambio da Antártida argentina, que efetuou uma evacuação aérea em tempo real.

A patrulha combinada realiza uma operação simulada de resgate de um cientista preso em fendas antárticas, como parte do exercício PARACACH 2018. (Foto: Comando Conjunto Antártico Argentino)

O exercício terminou com uma sessão informativa para compartilhar as lições aprendidas e aplicar a experiência dos participantes, para que possam ser compartilhadas com as futuras equipes antárticas. “Esse exercício foi um sucesso completo e evidenciou o excelente estado operacional dos meios humanos e materiais”, afirmou o Cap Salgado.

Desafios da Antártida

Os trabalhos de resgate na Antártida sempre foram um desafio na ocorrência de qualquer tipo de acidente ou necessidade de evacuar pessoal ou material. As bases locais precisam desenvolver e administrar planos de contingência frente às possíveis emergências, além de realizar treinamentos frequentes.

Considerando o seu papel preponderante na região, os governos da Argentina e do Chile decidiram unir seus esforços e coordenar exercícios conjuntos entre as bases Esperanza e O’Higgins. O resultado disso foi a criação do PARACACH.

O exercício anual é realizado no âmbito dos acordos bilaterais entre a Argentina e o Chile e o tratado de Maipú de Integração e Cooperação de 2009. Tem o reforço na Declaração Conjunta dos ministros da Defesa do Chile e da Argentina de 2014, que busca, entre outros, aprofundar a cooperação em assuntos antárticos.

Laços de amizade

“Acima de tudo, existe uma estreita relação entre as bases O’Higgins e Esperanza que resulta no planejamento e na execução anual do PARACACH”, disse o Cap Salgado. “Além disso, há também a base argentina Marambio, que nos fornece informações meteorológicas de vital importância para a execução das explorações.”

As unidades das bases O’Higgins e Esperanza continuarão realizando exercícios individuais e aperfeiçoando seus procedimentos de preparação para o PARACACH 2019. O exercício também cria as condições para um melhor conhecimento do terreno na zona norte da Península Antártica.

“Com a realização do PARACACH incrementamos a preparação e a colaboração entre ambas as nações, para que possamos efetuar as operações de resgate e trocar experiências”, concluiu o Maj Sakamotto. “Ele fortalece os laços de camaradagem entre o pessoal argentino e chileno, com o objetivo de aplicar toda a experiência adquirida.”

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