Estados Unidos treinam os primeiros policiais mergulhadores da Costa Rica

US Trains First Costa Rican Police Divers

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
outubro 02, 2018

Mergulhadores da unidade de Busca, Trauma e Resgate da Patrulha Fronteiriça dos EUA (BORSTAR, em inglês) apoiam a Academia Nacional de Polícia (ANP) da Costa Rica para desenvolver as capacidades de um primeiro grupo de 16 membros de diferentes corpos de segurança, com o objetivo de torná-los mergulhadores de busca e recuperação. A capacitação, que começou na segunda semana de agosto e terminará no final de novembro de 2018, é realizada no Centro de Formação Policial Murciélago, na província de Guanacaste, Costa Rica.

“O processo teve início em maio [2018] na Flórida, EUA, com a certificação dos nossos oficiais como mergulhadores avançados na especialidade de resgate”, disse à Diálogo Maino Alfaro, subintendente da ANP, destacado no centro de formação. “Esse é um requisito técnico da BORSTAR para ter acesso ao curso de especialização em busca e recuperação com foco nas funções policiais.”

O treinamento fortalecerá as capacidades da Polícia de Fronteiras, da Polícia de Controle de Drogas, do Serviço Nacional de Guarda Costeira e da ANP da Costa Rica no combate ao crime organizado. Os agentes realizam atividades programadas para a aquisição de um currículo, bem como experiência, com um mínimo de 50 mergulhos registrados e certificados, para obter a formação especializada em busca e recuperação.

“Nosso objetivo é gerar competências para as forças de segurança e fechar o espaço para a criminalidade”, disse à Diálogo o comissário Eric Lacayo Rojas, diretor da ANP. “O narcotráfico e o crime organizado [nos] obrigam a evoluir e tentar antecipar-nos às situações que já ocorrem em muitas vias, sendo a via aquática uma delas.”

Novas técnicas

Os especialistas em mergulho da BORSTAR oferecem treinamento especializado e avançado às agências governamentais americanas e estrangeiras desde a sua criação em 1998. As diversas entidades policiais costarriquenhas desenvolverão técnicas de resgate básico, alcançarão profundidades de 30 metros e aperfeiçoarão as técnicas de busca, recuperação de objetos em águas profundas e turvas, que algumas vezes podem ser tóxicas e letais. Além disso, elas realizarão tarefas debaixo dos navios para localizar explosivos ou narcóticos ilegais, às vezes escondidos sob os cascos das embarcações.

“[O treinamento] nos permite aprimorar as nossas capacidades policiais nos cais e portos marítimos, para que possamos fazer as vistorias dos navios com um critério técnico melhor do que o que temos atualmente”, disse Alfaro. “O narcotráfico constrói compartimentos externos e neles esconde a droga; se não tivermos um mergulhador técnico treinado nestas habilidades, será difícil detectarmos a droga ilegal.”

O trabalho dos especialistas em mergulho também ajudará nos processos de investigações judiciais, através da busca e recuperação de evidências localizadas em um leito submarino de difícil acesso. Os policiais mergulhadores da Costa Rica serão capazes de recuperar cadáveres, armas, veículos, aeronaves, contêineres, cartuchos de munição e até mesmo objetos menores submersos no mar ou em qualquer outro ambiente aquático.

Condições extremas

Como parte do acordo de cooperação, a BORSTAR doou à ANP 20 equipamentos completos para mergulho formados por trajes, tanques, lanternas, bússolas e computadores sofisticados para o registro dos mergulhos. A unidade forneceu ainda boias especiais para as tarefas de recuperação de objetos e evidências submersos, que permitirão que os oficiais retirem da água elementos grandes, como uma aeronave.

“O valor de cada equipamento de mergulho doado pela Patrulha Fronteiriça dos EUA é de US$ 5.000”, destacou Alfaro. “Trata-se de um recurso importante para as tarefas que nossos oficiais desempenharão em condições extremas.”

O comissário Lacayo e Alfaro concordaram que o mergulho de busca e recuperação requer muita concentração, disciplina e vontade. “Os oficiais entendem que estarão expostos a uma série de riscos e situações extremas”, disse Alfaro. “Aplicar todas as normas de segurança e respeitar os protocolos dessa modalidade de mergulho significa resguardar a vida do pessoal que participa dessa atividade”, acrescentou o comissário Lacayo.

O processo de capacitação para formar mergulhadores de busca e recuperação faz parte do projeto de atualização da ANP da Costa Rica. “Os mergulhadores se tornarão multiplicadores dos conhecimentos recebidos”, garantiu o comissário Lacayo. “O sucesso de um recurso tão oneroso, especializado e necessário para o esquema de segurança dos países requer manutenção e cuidado, o que implica não ignorar as competências e mantê-las ativas”, finalizou.
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