Exército do Uruguai capacita pessoal destacado na península do Sinai

Uruguayan Army Trains Personnel for Deployment on the Sinai Peninsula

Por Carlos Maggi/Diálogo
agosto 21, 2017

No dia 20 de julho, nas instalações da Escola Nacional de Operações de Paz do Uruguai (ENOPU), terminou o curso pré-destacamento para o agrupamento especial de engenheiros do Exército Nacional que viajará à península do Sinai. No total, 33 militares receberam a capacitação correspondente, na qual foram abordados diferentes temas sobre as funções que os integrantes da Força Multinacional de Paz e Observadores (MFO, por sua sigla em inglês) realizam uma vez posicionados: adestramento técnico, aspectos legais, transporte, condução de veículos, finanças, regras de confronto, segurança do pessoal, detecção de ameaças, conduta nos comboios, bem como aulas de inglês, instrução de ordem fechada e educação física. Antecedentes Após um extenso conflito territorial, o tratado de paz entre os governos do Egito e de Israel foi firmado pelo presidente Anwar el-Sadat e o primeiro-ministro Menachem Begin no dia 17 de setembro de 1978, por meio da mediação do presidente norte-americano Jimmy Carter, que se comprometeu a que os Estados Unidos tomassem as medidas necessárias para assegurar o estabelecimento e a manutenção de uma força multinacional alternativa se as Nações Unidas não assumissem esse papel, situação que ainda se mantém atualmente. O Uruguai se somou à força multinacional desde o ano de 1981 e, como resultado, é a missão mais antiga para o Exército do país sul-americano que, ao longo dos 36 anos transcorridos, desenvolveu uma importante experiência na tarefa de contribuir para a paz. Todo ano, a ENOPU realiza um evento de capacitação para o pessoal que atuará nessa zona do mundo, do qual participam diferentes conferencistas do corpo diplomático do Estado de Israel e da Embaixada da República Árabe do Egito no Uruguai, instrutores do Exército Nacional e do hospital central das Forças Armadas. “Na escola nacional de operações de paz é onde preparamos nossos contingentes para diferentes missões das Nações Unidas e aos que vão render o pessoal militar na península do Sinai, segundo o mandato da MFO, no próximo dia 22 de agosto”, disse à Diálogo o Coronel do Exército do Uruguai Niver Pereira, diretor da ENOPU. Na área de missão encontram-se contingentes de vários países, que trabalham com extremo respeito mútuo e companheirismo, incluindo Austrália, Canadá, Colômbia, República Tcheca, Fiji, França, Itália, Nova Zelândia, Noruega, Reino Unido, Estados Unidos e Uruguai. Estes últimos cumprem tarefas de transporte de pessoal, abastecimento, combustível, água e alimentos entre as diferentes bases, algumas delas em locais distantes, enquanto os engenheiros se dedicam à manutenção das estradas. “Levando em conta qual é a tarefa a ser realizada, como observar, relatar e verificar que se cumpra o tratado de paz, essa é a preparação durante três semanas nas diferentes áreas em um treinamento completo”, assegurou o Cel Pereira. “Nosso contingente conta com uma importante experiência, apesar da evolução das missões e das diferentes ameaças em constante mudança.” Situação atual: instável e imprevisível A área de atuação da força multinacional na qual se integram os militares do Uruguai pode ser considerada instável, por isso foram adotadas medidas extremas de segurança. “Nos últimos anos, a situação regional evoluiu desfavoravelmente, tornando-se uma área muito instável e imprevisível na evolução dos acontecimentos futuros. A MFO leva muito a sério a proteção de seu pessoal e investiu muito nisso, aumentando as medidas de proteção e de resposta frente a uma situação de perigo, tentando minimizar qualquer dano direto ou colateral para ela”, afirmou o Tenente-Coronel do Exército do Uruguai Guillermo Rodríguez, comandante do contingente Unidade de Transporte e Engenheiros nesse país. O Ten Cel Rodríguez destacou que as funções específicas dos soldados a seu cargo são fundamentais para a missão. A primeira é o transporte terrestre e a segunda é o apoio com pessoal especializado de engenheiros que, segundo o estabelecido no tratado de paz, inclui o monitoramento de 60.000 quilômetros quadrados por via aérea, terrestre e marítima ao longo das imediações da fronteira com Israel na chamada Zona C. “A tarefa da unidade de transporte é basicamente a movimentação de suprimentos e de pessoal para os diferentes locais da MFO localizados ao longo da península do Sinai. Por sua vez, a unidade de engenheiros está encarregada da manutenção e melhoria de estradas, já que são constantemente obstruídas pelo movimento das dunas de areia no deserto, e se encarrega também da construção de fortificações que a força exigir”, explicou à Diálogo o Ten Cel Rodríguez. O Ten Cel Rodríguez expressou a honra que representa para ele comandar o contingente do exército de um país com enorme trajetória de contribuição para a paz no mundo. “Sem dúvida, é um orgulho representar meu país nessa força multinacional e, por sua vez, um desafio constante para manter a eficiência do meu pessoal, já que a situação aqui é muito dinâmica e diferente a cada dia. Sem dúvida, confio que o contingente nacional seguirá mantendo o mais alto nível de profissionalismo por parte de cada um de seus integrantes e enaltecendo o prestígio do nosso país, o que fica caracterizado nesses 36 anos de permanência nessas terras áridas”, disse. O período de permanência na área de missão dura um ano; após esse período, efetua-se o chamado voo de rotação, no qual chegam militares com uma preparação similar para render na tarefa os que completaram um ano. Alguns deles já participaram de várias missões na península do Sinai.
Share