Navio hospital americano traz alívio à Nicarágua

USNS Hospital Ship Brings Much-Needed ‘Comfort’ to Nicaragua

Por Dialogo
junho 30, 2011




SAN JUAN DEL SUR, Nicarágua — Depois de mais de três anos convivendo com a catarata, o agricultor José Martinez, cujo rosto mostra os sinais de uma longa vida de trabalho honesto sob o sol escaldante da Nicarágua, estava começando a perder as esperanças de voltar a enxergar com nitidez.
Então, quando o navio hospital USNS Comfort ancorou na baía de San Juan del Sur, foi literalmente um alívio para os olhos sofridos do nicaraguense de 79 anos.

“Eles cuidaram muito bem de mim. Não acho que haja outro lugar na Nicarágua que cuide tão bem de seus pacientes”, elogiou Martínez, enquanto convalescia em uma sala de recuperação bem arrumada a bordo do antigo superpetroleiro de 894 pés convertido em hospital naval da classe Mercy em meados dos anos 80. “Estou muito grato e feliz por tudo.”
O entusiasmo de Martínez é compartilhado por outros a bordo do Comfort, que passou uma semana no final de junho atendendo às necessidades médicas de milhares de nicaraguenses e fazendo cirurgias gratuitas em mais de uma dezena de pacientes por dia.

Desde as primeiras horas da manhã, pacientes de San Juan del Sur — capital do departamento de Rivas — e de várias cidades adjacentes formaram fila na clínica médica na esperança de serem atendidos por médicos ou enfermeiros americanos, muitos dos quais acompanhados por intérpretes locais.
Os que precisavam de procedimentos mais simples e sem necessidade de acompanhamento foram transportados pelas águas agitadas até o navio hospital para cirurgias e repouso pós-operatório. Os beneficiários dos serviços de saúde gratuitos elogiaram a missão humanitária dos EUA pela sua organização, eficácia e cordialidade.

“Eles me trataram excelentemente”, elogiou Gabriela Gómez, 35 anos, de volta a terra depois de passar por uma cirurgia de vesícula a bordo do Comfort.
Gabriela contou que esperava há 6 meses pela cirurgia. Ela confessou que temia fazer a cirurgia na clínica em sua cidade, San Jorge, e não tinha condições de pagar US$ 1.000 (R$ 1.600) pelo procedimento em um hospital particular em Manágua.
Além de ajudar milhares de pacientes, ressaltou Gabriela, o Comfort ainda proporcionou um excelente serviço ao sobrecarregado sistema público de saúde, onde o tempo de espera por cirurgias e cuidados especializados pode levar meses a fio.
“Foi um privilégio para mim ter tido uma oportunidade como essa, pois aqui nos hospitais públicos leva um longo tempo para conseguir ser operado", contou. “E é uma oportunidade para o sistema de saúde também, pois o navio hospital ajuda a reduzir a lista de espera de pacientes.”

Bayardo Antonio Tenorio, um agricultor aposentado de 71 anos que foi submetido à cirurgia de catarata a bordo do Comfort, disse que a missão médica dos EUA foi uma dádiva de Deus a pessoas como ele, “que não tem o dinheiro para pagar por uma operação.”
Tenorio contou que o tratamento individual que recebeu da equipe médica dos EUA foi “excelente” e que gostou que os médicos lhe explicaram o procedimento de antemão. O agricultor de fala mansa disse ainda que estava feliz em saber que a missão norte-americana não faz distinção política, como às vezes ocorre em outras clínicas médicas nicaraguenses.
“Eles não perguntam a que partido você pertence, só perguntam qual é a doença que você tem”, brincou Tenorio. Além de oferecer cuidados médicos, a missão "Promessa Contínua" do Comfort — que visitará 9 países em seus cinco meses no mar — serve ainda como uma oportunidade de treinamento tático e estratégico para as forças armadas dos EUA.

“Se você observar o número de desastres que ocorreram ao longo do tempo [nessa região], a capacidade de trabalhar com países parceiros em um ambiente de paz ou que não seja de catástrofes, antes de ter que trabalhar lado a lado [em resposta a desastre] é enorme”, ressaltou o comandante do navio, o capitão Brian C. Nickerson. “É um grande ensaio.”
Por exemplo, quando o Comfort foi destacado para ajudar na resposta ao catastrófico terremoto de janeiro de 2010 no Haiti, a missão humanitária dos EUA trabalhou lado a lado com uma equipe de socorro militar colombiana, lembrou o capitão Nickerson.
“Trabalhamos muito com os militares colombianos, e ter um navio colombiano ao nosso lado, com médicos e enfermeiros da Colômbia com quem já trabalhamos no passado, permitiu que as operações transcorressem sem atropelos", destacou Nickerson. “Não poderíamos ter uma oportunidade de treinamento melhor do que essas missões humanitárias.”
Nickerson afirmou que os militares norte-americanos também têm uma “forte relação de trabalho” com seus colegas nicaraguenses. O “Promessa Contínua” – que já visitou a Nicarágua 5 vezes desde 2007, três vezes a bordo do USNS Comfort e duas em um barco anfíbio menor – oferece a oportunidade de fortalecer essa relação ainda mais.
A missão busca ainda oportunidades para “realizar intercâmbios especializados com colegas militares” em áreas ligadas à proteção com tropas ou aviação, acrescentou Nickerson. “Essa é verdadeiramente uma operação civil-militar aqui na região.”
O Comfort, cuja base fica na cidade de Baltimore, foi entregue ao Comando Sealift da Marinha em 1987 e é o terceiro navio hospital a receber esse nome.
Um GRANDE agradecimento deve ir aos militares localizados na embaixada americana de Managua... Como essa operação tem sido trabalhada desde out de 2010 fazendo com que o trabalho externo aconteça.Tiro o chapéu para os homens e mulheres do exército americano e todos os residentes aqui no depto de Rivas e San Juan del Sur que fizeram o trabalho. Agradeço a todos que ajudaram. Sou nicaraguense e nem percebi que o barco estava aqui. Tenho um filho de 3 anos que nasceu com 29 semanas, pesando 1000 gramas e agora tem hipospádias. Quero que ele faça uma tomografia e cirurgia. Como posso te achar? Não importa como, eu irei entrar em contato. Por favor, me ajude.
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