Militares e policiais da Colômbia certificados pela ONU

UN Certifies Colombian Military and Police

Por Marian Romero/Diálogo
agosto 09, 2017

Com o objetivo de promover a paz no mundo e como agradecimento ao apoio prestado pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante os anos de conflito, o Governo colombiano se comprometeu, em 2015, a designar um grupo de homens e mulheres das diferentes forças armadas e policiais do país a prestar serviço nas missões de paz. Para dar continuidade a essa iniciativa, criou-se o Centro Conjunto de Treinamento para Missões de Paz (CENCOPAZ). “A experiência adquirida durante o conflito interno dotou a Colômbia de uma grande capacidade para enfrentar de forma eficaz problemáticas como o terrorismo, o crime organizado e outras situações de conflito”, disse à Diálogo o Coronel do Exército da Colômbia Juan Carlos Ortiz, chefe de Planejamento do CENCOPAZ. “Sendo um exército testado em campo, temos muito o que contribuir para a manutenção da paz no mundo.” O curso de formação de instrutores de paz da ONU, realizado em Bogotá na quarta semana de junho, contou com a participação de 54 oficiais e suboficiais de todo o país. Os futuros instrutores multiplicarão os regulamentos, protocolos e valores da ONU para restabelecer a ordem, com vistas a enviar os primeiros componentes de apoio às missões de paz em meados de 2018. A ONU tem 15 operações de manutenção da paz no mundo, a maioria delas na África e no Oriente Médio. “É a primeira vez que o país participa com componentes militares grandes em outro país. Isso implica um desafio operacional e logístico, porque as condições geográficas e culturais são muito diferentes, bem como a maneira de enfrentar as situações de conflito”, explicou o Cel Ortiz. “É um desafio que assumimos com muito prazer, fortalecendo as iniciativas de paz.” Atualmente, estão sendo feitos estudos para determinar em quais missões o país pode auxiliar. As capacidades das Forças Militares da Colômbia giram em torno de atenção especial a desastres, desativação humanitária de minas, forças especiais, força policial, engenharia e unidades de infantaria fluviais e aéreas. O desenvolvimento do curso Instrutores da Argentina, de Bangladesh, do Brasil, Paquistão e Uruguai estiveram encarregados do processo de formação. Em primeira instância, todos os estudantes foram reunidos para conhecer os regulamentos gerais da ONU. Posteriormente, foram realizados cursos por especialidades: estado-maior, forças especiais, aviação, naval e policial. “Foi uma experiência excelente porque vamos apoiar missões de paz. Na Colômbia, ainda estamos em um processo de transição para deixar para trás o conflito interno e é emocionante ter a oportunidade de contribuir com estratégias que já testamos e sabemos que podem gerar soluções”, expressou o Capitão do Exército da Colômbia Oliver Rodríguez, chefe de pessoal do CENCOPAZ e novo instrutor de missões de manutenção da paz da ONU. “A ONU está encantada conosco porque sabe que nosso conflito ocorreu em uma geografia acidentada, climas extremos e complexidades sociais de todo tipo”, disse o Cap Rodríguez. “Além disso, querem ver como é possível aproveitar nossa experiência em situações de conflito diferentes da colombiana.” Os desafios em operações de paz O Exército da Colômbia é reconhecido regionalmente por sua grande capacidade operacional e logística. Suas táticas e procedimentos foram testados em campo durante décadas e seus homens estão acostumados a assumir situações precárias. Entretanto, toda essa experiência foi adquirida unicamente dentro dos limites do país. “O Exército da Colômbia tem muito o que aprender e fortalecer em termos de assumir um conflito de maneira mais serena, como propõe a ONU”, disse o Cap Rodríguez. “O Direito Internacional Humanitário foi implantado há vários anos, porém ser partícipe de um conflito interno por tanto tempo gera uma perspectiva e uma atitude diferentes. Por isso esse tipo de formação é tão importante.” “Devemos fortalecer em nossas tropas temas como o respeito pela idiossincrasia dos povos em conflito, o conhecimento de sua cultura e sua situação sociopolítica, a origem dos conflitos, a ênfase em um tratamento mais humano para com os demais sem importar seu grupo, a utilização da força como último recurso, entre muitos outros”, agregou o Cel Ortiz. Outro desafio pendente é o do treinamento de mulheres para participar nas missões de paz, pois a ONU exige uma participação de 10 a 15 por cento de mulheres nessas missões. Nesse curso participaram duas mulheres, uma do Exército e outra da Força Aérea, que por sua vez passarão seus conhecimentos a outras mulheres militares em seus lugares de origem. As missões de manutenção da paz da ONU podem durar vários anos, até décadas. Cada soldado pertence a uma missão durante seis a 12 meses. O desafio do treinamento começa desde a formação psicológica e inclui a compreensão de novas táticas para abordar uma problemática de maneira humanitária, o conhecimento sociocultural do novo local de trabalho e o conhecimento de inglês e francês.
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