Brasil prepara contingente feminino para missões de paz da ONU

Brasil prepara contingente feminino para missões de paz da ONU

Por Taciana Moury / Diálogo
novembro 08, 2019

O Estágio de Operações de Paz para Mulheres disseminou conhecimentos sobre as operações de paz e como incentivar o aumento do voluntariado do contingente feminino nas missões.

A Marinha do Brasil (MB) realizou, entre 25 de setembro e 4 de outubro de 2019, o Estágio de Operações de Paz para Mulheres, em sua terceira edição. O curso reuniu 35 alunas, militares e civis, na Escola de Operações de Paz de Caráter Naval (EsOpPazNav), no Rio de Janeiro. A escola é responsável pela preparação dos militares da MB que participam de operações de paz conduzidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), ou das executadas em atendimento aos compromissos internacionais firmados pela MB.

Segundo a Capitão de Corveta da MB Márcia Andrade Braga, encarregada da EsOpPazNav, “além de palestras ministradas por militares do segmento feminino sobre as respectivas participações em missões da ONU, as alunas participam ainda de um treinamento prático das principais atividades desenvolvidas por militares desdobrados no terreno durante as missões”.

Temas abordados

A Escola de Operações de Paz de Caráter Naval da Marinha do Brasil recebeu 35 mulheres, militares e civis, durante o Estágio de Operações de Paz para Mulheres. (Foto: Marinha do Brasil)

Durante o estágio foram discutidos temas como: a estrutura da ONU e das missões de paz; valores e princípios adotados pela ONU; proteção de civis; proteção de crianças; a agenda Mulheres, Paz e Segurança; reconhecimento de armamentos; e cuidados com a saúde em áreas de conflito.

A EsOpPazNav promove o Estágio de Operações de Paz para Mulheres duas vezes por ano, uma vez por semestre. A primeira edição foi realizada em dezembro de 2018. “O treinamento de um contingente feminino é fundamental para aumentar o número de mulheres militares nas missões de paz da ONU”, destacou a CC Márcia.

Segundo a ONU, a presença feminina nas missões é, em média, de 4 por cento, incluindo observadores militares, equipe de pessoal e contingentes. “O objetivo da ONU era de 15 por cento e a ideia é ampliar para até 30 por cento”, disse a CC Márcia. “É uma luta, mas pouco a pouco os países contribuidores de tropa estão começando a se preparar.”

A oficial da MB, que foi a primeira brasileira a receber o prêmio Defensora Militar da Igualdade de Gênero da ONU, por seu trabalho como assessora militar de gênero na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA, em francês), nos anos de 2018 e 2019, ressaltou a importância da presença feminina nas áreas de conflito, principalmente na interação com a comunidade.

“As mulheres ajudam a construir um elo de confiança com a força desdobrada no terreno”, afirmou a CC Márcia. “Facilitam ainda na compreensão das necessidades especiais de mulheres e meninas, favorecendo o relato dos casos de violência sexual relacionada ao conflito, violação tão comum em diversas missões da ONU.”

“Durante minha missão na MINUSCA, procurei ficar o mais próximo possível da comunidade local para conhecer o trabalho dos diferentes grupos e como o conflito afetava cada um deles”,finalizou a CC Márcia.

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