EUA doam botes interceptores à Marinha da Colômbia

U.S. Donates Interception Vessels to Colombian Navy

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
agosto 27, 2018

A Marinha dos Estados Unidos entregou à Marinha Nacional da Colômbia cinco novos botes interceptores tipo Defender 380X e um bote Apostle 410, no porto de Cartagena, no dia 20 de junho de 2018. As embarcações darão apoio aos esforços de patrulhamento marítimo no Pacífico e no Caribe para deter o crime transnacional. A Colômbia espera receber as outras duas embarcações antes do final de 2018.

“Os botes doados pelo governo dos Estados Unidos aumentarão a eficácia do Corpo de Guarda-Costas na perseguição e na detenção de embarcações usadas pelo narcotráfico e outros crimes no mar, bem como garantirão a segurança humana e a preservação e conservação dos recursos naturais do país”, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata Javier Bermúdez, encarregado do Comando de Guarda-Costas da Marinha Nacional da Colômbia. “Desde o final de 2016, altos comandos militares dos dois países iniciaram os processos de planejamento e aprovação dos botes.”

O Defender, construído pela companhia norte-americana Safe Boats International, é um bote veloz, resistente à corrosão, com tecnologia que aumenta sua velocidade, aumenta seu desempenho e permite que ele tenha uma habilidade superior para fazer manobras fechadas em alta velocidade. Os sistemas de detecção do Apostle 410 têm tecnologia de ponta e seu desempenho operacional é superior, adaptando-se às necessidades do litoral e dos mares da Colômbia; a embarcação é ideal para perseguições em alta velocidade, graças a seus três motores.

“Agora estamos realizando o traslado das unidades às áreas do Pacífico e do Caribe norte. Alguns [botes] vão para San Andrés, nossa região insular”, garantiu o CF Bermúdez. “O plano de distribuição será concluído em agosto de 2018. Uma semana após a realização desse plano, atingiremos os primeiros resultados [das embarcações] contra o narcotráfico.”

A frota de botes interceptores do Comando de Guarda-Costas terá 18 unidades Defender e 14 Apostle. A distribuição das embarcações é realizada de acordo com as condições meteorológicas marinhas das áreas de jurisdição da Marinha da Colômbia.

Ponta de lança

“As unidades de guarda-costas são a ponta de lança que nos dão uma segurança marítima integral. Elas também nos permitem manter o controle e a vigilância do mar para neutralizar qualquer atividade criminosa no domínio marítimo”, ressaltou o CF Bermúdez. “Atualmente, tanto as organizações terroristas como as organizações criminosas dedicadas ao narcotráfico estão em transformação e se adaptam à mesma oposição que lhes é feita pelas forças militares.”

O CF Bermúdez disse que nos últimos anos esse tipo de tecnologia permitiu que a Marinha alcançasse resultados importantes. Em 2017, as autoridades navais confiscaram cerca de 180 toneladas de cloridrato de cocaína.

Pontes de cooperação

A interdição marítima é o maior mecanismo de contenção do tráfico de drogas para os mercados mundiais. A Colômbia é responsável por mais de 56 por cento dos confiscos na América do Sul. Noventa por cento da cocaína que chega à América do Norte são originários da Colômbia, segundo uma publicação de julho de 2017 do Centro Internacional Marítimo de Análise contra o Narcotráfico da Marinha da Colômbia.

“Os Estados Unidos foram e ainda são o aliado estratégico mais importante para a Colômbia na luta contra o crime organizado e transnacional através de diferentes instrumentos e mecanismos de cooperação”, disse em um comunicado o vice-ministro de Defesa da Colômbia para as Políticas e Assuntos Internacionais Aníbal Fernández de Soto. “As relações se fortaleceram e se aperfeiçoaram com o tempo e permitiram que a Colômbia fosse hoje uma referência internacional.”

“Se nos mantivermos unidos, poderemos alcançar resultados satisfatórios”, declarou em junho de 2018 o Almirante-de-Esquadra da Marinha dos EUA Kurt W. Tidd, comandante do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), ao Grupo de Escritores de Defesa em Washington, D.C. “Hoje a Colômbia é um aliado moderno, próspero e capaz. Os desafios à segurança ainda estão presentes, mas eles compreendem esses desafios e estão caminhando para superá-los.”

Os instrumentos e mecanismos de cooperação não se referem apenas ao narcotráfico, mas estão focados também nas questões de terrorismo e assistência em desastres, operações e exercícios internacionais. “Esse tipo de relação nos possibilita criar pontes de comunicação. A doutrina conjunta e combinada cria protocolos de segurança que permitem ajudar e levar maior segurança à nossa área de ingerência no Caribe e no Pacífico colombiano”, disse o CF Bermúdez.

A entrega dos botes tipos Defender e Apostle se junta a outros apoios dados pelo governo dos EUA. Entre eles estão a Escola Internacional de Guarda-Costas, um espaço para desenvolvimento das habilidades de interdição marítima, e o Centro Internacional Marítimo de Análise contra o Narcotráfico, um local de investigação para possibilitar um conhecimento mais profundo da problemática do narcotráfico por via marítima. “[Procuramos] fortalecer o apoio com as nações parceiras como os Estados Unidos para que em conjunto e de comum acordo possamos ter essa segurança integral marítima que desejamos para a região”, finalizou o CF Bermúdez.
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