As marinhas do Peru e dos EUA fecham um acordo para criar mais intercâmbio institucional

U.S., Peruvian Navies Agree to Boost Institutional Exchange

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
agosto 31, 2016

A Marinha de Guerra do Peru e a Marinha dos Estados Unidos fizeram um acordo para reforçar sua cooperação institucional, com o objetivo de alcançar o grau mais alto de segurança internacional e o fortalecimento das relações entre os dois países. Seguindo o plano de cooperação interinstitucional entre a Escola da Marinha de Guerra dos EUA (USNWC, por sua sigla em inglês) e a Escola Superior de Guerra do Peru (ESUP), estabelecido em setembro de 2015, o adido naval da embaixada do Peru nos Estados Unidos, Contra-Almirante Herbert Del Álamo Carrillo, visitou o presidente do USNWC, Contra-Almirante Gardner Howe, em 16 de junho. Ambos concordaram em aumentar a promoção do intercâmbio de professores e alunos, assim como projetar trabalhos de pesquisa acadêmica entre os dois centros de estudos. Na reunião que ocorreu nas instalações do USNWC em Newport, Rhode Island, os contra-almirantes Del Álamo e Howe assinaram o Convênio de Cooperação Acadêmico entre a USNWC e a ESUP, concretizando um caminho de cooperação traçado desde a criação da ESUP, em 1930. “Se quisermos sintetizar em um só objetivo o mencionado acordo, devemos considerar que seu propósito está centrado na preparação e no aperfeiçoamento profissional dos nossos estudantes na arte da estratégia para alcançar o grau mais alto de segurança internacional, potencializando o poder naval em seu compromisso com a segurança marítima em todos os mares e oceanos do planeta”, disse para a Diálogo o Contra-Almirante Luis Adawi Cáceres, diretor da ESUP da Marinha de Guerra do Peru (MGP). Dentro dos intercâmbios acadêmicos em benefício da ESUP, destaca-se a participação de expositores como a doutora Mary Raum, catedrática principal da Escola de Guerra Naval, e da Vice-Almirante Nora W. Tyson, comandante da Terceira Frota da Marinha dos Estados Unidos, que participaram do III Simpósio Internacional de Oficiais da Nova Geração das Marinhas da América, de 16 a 23 de agosto no Peru. A Escola da Marinha de Guerra dos Estados Unidos é uma instituição reconhecida que forma líderes desde 1884, onde se oferecem cursos de comando naval equivalentes ao curso de Alto Comando; o curso do Estado Maior Naval, equivalente ao curso Comando e Estado Maior, e o curso internacional de Oficiais de Guerra de Superfície, segundo informações do website da escola. Uma considerável quantidade de oficiais em diferentes programas, desde os graus inferiores participantes do Curso de Oficiais de Guerra de Superfície, até os programas de nível superior para oficiais peruanos, como o Curso Regular de Comando e Estado Maior e o do Comando Naval, foram capacitados na USNWC. No ano acadêmico de 2015-2016, a MGP contou com três oficiais superiores: o Capitão-de-Fragata Manuel Fachín Mestanza, no Curso de Comando Naval, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Luis Del Carpio Azálgara e o Capitão-de-Corveta Nelson Pinzás Vargas, nos cursos de Comando Naval e Estado Maior Naval. Por sua destacada participação durante o ano acadêmico de 2014-2015, permaneceram como bolsistas internacionais durante um ano adicional. O CMG Del Carpio e o CC Pinzás fizeram parte da equipe de docentes das diferentes faculdades acadêmicas, informou a MGP. “Nossos oficiais participantes em programas de estudos na USNWC adquirem os últimos conhecimentos na arte da estratégia, segurança marítima e segurança internacional, e fazem parte das promoções de graduados da mais famosa escola de guerra naval do mundo, permitindo estabelecer vínculos de amizade e camaradagem, pedras fundamentais sobre as quais se constrói a interoperacionalidade das marinhas do mundo”, comentou o C Alte Cáceres. Esta formação profissional vai permitir que os oficiais participem de qualquer tipo de missão como comandantes de unidades ou forças, de estados maiores como também das capacitações das diferentes unidades das forças operacionais, sejam estas missões que fazem parte das forças nacionais específicas e conjuntas, forças combinadas ou multinacionais. “A relação entre as marinhas do Peru e dos EUA está em um processo de consolidação em matéria de confiança”, comentou o Vice-Almirante (r) Jorge Montoya Manrique, presidente da Associação de Oficiais de Superfície. “Não apenas temos uma excelente cooperação entre as duas marinhas no âmbito acadêmico, mas também na área de capacitação, justiça militar e nova tecnologia. As duas marinhas trabalham permanentemente em uma cooperação próxima, com muita franqueza.” Colaboração entre EUA e Peru Em março de 2016, o Escritório Oceanográfico da Marinha dos EUA (NAVOCEANO) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, nas siglas em inglês) dos Estados Unidos forneceram 12 boias que perfilam, em seu esforço para ajudar as autoridades peruanas a prevenir o dano dos efeitos climáticos causados por El Niño. Os flutuadores foram colocados no Oceano Pacífico. Em 3 de novembro de 2015, oficiais jurídicos do Exército, da Aeronáutica e da Marinha de Guerra do Peru reuniram-se com membros do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) com o objetivo de expor ao SOUTHCOM como cada um dos corpos jurídicos trabalha com as instituições armadas e como cada uma lida com assuntos legais para reforçar os vínculos entre os profissionais jurídicos dos dois países. PANAMAX Da mesma forma, a Marinha peruana participa de exercícios militares conjuntos e multinacionais convocados pelos EUA. A MGP esteve sob o comando [pela primeira vez] do componente marítimo do exercício PANAMAX 2016, um exercício anual organizado pelo Comando Sul, cuja missão é proteger a segurança do canal do Panamá e as áreas próximas. “Um elemento importante que poderia consolidar a confiança entre as forças armadas do Peru e dos EUA é o governo do presidente Pedro Pablo Kuczynski, que reconhece a importância de fortalecer a cooperação com respeito à segurança e à inteligência com o governo norte-americano na luta contra o narcotráfico, o terrorismo e o crime organizado que estão afetando o Peru”, disse César Ortiz Anderson, analista de segurança e presidente da Associação Pró-Segurança Cidadã no Peru. “Por exemplo, graças ao apoio dos Estados Unidos, a Colômbia não apenas obteve um bom resultado com respeito à segurança, mas também pacificou o país. Assim como a Colômbia, o Peru deve fortalecer seus laços de segurança e inteligência com os EUA. Precisamos fortalecer o país”, concluiu Ortiz.
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