Forças aéreas das Américas: prontas para responder a catástrofes

Países membros do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas realizaram o exercício de ajuda humanitária Cooperação VI.
Juan Delgado/Diálogo | 2 maio 2019

Relações Internacionais

Oficiais dos países membros do SICOFAA enfrentaram um cenário virtual de catástrofe durante o exercício Cooperação VI, realizado em Mendoza, Argentina. (Foto: Força Aérea Argentina)

Entre os dias 3 e 12 de abril, a 4ª Brigada Aérea da Força Aérea Argentina (FAA), localizada na província de Mendoza, sediou o exercício de ajuda humanitária Cooperação VI. Treze países membros do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) participaram do treinamento virtual internacional.

O objetivo do exercício foi padronizar os procedimentos das forças aéreas participantes diante de um eventual desastre natural na região. Além disso, o treinamento permitiu integrar as capacidades dos participantes e fortalecer o planejamento e a execução de operações aéreas.

Delegações das forças aéreas da Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai coordenaram seus esforços no Cooperação VI. Um total de 120 oficiais participaram do exercício, que simulou um terremoto na região central colombiana de Magdalena Medio.

“A importância do Cooperação VI se fundamentou no fato de que todas as forças aéreas americanas se comprometeram a ajudar um país em uma emergência em caso de desastre natural”, disse o Brigadeiro da FAA Alejandro Maroni, diretor do exercício. “O meio aéreo é o primeiro a chegar, o mais eficiente e rápido para acessar uma área no caso de uma catástrofe.”

Fortalecer as capacidades

Com a finalidade de enfrentar o evento simulado, os participantes criaram um Estado-Maior combinado que permitiu empregar as doutrinas do SICOFAA e verificar sua coordenação e as capacidades de interoperabilidade. Os procedimentos de planejamento e execução incluíram operações de busca e resgate, observação do terreno e evacuação e transporte de vítimas, entre outras.

“O exercício se concentrou basicamente na ajuda humanitária e o objetivo foi pôr à prova as nossas capacidades através do uso dos meios aéreos de cada um dos países”, disse o Coronel da Força Aérea da República Dominicana Mario Rivas Días, secretário geral do SICOFAA. “Dessa forma, podemos fortalecer as nossas capacidades operacionais quando ocorra um evento ou desastre em um país. Estamos muito felizes por podermos desenvolver esse exercício em Mendoza, sempre preparados para poder responder no momento em que mais precisem de nós.”

Um total de 120 oficiais de 13 países membros do SICOFAA participaram do exercício virtual de ajuda humanitária Cooperação VI, realizado no início de abril de 2019. (Foto: Força Aérea Argentina)

Além de criar o Estado-Maior combinado, os participantes implementaram uma divisão legal para contar com o apoio dos advogados e assessores militares no desenvolvimento de operações complexas. Uma outra divisão consistiu na cooperação cívico-militar para manter um elo entre as diversas instituições militares, organizações não governamentais e a população civil. “As relações cívico-militares são importantes, porque é necessário relacionar-se com [todas] as organizações para atender a todas as solicitações e poder canalizá-las através do Estado-Maior implementado”, disse o Tenente-Coronel da Força Aérea Uruguaia Juan Pereyra, que fez parte da equipe de cooperação cívico-militar. 

Unidos e aliados

Para realizar suas tarefas, os oficiais utilizaram programas de informática, tais como o Módulo Unificado de Logística Aérea (MULA), um software de ajuda humanitária desenvolvido pela FAA. O programa é utilizado para planejar missões de voos e designar a carga e o transporte dos insumos necessários nas operações aéreas combinadas, em caso de catástrofes naturais ou entrópicas. O SICOFAA adotou o MULA para planejar tanto exercícios como operações reais.

O Cooperação VI permitiu que os participantes se preparassem para o exercício real do mesmo nome, que será realizado com plataformas aéreas dos países do SICOFAA em Rionegro, Colômbia, em 2020. O exercício Cooperação, que vem sendo realizado desde 2010, representa o novo enfoque operacional de ajuda humanitária diante de desastres do SICOFAA – o sistema conta com 21 países membros nas Américas. Os treinamentos permitem afinar as suas capacidades de respostas conjuntas em eventos reais.

Em 2017, o exercício Cooperação V, previsto para Puerto Montt, Chile, foi suspenso devido ao terremoto no México, para onde os recursos aéreos foram redirecionados, para oferecer assistência humanitária. No mesmo ano, o SICOFAA participou das operações humanitárias de resposta para as inundações no norte do Peru. Em 2018, o SICOFAA também apoiou os esforços da Guatemala após a erupção do vulcão de Fogo.

Segundo os participantes, o exercício virtual foi um sucesso total. “Foi uma experiência fantástica, trabalhamos arduamente para levar adiante as lições aprendidas que nos permitem continuar melhorando o sistema, como os níveis doutrinários que temos nos manuais e, de alguma forma, estarmos preparados e prontos para uma resposta eficiente quando for necessário”, disse o Tenente-Coronel da Força Aérea do Equador Xavier Coral.

Por sua parte, o Cel Díaz destacou o companheirismo demonstrado no Cooperação VI. “Foi um elemento fundamental, porque estreita os laços de fraternidade, amizade e cooperação”, concluiu o oficial. “Mostramos a sinergia de trabalho, todos em uma equipe, uma engrenagem, como um todo para que as operações sejam muito mais fáceis de desenvolver e sempre tendo em mente nosso lema: Unidos e Aliados.”

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