Uruguai e Equador reforçam laços contra o tráfico de drogas

Por Dialogo
novembro 21, 2013



Recentemente, Uruguai e Equador concordaram em reforçar seus laços na batalha conjunta de seus países contra o tráfico internacional de drogas. Ambos os países concordaram em compartilhar informações e colaborar na luta contra os sindicatos do crime organizado.
Os países estabeleceram acordos para “reforçar e fortalecer” suas relações bilaterais em diversas questões, incluindo a cooperação e o intercâmbio de informações para desenvolver novas abordagens para combater o tráfico de drogas. O vice-chanceler uruguaio, Luis Porto, e seu colega equatoriano, Marco Albuja, emitiram uma declaração conjunta à imprensa expressando “a necessidade de buscar abordagens diferentes para combater o problema” do tráfico internacional de drogas.
Os dois países assinaram um acordo de cooperação e intercâmbio de informações para “aprender com as práticas mútuas.”

Uso de drogas no Uruguai

Os grupos do crime organizado, além de transportarem drogas ilegais no Uruguai e enviá-las ao norte para o México e os Estados Unidos, também vendem drogas internamente.
Aproximadamente 180.000 pessoas no Uruguai consomem drogas ilegais, de acordo com estatísticas do governo federal. Esse número representa aproximadamente 5,5% da população de 3,5 milhões de habitantes no país. Cerca de 3.000 presidiários estão em prisões uruguaias devido a crimes de tráfico de drogas.
O uso de drogas afeta a sociedade uruguaia de diversas maneiras. Por exemplo, o uso de drogas teve um impacto negativo na educação pública.
Recentemente, a Comissão de Saúde do senado uruguaio realizou uma audiência sobre educação pública.
Os funcionários da educação pública informaram aos senadores que o uso de drogas é um dos motivos pelos quais alguns alunos de escolas públicas não estão aprendendo tanto quanto deveriam.

Equador usa tecnologia para lutar contra o tráfico de drogas

Em outubro de 2013, a marinha equatoriana e as forças da polícia civil colaboraram para apreender 799 kg de cocaína nas águas territoriais do país, drogas essas que eram destinadas à América Central e Estados Unidos.
As forças de segurança equatoriana usaram tecnologia avançada para localizar e apreender o barco que transportava a cocaína. Em 13 de outubro, a Unidade Contra o Crime Organizado (ULCO) da Polícia Nacional alertou a Marinha sobre uma embarcação de bandeira panamenha suspeita de transportar drogas ilegais na costa equatoriana, que enviou diversos VANTs para rastrear o barco. A Marinha utiliza os Veículos Aéreos Não Tripulados para rastrear barcos suspeitos e reunir informações.
Os VANTs localizaram o barco suspeito, chamado “Doria”, a cerca de 130 milhas náuticas ao sudoeste do porto de Manta. A Estação Aérea Naval de Manta transmitiu a localização do Doria a um barco da Guarda Costeira chamado “Isla Santa Cruz”. A embarcação da Guarda Costeira, comandada pelo tenente Lenin Alvarado Flores, interceptou o Doria. As autoridades da Guarda Costeira abordaram o barco e encontraram aproximadamente 800 kg de cocaína embrulhados em 700 pacotes. As autoridades da Guarda Costeira detiveram a tripulação de cinco pessoas do Doria.
Os investigadores antinarcóticos da Polícia Nacional descobriram que uma organização transnacional de tráfico de drogas estava operando na região, contrabandeando drogas em barcos grandes alguns dias antes de a Guarda Costeira ter interceptado o Doria. A Polícia Nacional forneceu as informações à Marinha, informaram as autoridades.

Tráfico de drogas leva a outros crimes

Os países da América Latina estão lutando contra o tráfico de drogas e empreendimentos criminais relacionados.
Por exemplo, nos últimos anos, o número de sequestros e extorsões aumentou na Colômbia, no México e em outros países da América Latina. Na Colômbia, muitos desses crimes são cometidos por grupos do crime organizado, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Em El Salvador e na Guatemala, as gangues de rua Mara Salvatrucha, também conhecida como MS-13, e Barrio 18 são responsáveis por vários sequestros e extorsões, de acordo com as forças de segurança nesses países. A organização do tráfico de drogas Lorenzana e os grupos mexicanos do crime organizado, Los Zetas e o Cartel de Sinaloa, que é liderado pelo chefe fugitivo Joaquin “El Chapo” Guzman, também operam na Guatemala.

Cooperação internacional

O Ministro da Defesa colombiano, Juan Carlos Pinzon, visitou recentemente os oficiais militares de sete países do Caribe e América Central para discutir como as forças de segurança na região poderiam cooperar em questões de segurança. Em setembro de 2013, Pinzon se reuniu com oficiais militares no Panamá, Honduras, El Salvador, Jamaica, República Dominicana e Trinidad e Tobago.
Pinzon e as autoridades de outros países discutiram a possibilidade de aumentar as oportunidades para a Polícia Nacional e os militares colombianos lutarem contra o tráfico de drogas e outros crimes, como extorsão e sequestro.
A cooperação internacional é crucial na luta contra o sequestro e extorsão, de acordo com o general colombiano Humberto Guatibonza, diretor dos Grupos de Ação Unificada pela Liberdade ou GAULA, a unidade antissequestro e anti-extorsão da Colômbia, que é respeitado em todo o mundo por sua eficácia no combate ao crime organizado.
Em Honduras, El Salvador e Guatemala, “o sequestro tornou-se um flagelo transnacional tão grande que precisamos unir nossas forças”, informou Guatibonza.

Sucessos de segurança

As forças de segurança da República Dominicana e do Chile alcançaram sucessos importantes nos últimos meses na luta contra o crime organizado.
Por exemplo, no Chile, entre janeiro e meados de novembro de 2013, as forças de segurança apreenderam 80% mais drogas do que durante o mesmo período de 2012.
As autoridades atribuem muito do sucesso à unidade antinarcóticos OS-7 do Chile, conhecida como os Carabineiros. O aumento no volume de drogas apreendido pelas forças de segurança chilenas em 2013 reflete a atividade maior de traficantes internacionais de drogas e o alto nível de profissionalismo da polícia chilena, de acordo com o analista de segurança Jeremy McDermott, diretor da InSight Crime, uma instituição de pesquisa independente sediada em Medellin, Colômbia.
Na República Dominicana, as autoridades reduziram a taxa de homicídio e aprimoraram a segurança pública geral graças a uma série de iniciativas policiais fortes. A taxa de homicídio no país caribenho foi reduzida para 16,6 assassinatos por 100.000 habitantes.
A taxa de homicídio não era tão baixa desde 2003, de acordo com Manuel Castro Castillo, chefe da Polícia Nacional da República Dominicana.

Acordos entre Uruguai e Equador

Além de estabelecer acordos para cooperar na luta contra o tráfico internacional de drogas, os oficiais equatorianos e uruguaios também discutiram aspectos importantes do relacionamento bilateral dos dois países.
O Equador e o Uruguai concordaram em apoiar a União das Nações Sul-Americanas (UNASUR), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
Autoridades de ambos os países também discutiram a importância de desenvolver a tecnologia de informações na região e compartilhar desenvolvimentos científicos e tecnológicos.


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