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Versão oficial da morte na prisão de ex-ministro da Defesa da Venezuela posta em dúvida

Versão oficial da morte na prisão de ex-ministro da Defesa da Venezuela posta em dúvida

Por Diálogo
novembro 17, 2021

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As Nações Unidas, organizações de direitos humanos internacionais, como a Anistia Internacional, e os Estados Unidos exigiram o esclarecimento da morte na prisão do ex-ministro da Defesa da Venezuela, General de Exército (R) Raúl Isaías Baduel. O procurador geral venezuelano Tarek William Saab anunciou, no dia 12 de outubro, em sua conta no Twitter, a morte de Baduel, aos 66 anos, por uma parada cardiorrespiratória, em consequência da COVID-19.

Familiares de Baduel, que estava detido há mais de uma década, contestaram a versão oficial, garantindo que ele não havia contraído o vírus e que a morte foi consequência da falta de assistência médica, disse à Diálogo Andreína Baduel, sua filha. Baduel morreu na prisão El Helicoide, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), em uma cela compartilhada com seu filho, Josnars Adolfo Baduel, que foi detido em maio de 2020 com um grupo de militares dissidentes venezuelanos.

No mesmo dia do anúncio de sua morte, a diretora da Anistia Internacional para as Américas, Erika Guevara-Rosas, exigiu que os fatos fossem esclarecidos. “Raúl Baduel morre sob a custódia do Estado, dias depois de sua família ter denunciado sua transferência para El Helicoide e sem qualquer notificação sobre sua saúde. O Gen Ex Baduel passou anos detido em condições desumanas”, disse Guevara-Rosas no Twitter.

No dia 14 de outubro, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, solicitou um estudo independente, durante uma entrevista coletiva em Washington, para “confirmar as verdadeiras causas da morte” do general. “A recente morte do preso político venezuelano Raúl Baduel lembra ao mundo as deploráveis e perigosas condições que enfrentam os presos políticos sob a custódia do regime de Maduro”, disse Price.

Em uma declaração publicada nesse mesmo dia, a Missão Internacional Independente das Nações Unidas para Esclarecimento de Fatos sobre a República Bolivariana da Venezuela solicitou ao regime venezuelano que “realizem uma investigação exaustiva, transparente e independente sobre a causa da morte, e que os resultados sejam compartilhados com a família do Gen Ex Baduel”.

A possibilidade de que as doenças do general tivessem um desenlace fatal tinha sido alertada por seu círculo familiar. Segundo Andreína Baduel, quando o transferiram para o Helicoide do centro de detenção de segurança máxima conhecido como La Tumba, ele foi autorizado a gravar uma mensagem de prova de vida, com o objetivo de mitigar as queixas sobre um possível desaparecimento forçado.

“No dia 2 de outubro, nós recebemos a gravação, e então soubemos que sua saúde estava em franca deterioração”, disse.Ela lembrou que ele se queixava das sequelas de uma cirurgia à qual havia sido submetido no dia 23 de dezembro de 2020, quando lhe retiraram uma hérnia. “Ele precisava de assistência médica pós-cirúrgica e não a recebeu”, afirmou.

Segundo Andreína Baduel, diante do escândalo suscitado por uma nova morte sob custódia, o SEBIN tentou que Josnars Baduel gravasse um testemunho atribuindo o falecimento de seu pai à COVID-19, mas ele se negou.

Do topo ao fosso

Baduel chegou ao topo da estrutura militar venezuelana, após a crise política de abril de 2002. O então presidente Hugo Chávez o reconheceu como o artífice da operação que o transferiu da base naval de La Orchila até Caracas, para ser reconduzido ao poder. Em junho de 2006, Chávez o promoveu à patente de general em chefe e o nomeou ministro da Defesa, cargo que ocupou até a sua reforma, em julho de 2007.

Ao finalizar sua carreira militar, Baduel se distanciou de Chávez, a ponto de em 2008 ter feito campanha contra ele durante o referendo para a aprovação do projeto de uma nova Constituição, uma votação onde o oficialismo perdeu.

Baduel foi detido em duas oportunidades. Em 2009, o acusaram de instigação à rebelião e ele ficou preso até 2015. Dois anos depois, seria privado novamente de sua liberdade por ordens de Nicolás Maduro.

Segundo a ONG venezuelana de direitos humanos Foro Penal, Baduel foi o décimo preso por motivos políticos que faleceu enquanto permanecia sob a custódia das autoridades. Na mesma lista figura outro militar: o Capitão de Fragata Rafael Acosta Arévalo, morto em junho de 2019, devido às torturas infligidas por seus captores da Direção de Contrainteligência Militar.

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