Argentina fortalece seu sistema de radares para G20

Os novos sensores serão vitais para a segurança da cúpula de líderes mundiais, a ser realizada no fim de 2018 em Buenos Aires.
Eduardo Szklarz/Diálogo | 21 junho 2018

Capacitação e Desenvolvimento

O radar MTPS-43, de longo alcance, será atualizado para garantir a vigilância aeroespacial da Argentina durante o G20. (Foto: Força Aérea Argentina)

A Argentina está reforçando seu sistema de radares para garantir a vigilância aeroespacial durante a Cúpula de Líderes do G20, prevista para 30 de novembro e 1º de dezembro de 2018, em Buenos Aires. O país vai renovar os radares MTPS-43 e TPS-43, de longo alcance, e fabricar o RAM-2, um radar de médio alcance.

A iniciativa integra um amplo processo de desenvolvimento e instalação de sensores por meio de contratos firmados entre a Força Aérea Argentina (FAA) e o Instituto de Pesquisas Aplicadas (INVAP, em espanhol), uma empresa nacional de alta tecnologia. Até agora, a prioridade para a instalação de radares havia sido a fronteira norte, onde atuam redes de narcotráfico e tráfico de pessoas. Contudo, com a aproximação da cúpula do G20, que reunirá os representantes dos principais países do mundo em Buenos Aires, o Ministério da Defesa da Argentina decidiu fortalecer a vigilância também ao redor da capital.

“Já contamos com um radar operacional na cidade de Merlo [a cerca de 40 quilômetros de Buenos Aires], porém seu raio de cobertura é limitado. Para o G20, vimos a necessidade de oferecer vigilância e controle aeroespacial em toda a província de Buenos Aires”, disse à Diálogo o Coronel Carlos Marcelo Villa, diretor de Sensores Radar da Diretoria Geral de Material da FAA. “Com mais três radares móveis, teremos capacidade suficiente para garantir uma defesa aeroespacial integral”, concluiu.

Juan Belikow, professor de Relações Internacionais da Universidade de Buenos Aires, disse à Diálogo que os radares serão de suma importância para a segurança do evento. “Há chefes de Estado que não viriam ao país sem a garantia desse requisito, que, por outro lado, é obrigatório para qualquer sede do G20”, afirmou Belikow. “Esses equipamentos também serão fundamentais para a luta contra o narcotráfico e o contrabando de outros bens ilícitos na região.”

Os três radares

O desenvolvimento dos radares argentinos inclui dois processos: atualização e modernização. “Atualizar é quando há um componente e é feita uma melhora nesse mesmo componente. É o que chamamos de um upgrade”, explicou o Cel Villa. “Modernizar é quando o componente é trocado por algo que desempenha uma função mais moderna.” Nesse sentido, o Ministério da Defesa da Argentina e a FAA decidiram contar com os seguintes radares para o G20:

• Um radar móvel MTPS-43, de 1978, 3D (azimute, distância e altura) e de longo alcance (200 milhas náuticas ou 360 km). Esse aparelho já havia sido modernizado e estava em operação na província de Chaco, no norte argentino. O INVAP vai atualizá-lo.

• Um radar móvel TPS-43, também de 1978, 3D e de longo alcance, que não estava em operação. “Vamos modernizar esse radar e convertê-lo em um MTPS-43, ou seja, os dois radares ficarão iguais”, disse o Cel Villa.

O Radar de Médio Alcance Experimental serviu para o desenvolvimento do modelo RAM-2, que será usado para garantir a vigilância aeroespacial durante o G20 em Buenos Aires. (Foto: Força Aérea Argentina)

• Um radar móvel RAM-2, 3D e de médio alcance (170 milhas náuticas ou 306 km). Esse é um radar novo, que está em desenvolvimento.

“Como especialista em radares, posso dizer que esses sensores têm características semelhantes às dos internacionais. A Argentina conseguiu autonomia no desenvolvimento desses sistemas”, afirmou o Cel Villa. “Além disso, 70 por cento dos componentes são da indústria nacional.”

Localizados em lugares estratégicos, os três aparelhos fornecerão uma cobertura integral sobre a província de Buenos Aires. “Não vai haver nenhum meio que entre no espaço aéreo da província sem que seja visto por esses radares”, assinalou o oficial. “Depois do G20, o radar MTPS-43 voltará ao Chaco e os outros dois com certeza vão contribuir para a segurança aeroespacial do norte do país.”

Os prazos de modernização, atualização e fabricação oscilam entre sete e 10 meses a partir do momento da assinatura do contrato. “A meta é a de ter um radar em agosto, outro em setembro e o terceiro em outubro”, esclareceu o Cel Villa. “Estamos trabalhando muito rápido com o INVAP, tratando de minimizar os riscos para cumprir esses objetivos.”

Centro de coordenação

A FAA destacou o trabalho interagencial que será desenvolvido durante o G20. “Temos a responsabilidade fundamental da vigilância e do controle aeroespacial. Também fornecemos essas informações às forças de segurança para que realizem as tarefas de sua competência”, esclareceu o Cel Villa.

O oficial lembrou que haverá um centro de coordenação para a defesa aérea trabalhando lado a lado com um centro semelhante para a defesa terrestre. Ambos estarão em contato permanente com as forças de segurança.

Os novos radares farão parte do Sistema Nacional de Vigilância e Controle Aeroespacial (SINVICA), que busca alcançar cobertura aérea e marítima sobre todo o território argentino. “O SINVICA é um programa ambicioso, com uma grande quantidade de radares por toda a extensão do país”, completou o Cel Villa.

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