Argentina, Brasil e Uruguai realizam Jogo de Guerra Trilateral 2018

As marinhas dos três países se reuniram em Buenos Aires para um exercício que simulou o emprego de uma força combinada na região.
Eduardo Szklarz/Diálogo | 18 maio 2018

Relações Internacionais

Oficiais das marinhas da Argentina, do Brasil e do Uruguai participaram do Jogo de Guerra Trilateral 2018, realizado de 9 a 13 de abril, na Escola de Guerra Naval da Marinha Argentina, em Buenos Aires. (Foto: Marinha Argentina)

Autoridades das marinhas da Argentina, do Brasil e do Uruguai elevaram seu nível de interoperabilidade com o Jogo de Guerra Trilateral 2018. Realizado de 9 a 13 de abril, o exercício reuniu 21 oficiais dos três países nas instalações da Escola de Guerra Naval (ESGN), em Buenos Aires.

“O Jogo de Guerra Trilateral envolve a execução de operações militares em um entorno geográfico onde é relevante o emprego de forças navais, sob o mandato do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e de acordos regionais”, informou à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha da Argentina Gustavo Principi, chefe da Área de Cursos e Jogos de Guerra da ESGN.

Cada edição do jogo simula uma situação de crise internacional para pôr à prova a cooperação entre as marinhas frente a temas de interesse comum. “Nesta edição de 2018, a ênfase foi no emprego de uma força multinacional em atividades como proteção de bacias petrolíferas, manutenção da segurança marítima ante ameaças convencionais e não-convencionais, assistência humanitária e restabelecimento da normalidade numa região conflagrada”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Rodrigo Metropolo Pace, encarregado do Centro de Jogos de Guerra da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil.

País fictício

O exercício girou em torno de um país fictício da América do Sul, situado em uma zona de intenso tráfego marítimo e com ampla variedade de atividades produtivas. Esse país seria foco de “ameaças extra regionais” vinculadas à depredação dos recursos naturais, a prejuízos à exploração de petróleo e à poluição do meio ambiente.

“Trata-se de ameaças fictícias, sem relação direta com a realidade de outros países ou com grupos criminosos existentes”, esclareceu o CMG Pace. “O importante para o jogo é avaliar os procedimentos de reação às ameaças.”

Coube ao país anfitrião, a Argentina, elaborar os documentos que detalhavam as características da área de operações e os fatos que motivaram a criação de uma força naval multinacional, composta pelos participantes do jogo. Isso envolveu o estudo de memorandos de entendimento e resoluções de organismos internacionais.

Em seguida, os participantes foram divididos em grupos com distintos níveis decisórios estratégicos e operacionais. Cada grupo decidia os movimentos a fazer à medida que o cenário evoluía.

“As respostas das equipes eram analisadas pela direção do exercício e logo se passava à fase seguinte”, explicou o CMG Principi. Cada mudança da situação inicial deveria ser analisada à luz do direito internacional, com a aplicação das leis correspondentes e dos convênios relacionados a situações de crise no mar. “No último dia, cada país apresentou suas conclusões para melhorar o nível de interoperabilidade das forças navais combinadas e a confiança mútua no marco da segurança internacional”, afirmou.

Intercâmbio militar e diplomático

Segundo os participantes, o Jogo de Guerra Trilateral foi uma ótima oportunidade de se exercitarem para uma eventual ação conjunta. “Ele permitiu uma familiarização com as leis, doutrinas e restrições de cada Estado, ao operarmos sob a égide de organismos internacionais”, disse o CMG Pace.

O oficial brasileiro lembrou que as decisões dos grupos precisaram levar em conta a realidade de cada país, assim como os instrumentos legais nacionais e internacionais. “Desse modo, tivemos debates produtivos nos aspectos políticos, diplomáticos, militares e econômicos, buscando o consenso tanto no nível estratégico como no operacional”, acrescentou o CMG Pace.

O CMG Principi ressaltou a importância do jogo para a interação entre as escolas de guerra naval dos três vizinhos sul-americanos. “Esse tipo de atividade possibilita um fórum de diálogo acadêmico para a troca de ideias e conhecimentos”, afirmou. “Isso fortalece as bases de entendimento mútuo entre Argentina, Brasil e Uruguai para a análise e a solução de crises internacionais, nas quais seja prioritária a formação de uma força combinada.”

Ferramenta útil

Segundo o CMG Pace, o Jogo de Guerra Trilateral tem outra grande vantagem: é uma ferramenta útil e de baixo custo para a capacitação de oficiais nesse tipo de atividade. “O exercício permite a troca de experiências entre as marinhas participantes e a aproximação de seus militares, reforçando os laços de amizade entre os países”, declarou. “A participação da Marinha do Brasil nesse tipo de evento representa uma excelente oportunidade para exercitar o trabalho no âmbito de uma força multinacional, constituída por marinhas irmãs do continente sul-americano, familiarizando-se com as suas doutrinas, tendências e as visões de cada Estado”, completou.

O Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha do Uruguai Alejandro Chucarro também elogiou a iniciativa. “As doutrinas entre as marinhas participantes têm pontos de contato, mas são diferentes. Por isso, trabalhar nesses grupos trinacionais nos abre a possibilidade de realizar intercâmbios”, disse na abertura do evento, de acordo com a Divisão de Comunicação da Marinha Argentina. “O jogo é muito importante não só no âmbito profissional, mas também pessoal, pois esse intercâmbio entre oficiais de uma mesma hierarquia nos permite conhecer pessoas que agem da mesma forma”, concluiu o CMG Chucarro.

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