Consolidando a segurança marítima e a cooperação regional, as marinhas da América Latina, do Caribe e de nações parceiras se preparam para a 66ª edição do exercício UNITAS, que será realizado de 15 de setembro a 6 de outubro, na costa leste dos Estados Unidos. Este evento, liderado pela Marinha dos EUA, promete fortalecer seu papel como plataforma fundamental para a segurança marítima, a confiança mútua e a preparação coletiva contra ameaças comuns.
O exercício foi concebido para fortalecer as relações e melhorar a interoperabilidade naval entre as nações participantes. Nesta ocasião, os treinamentos serão a antecâmara do 250º aniversário da Marinha dos EUA, o que gera grande expectativa e prepara o terreno para os eventos comemorativos.
“UNITAS reforça nosso compromisso inabalável com nossos parceiros na região e em todo o mundo”, destacou em um comunicado o Contra-Almirante Carlos Sardiello, comandante das Forças Navais do Comando Sul/4a Frota dos EUA. “Ele representará a força de nossas sólidas alianças e estabelecerá as bases para uma série de eventos transcendentais, para celebrar o 250º aniversário da Marinha dos EUA.”

Legado de alcance internacional
A edição de 2025 do exercício, sob o lema “Um legado de parcerias marítimas”, será uma das maiores e mais complexas de sua história, apresentando uma ampla gama de operações náuticas. As atividades serão realizadas tanto no mar quanto em terra, em locais como a Estação Naval de Mayport; a Base do Corpo de Fuzileiros Navais Camp Lejeune, na Carolina do Norte; a Estação Naval de Norfolk, na Virgínia; e a Estação Aeronaval Oceana Anexo Dam Neck.
Desde sua criação, após a Primeira Conferência Naval no Panamá, em 1959, e sua primeira realização, em 1960, o UNITAS se consolidou como o exercício marítimo multinacional anual mais antigo do mundo. Desta vez, participarão mais de 20 países da região.
Os participantes treinarão com tecnologia marítima de última geração, incluindo sistemas de frotas não tripuladas e híbridas, com base na experiência com veículos submarinos não tripulados, utilizada na edição de 2024. O exercício culminará com eventos militares de alto nível, tais como operações marítimas e costeiras, exercícios de afundamento com fogo real (SINKEX) e desembarques anfíbios.
Confiança e cooperação entre marinhas
Os especialistas navais concordam que UNITAS é fundamental para aumentar a confiança entre as marinhas da região, permitindo-lhes agir em tempos de paz e preparando-se para operar em conjunto contra ameaças comuns. O Almirante de Esquadra (R) Juan Andrés de la Maza, ex-comandante-em-chefe da Marinha do Chile (2021-2025), destacou à Diálogo que a integração e o trabalho em equipe “constroem confiança”. Um exemplo da edição de 2024 foi a operação conjunta de um navio argentino e outro britânico, algo que não acontecia há muitos anos.
Além disso, as atividades em terra, como competições esportivas e eventos de camaradagem, promovem o conhecimento mútuo entre os militares reunidos. Em 2024, participaram mais de 4.268 militares de 24 países, com 19 unidades flutuantes, dois submarinos e 23 aeronaves.
O Almirante de Esquadra (R) Julio Leiva, ex-comandante-em-chefe da Marinha do Chile (2017-2021), destacou à Diálogo que a confiança e o conhecimento prévio são essenciais para unir países diante de ameaças comuns e que exercícios como UNITAS “solidificam esses laços a longo prazo, melhorando os procedimentos e a cooperação tática, operacional e estratégica”.

Inovação e realidades tecnológicas
Guillermo Holzmann, analista internacional da Universidade de Valparaíso, disse em entrevista à Diálogo que essa 66ª edição marcará um ponto de inflexão em relação às edições anteriores. Além das manobras tradicionais, serão realizados exercícios de treinamento avançado, que incorporam elementos híbridos, artilharia, aviação naval, missões especiais, desembarques com apoio aéreo e satelital e novas tecnologias.
O Alte Esq de la Maza enfatizou a importância de incluir módulos cibernéticos e veículos não tripulados, de acordo com a dinâmica atual do mundo. O exercício evoluiu de um foco exclusivamente militar para um que integra ajuda humanitária, novas tecnologias e conceitos modernos de guerra. Isso responde tanto ao contexto geopolítico, quanto à necessidade de manter sua atratividade para as marinhas participantes. O impacto dos veículos não tripulados, evidenciado em conflitos como o da Rússia com a Ucrânia, ressalta a relevância de treinar com esses sistemas.
“Este será um exercício de grande envergadura, com tecnologia de ponta e uma exigência maior para todas as marinhas”, concluiu Holzmann, destacando que UNITAS 2025 constitui uma atualização em relação às novas formas de guerra em cenários multidomínio.
Assim, o UNITAS 2025 reafirmará sua posição como o principal exercício marítimo multinacional do hemisfério, consolidando alianças, promovendo a interoperabilidade e abrindo caminho para inovações tecnológicas em defesa. Além disso, preparará o cenário para a celebração dos 250 anos da Marinha dos EUA, marcando uma nova era de cooperação regional e mundial.