Argentina e Chile realizam exercício anual combinado INALAF 2017

As marinhas dos dois países intensificaram sua cooperação para atuar perante cenários de crise.
Eduardo Szklarz/Diálogo | 21 setembro 2017

Relações Internacionais

Fuzileiros navais das marinhas da Argentina e do Chile simularam um resgate de reféns durante o Exercício combinado INALAF 2017. (Foto: Marinha da República Argentina)

Cerca de 300 militares da Marinha da Argentina e do Chile realizaram o Exercício combinado INALAF 2017, de 12 a 14 de julho, na Base de Fuzileiros Navais Baterías, na província de Buenos Aires. Os participantes destacaram a importância do exercício para o intercâmbio bilateral e a segurança da região.

Militares argentinos e chilenos realizaram práticas de evacuação aérea e descida rápida por corda no Exercício combinado INALAF 2017, utilizando helicópteros da Marinha Argentina. (Foto: Marinha da República Argentina)

“O objetivo fundamental do Exercício INALAF 2017 foi o aprofundamento da relação entre ambas as marinhas”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Luis Mariano Giorgi, comandante da Força de Fuzileiros Navais da Frota de Mar (FAIF, por sua sigla em espanhol) da Argentina. O treinamento contou com a participação de integrantes da Companhia nº 312 de Fuzileiros da Marinha do Chile e de fuzileiros navais pertencentes ao Batalhão de Fuzileiros Navais Nº 2 (BIM2, por sua sigla em espanhol) da Argentina.

Resgate e traslado

Antes da prática, os efetivos realizaram um minucioso planejamento em terra. “Como em qualquer operação anfíbia, exigiu-se um planejamento detalhado que incluiu o embarque de tropas, seu desembarque, as operações em terra e os apoios do mar para essas operações, até finalmente o reembarque”, afirmou o CMG Giorgi. Depois, com o apoio naval do navio ARA Puerto Argentino, os efetivos simularam uma situação de crise, frente à qual tiveram de realizar uma incursão anfíbia para defender a costa na praia de Baterías.

“A situação simulada consistiu na imposição de uma missão que envolvia o resgate de funcionários da Organização das Nações Unidas, reféns de uma força hostil”, disse o CMG Giorgi. “Para alcançar esse objetivo, foi preciso desembarcar tropas de Fuzileiros Navais com a capacidade de resgatar o pessoal e transportá-lo para um lugar seguro.”

A incursão compreendeu o desembarque coordenado das tropas de fuzileiros navais por superfície e por helicóptero. Os militares resgataram os reféns e os transportaram para uma zona segura. “A operação foi realizada nos tempos planejados e a missão foi concluída”, avaliou o CMG Giorgi.

Práticas de evacuação

Durante o INALAF 2017, fuzileiros navais do Chile e da Argentina simularam uma incursão anfíbia e o resgate de funcionários das Nações Unidas. (Foto: Marinha da República Argentina)

Os fuzileiros navais argentinos e chilenos também realizaram exercícios de evacuação aérea, utilizando helicópteros Sea King da Segunda Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros da Marinha Argentina. “Entre outras atividades a bordo, efetivos do BIM2 desenvolveram descida rápida por corda [a partir da aeronave] sobre a cobertura do navio ARA Olivieri de forma suspensa (corda rápida)”, informou o Ministério de Defesa da Argentina em um comunicado de 20 de julho.

“Essas técnicas compõem a especificidade de todo fuzileiro naval”, completou o CMG Giorgi. O adestramento foi finalizado com exercícios na Pista de Combate Urbano do Centro de Instrução e Adestramento dos Fuzileiros Navais, nos quais os militares praticaram técnicas de movimentação individual dentro e fora de prédios.

Integração completa

Realizado anualmente, o exercício INALAF já é um símbolo da cooperação entre os militares argentinos e chilenos. Inalaf significa “junto ao mar” no idioma mapuche (também conhecido como mapudungún), falado pelos povos indígenas que habitam esses dois países sul-americanos.

“Sem dúvida, essa é uma experiência inesquecível”, afirmou o Segundo-Tenente da Marinha do Chile Eduardo Rioseco Carvallo, em declarações ao portal Gaceta Marinera, da Marinha Argentina. “A gente vai aprendendo cada dia um pouco mais; como dizemos no Chile: vamos carregando coisas na mochila”, disse o 2º Ten Carvallo.

Para o CMG Giorgi, a edição 2017 também foi muito positiva. “Conseguiu-se a integração completa da fração dos Fuzileiros Navais do Chile participante, por meio da prática planejada de uma série de técnicas comuns”, afirmou. Em sua opinião, a iniciativa é de suma importância para o intercâmbio militar entre Argentina e Chile. “O exercício INALAF, em suas distintas edições, permitiu o conhecimento mútuo e o trabalho cooperativo entre fuzileiros navais e membros de ambas as marinhas”, assinalou. “É uma ferramenta valiosa que aproxima as nossas instituições e ao mesmo tempo permite o intercâmbio de experiências operacionais valiosas e a visão, a partir de perspectivas diversas, de situações operacionais desafiadoras.”

“A partir das práticas já há uma linguagem comum e a primeira aproximação é trabalhar com pessoas que possuem os mesmos desafios. Isso faz com que, definitivamente, seja inevitável integrar-se e gerar comunicação empática”, acrescentou o CMG Giorgi. Além disso, relembrou que esse é um dos inúmeros adestramentos na agenda anual das forças armadas da Argentina e do Chile. “Outro âmbito onde se replica a cooperação é a operação combinada Cruz del Sur”, observou.

Por sua vez, o Ministério de Defesa da Argentina enfatizou a relevância da iniciativa. “Além de terem grande importância a nível operacional, os exercícios combinados com marinhas vizinhas servem para o intercâmbio cultural e social, que fortalece os laços de amizade entre as nações irmãs”, concluiu.

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