Forças especiais do Paraguai e dos EUA desenvolvem treinamento conjunto

U.S. and Paraguayan Special Forces Train Together

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
junho 27, 2017

Que buenas noticias que las fuerzas especiales de Paraguay y EEUU se entrenen contra las nuevas amenazas emergentes en la region Um contingente de 45 integrantes do Batalhão Conjunto de Forças Especiais do Paraguai (BCFE), juntamente com aproximadamente 20 militares do 20º Grupo de Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, participam do Treinamento de Intercâmbio Conjunto Combinado (JCET, por sua sigla em inglês). A equipe busca aperfeiçoar suas técnicas e táticas na luta contra as organizações criminosas. “Este exercício está concentrado em intercambiar técnicas de treinamento e conhecimento de armas, com o objetivo de adquirir novas capacidades para cumprir nossas missões, como o combate contra as organizações criminosas que operam no norte do país”, disse à Diálogo o Coronel Pablo Halaburda, comandante do BCFE. Como parte da cooperação entre os dois países, o Senado do Paraguai autorizou, no dia 12 de maio, a entrada da unidade militar dos EUA com seus respectivos equipamentos, armamentos e munições, para serem utilizados no programa de capacitação JCET, de 5 de junho a 3 de julho, nas instalações do BCFE, na cidade de Assunção. Segundo o programa de práticas militares, os esquadrões experimentam novas habilidades de combate e técnicas como combate urbano diurno e noturno, comunicações, coleta de informações, controle de distúrbios, planejamentos e aperfeiçoamento mútuo de profissionalismo militar. “Todas as práticas militares são desenvolvidas com base nas informações dadas pelo pessoal norte-americano qualificado. Elas são executadas com os meios disponíveis e costumam ser com muita estratégia, inteligência, concentração e adrenalina”, disse à Diálogo o 1º Tenente de Cavalaria Fabián Ayala, integrante do BCFE, que participa pela terceira vez do treinamento JCET. Uma parte do programa de treinamento está focada no desenvolvimento de exercícios de resgate e recuperação de reféns em ambientes semelhantes aos reais. Com isso, busca-se ampliar o leque de capacidades e melhorar a precisão e o trabalho em equipe das unidades de elite participantes para reforçar as operações de inteligência contra o terrorismo e o narcotráfico. Segundo o 1º Ten Ayala, o treinamento contínuo, constante e de primeira linha ajuda a conhecer melhor os integrantes do destacamento. “Confia-se mais no colega ao lado sabendo que ele tem o mesmo treinamento que você; isso dá muita segurança para o cumprimento da missão.” O BCFE, criado em 2009, é um contingente formado por soldados do Exército, da Marinha e da Força Aérea do Paraguai. Eles estão altamente capacitados em várias áreas operacionais, especialmente para lutar contra elementos antiterroristas, o narcotráfico e qualquer situação especial, relata o site do Comando das Forças Militares do Paraguai. A tomada de decisões “Com o treinamento, podemos cumprir qualquer missão que o escalão superior atribua. De tanto treino, de tanto cartucho queimado e de tantas repetições, adquire-se uma memória muscular e uma agilidade mental que ajuda na tomada de decisões sobre o andamento, de forma rápida, precisa e certeira”, ressaltou o 1º Ten Ayala. Nos últimos anos, as autoridades paraguaias combateram os grupos extremistas Exército do Povo Paraguaio (EPP) e a Associação Campesina Armada, entre outros, dedicados ao sequestro e à extorsão, mecanismos para financiar suas atividades violentas. O governo paraguaio atribui ao EPP vários sequestros e meia centena de assassinatos desde a sua fundação em 2008. Segundo o Índice Global de Terrorismo de 2016, emitido pelo Instituto para a Economia e a Paz, o Paraguai possui o segundo nível mais alto de terrorismo na América do Sul. O relatório mede o impacto do terrorismo em 163 países em termos de mortes, feridos e danos a propriedades. “Combater e erradicar as estruturas criminosas são uma necessidade elementar para a segurança nacional, fato pelo qual trabalham para manter o nível operacional das forças especiais”, expressou o Cel Halaburda. Desde 2009, os 160 integrantes do BCFE são treinados pelos comandos altamente capacitados das Forças Armadas dos Estados Unidos. Além disso, o batalhão serve como efeito multiplicador ao treinar as outras unidades convencionais das Forças Armadas do Paraguai. “Quem atacar, matar e sequestrar pessoas inocentes, ou violar a lei, será submetido de qualquer forma à justiça. Estamos treinados e preparados. Eles [o EPP] vão perder”, enfatizou o Cel Halaburda. Uma companhia da unidade de elite paraguaia coopera estrategicamente com os objetivos traçados contra as ameaças assimétricas em alguns distritos do norte do país, especialmente na região de Concepción e San Pedro, regiões onde o EPP opera. Além do treinamento A cooperação entre as forças armadas dos dois países vem de décadas atrás. Militares e polícias do Paraguai foram treinados dentro e fora do país pelas forças dos Estados Unidos em cursos como “Carreiras Civis para a Defesa” e “Coordenação Interagências para o Combate ao Terrorismo”, além de capacitações para enfrentar a selva, de acordo com o Cel Halaburda. “Esses cursos são muito importantes porque permitem às duas nações e às suas forças militares estreitarem cada vez mais os laços de amizade e de cooperação. O treinamento permite que os militares convidados familiarizem-se com o terreno, com o idioma e conheçam melhor nossas forças armadas”, ele disse. “Não apenas combatemos nas manobras, mas também vamos além do treinamento ao mostrar-lhes nossa cultura. Cada treinamento é uma grande experiência”, acrescentou o 1º Ten Ayala. O Paraguai também trabalha para aprofundar a colaboração com a Colômbia. Com isso, fortalecem e promovem os mecanismos de cooperação bilateral no setor de segurança e defesa com ênfase no desenvolvimento de capacitação e treinamentos militares avançados, projetos técnicos militares, cooperação científica, direitos humanos e cibersegurança. “Seria bom que a intensidade dos treinamentos combinados conjuntos fosse aumentada várias vezes por ano, como acontecia antes nas diferentes unidades das forças armadas. Estamos sempre abertos para treinar com nossos homólogos”, concluiu o Cel Halaburda.
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