Interoperabilidade Chile-EUA atinge novas alturas

US-Chile Interoperability Soars to New Heights

Por Geraldine Cook/Diálogo
dezembro 11, 2017

O Chile é o primeiro país da América Latina e do Caribe em estabelecer um escritório regional para gerenciar os sistemas de comunicação segura (COMSEC, por sua sigla em inglês). “Os Estados Unidos e o Chile têm laços de amizade tradicionais e, com estes gestos e ações concretas, nossa união vai se consolidando e nos permite planejar para o futuro e continuar trabalhando em conjunto”, disse o General-de-Brigada do Exército do Chile Rodrigo Díaz Amechazurra, diretor de Planejamento Conjunto do Estado-Maior Conjunto (EMCO), na cerimônia oficial de inauguração do escritório “COMSEC Chile”.

O evento foi realizado em Santiago com a participação de autoridades chilenas e representantes de agências estatais dos EUA encabeçadas pelo Comando Sul (SOUTHCOM), no dia 7 de novembro de 2017. “Esse escritório, que, além de servir ao EMCO, vai ser utilizado pelo Exército, pela Marinha e Força Aérea, vai permitir-nos estar em um padrão de nível mundial”, disse o Gen Bda Díaz. “Estamos muito agradecidos pela confiança que o SOUTHCOM vem demonstrando em nosso país.”

“O COMSEC é uma disciplina que protege e mantém a segurança das informação sensível dos EUA e impede a interceptação não autorizada de indivíduos ou instituições”, explicou à Diálogo Joaquin Campos, administrador do programa COMSEC no SOUTHCOM. A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, por sua sigla em inglês) criou o COMSEC como um mecanismo para proteger a comunicação contra a interceptação não autorizada de pessoas ou instituições. Contudo, a comunicação cifrada moderna remonta às guerras mundiais, como ferramenta para proteger, manter e supervisionar as redes informáticas dos Estados. Através de um sistema COMSEC, os Estados Unidos se comunicam com nações parceiras sob o marco de convênios bilaterais administrados pela Divisão de Sistemas de Comunicação do Comando Sul.

“Os chilenos agora são nossos parceiros no COMSEC. São um parceiro completo no mundo do COMSEC e da operatividade”, disse Michael Droz, diretor adjunto de Operações do SOUTHCOM. “O Chile é um parceiro importante na região para os EUA há muito tempo. É um país estável com uma capacidade muito grande e esse é o caminho para que nossos dois países possam interagir e operar mutuamente.”

O COMSEC promove interoperabilidade

“As Forças Armadas do Chile estão associadas a grandes avanços tecnológicos, o que tem levado nossas forças a se situarem em um lugar de destaque dentro do contexto latino-americano. Contudo, esses avanços significaram também compromissos importantes de segurança”, disse o Coronel da Força Aérea do Chile Ernesto Salazar Muñoz, chefe do departamento de Tecnologias da Informação e Comunicações do EMCO, ao explicar os avanços que o sistema representa para seu país. “Estamos orgulhosos de ter essa responsabilidade e queremos cumpri-la de forma condizente.”

Os governos do Chile e dos EUA firmaram um Acordo de Entendimento em setembro de 2004 para fomentar os interesses mútuos de segurança. O acordo incluiu a promoção da interoperabilidade dos sistemas de comunicação, comando e controle táticos das forças armadas de ambos os países. A conta COMSEC é o resultado de sete anos de trabalho conjunto e coordenação contínua entre o EMCO, as Forças Armadas do Chile, o SOUTHCOM, o escritório de Cooperação em Segurança da Embaixada dos EUA em Santiago e a NSA.

“O escritório COMSEC, após 13 anos, se vê materializado”, disse o Cel Salazar. “Isso foi possível graças ao trabalho realizado pela gestão do Comitê de Comando, Controle e Interoperabilidade (CCIB, por sua sigla em inglês), o EMCO, a Direção de Planejamento Conjunto e, principalmente, a Direção de Comando e Controle Estratégico, e o SOUTHCOM.” O CCIB reúne representantes das Forças Armadas do Chile e dos EUA com o intuito de fomentar a interoperabilidade entre os dois países.

“A interoperabilidade que temos com os Estados Unidos é bastante frequente; compartilhamos muito com o SOUTHCOM e com as Forças Armadas americanas. Temos tido a oportunidade de compartilhar não só em exercícios, mas também em outras atividades militares e necessitamos permanentemente das chaves de acesso para poder interoperar com as forças militares americanas”, disse o Coronel do Exército do Chile Alejandro Solar Cardemil, chefe do departamento de Planejamento Estratégico do EMCO. O Cel Solar acrescentou que a interoperabilidade é primordial para o Chile porque lhe permite ter acesso à informação compartilhada em menor tempo e, além disso, mostra o “voto de confiança” dos EUA para com seu país.

O COMSEC é uma conquista importante para as Forças Armadas do Chile, já que fomenta a interoperabilidade e a comunicação segura durante o desenvolvimento de exercícios militares conjuntos combinados. “Poderemos ter a capacidade de receber instruções através de nossos equipamentos de comunicações e, dessa forma, poder agilizar as operações do exercício [por exemplo, Panamax]”, disse o Cel Salazar. Para o Cel Solar, “o trabalho que fazemos com as forças americanas é um trabalho contínuo, fermentante e que conseguimos garantir há muito tempo.”

O escritório COMSEC oferecerá segurança nas comunicações entre o Departamento de Defesa dos EUA e o Ministério de Defesa Nacional do Chile. “[Como resultado], nossa relação vai ser ainda mais próxima”, disse Droz. “É melhor sermos capazes de nos comunicar de forma cifrada para que nossos adversários não possam escutar. Estar no mesmo sistema de comunicação nos proporciona maior operabilidade para podermos trocar ideias, operações, táticas, técnicas e procedimentos.”

Para o Gen Bda Díaz, o Chile e os Estados Unidos têm um futuro muito promissor no que se refere a comunicações. “O futuro das relações de cooperação entre as forças armadas dos dois países é extraordinariamente bom. Vamos construindo confiança e há amizade e futuro”, finalizou o Gen Bda Díaz.
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