Força Aérea Uruguaia faz exercício de combate ao crime transnacional

Por Dialogo
junho 07, 2016





A Força Aérea Uruguaia (FAU) mobilizou recentemente 25 pilotos e outros 15 militares na região norte do país em busca de pistas de pouso ilegais usadas por narcotraficantes. O treinamento fortalece a segurança aeroespacial, a luta do país contra o tráfico de drogas e as capacidades operacionais do esquadrão aéreo.

Pilotos e navegadores do 7o Esquadrão Aéreo (Observação e Ligação), que pertence à 3ª Brigada Aérea da FAU, partiram em quatro aeronaves Cessna C-206 H Stationair e um Beechcraft UB-55 Baron em 17 de maio rumo a Melo, capital do departamento de Cerro Largo, perto da fronteira com o Brasil. O principal objetivo da operação, concluída em 20 de maio, foi procurar pistas de pouso, observar a fronteira seca, controlar o espaço aéreo e avaliar as capacidades de voo do esquadrão – em termos de planos operacionais da tripulação e apoio logístico em ambientes irregulares, de acordo com um comunicado da FAU.

Os próximos treinamentos, planejados com um ano de antecipação, serão em setembro e novembro. “Os principais desafios que os membros do 7º Esquadrão Aéreo enfrentam são poder concluir as missões de forma satisfatória, especialmente aquelas que os retiram de ambientes operacionais normais, e poder superar as condições climáticas operando em segurança”, disse o Tenente Coronel Aviador Juan Ocampo, Comandante do 7º Esquadrão Aéreo, a Diálogo
.

Pilotos registram 50 horas de voo


Durante o treinamento, em que os pilotos passaram 50 horas no ar, os militares uruguaios conduziram missões de reconhecimento dia e noite, além de realizar pousos em terrenos pouco usuais como montanhas, florestas e outras áreas de acesso difícil para as autoridades na luta contra as ameaças transnacionais.

“Os oficiais uruguaios fortaleceram seus laços de cooperação e de trabalho em equipe, colocando a realização de suas missões acima de tudo”, diz o Ten Cel Ocampo.

Durante as manobras noturnas, os pilotos usaram “sinais luminosos que funcionavam com fotocélulas”, que se acendem de noite após terem sido carregadas com a luz do Sol. “Uma das metas dos voos noturnos é se atualizar para prestar apoio na interceptação de aeronaves ilegais quando o comando solicitar”, diz o Ten Cel Ocampo. “Essa mobilização é parte do treinamento que os tripulantes desse esquadrão devem ter. Os pilotos recebem prática e treinamento sobre como combater organizações de narcotráfico e crime organizado. Uma de nossas principais missões é prestar apoio a organizações envolvidas na luta contra o crime e o tráfico de drogas.”

Além de participar das operações de interceptação de aeronaves, o 7º Esquadrão Aéreo também conduz transporte de pessoal, resgate e ajuda humanitária. Para isso, conta com mais de 50 aviadores de diversas patentes e com diferentes níveis de treinamento e experiência. “Como voar é nossa vocação e o centro de expectativas no âmbito profissional, devemos oferecer a nossas tripulações um caminho claro no cumprimento satisfatório das tarefas que não estão planejadas e que demandam ajustes e adaptação”, diz o Ten Cel Ocampo.

Em 18 de maio, o Alto Comando emitiu instruções através do Centro de Operações Aéreas para executar voos de reconhecimento em lugares precisos, determinados por coordenadas. O objetivo da operação era atrapalhar o plano que os tripulantes já tinham programado. O exercício testou os pilotos mais jovens da unidade, que receberam apoio logístico do Esquadrão da Base Aérea da 3a Brigada Aérea. A Polícia Aérea Nacional garantiu a segurança do aeroporto.

“O que temos planejado são mobilizações territoriais em diferentes partes do país, de modo a cobrir todo o território para proteger o espaço aéreo uruguaio”, diz o Ten Cel Ocampo. “Mesmo tendo os treinamentos profissionais, o fortalecimento de cada um dos membros do Esquadrão é muito importante. A experiência é valiosa, e o mais importante é que eles possam transmitir essa experiência aos que vierem depois, assim como nas missões.”

Narcotraficantes exploram o Uruguai


Uruguai não é um importante produtor de drogas, de acordo com o governo dos Estados Unidos. Mas grupos de traficantes internacionais aproveitam as fronteiras porosas do país com o Brasil e a Argentina, usando Montevidéu como centro de transporte da cocaína produzida nos Andes, informou o website Espectador
em 2 de março.

Entre janeiro e maio deste ano, foram apreendidos 135 quilos de cocaína no Uruguai. Em 2013, foram confiscadas 1,5 toneladas da droga, em comparação com apenas 10 kg em 1991, segundo o jornal El Observador
.
De acordo com a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, o Uruguai tem o terceiro maior índice de consumo de cocaína da América do Sul, atrás de Chile e Argentina.
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