Edição XXVIII do curso NAVANTAR desenvolve-se na Argentina

Twenty-eighth Edition of NAVANTAR Course Held in Argentina

Por Nastasia Barceló/Diálogo
outubro 27, 2017

De 28 de agosto a 8 de setembro, a Argentina foi sede do consolidado curso de Navegação Antártica XXVIII Capitão-de-Mar-e-Guerra Vicente Manuel Federici (NAVANTAR). Foi organizado e ministrado pela Escola de Ciências do Mar (ESCM), pelo Ministério da Defesa, pelo Serviço de Hidrografia Naval (SHN) e pela Direção Nacional do Antártico da Argentina, e contou com a participação de 10 marinhas da região e do mundo. De acordo com a Organização Marítima Internacional (OMI), o NAVANTAR já se configura como um curso imprescindível para os que devem navegar em águas polares. Uma das novidades da edição 2017 foi a incorporação do Módulo de Gelos ao Simulador Transas “Navi-Trainer Professional 5000”. Como docentes, participaram o pessoal civil e militar do SHN da Argentina, unidade dependente do Ministério da Defesa. Na qualidade de alunos, participaram 52 oficiais da Marinha Mercante da Argentina e do exterior, como a Marinha do Uruguai, a Marinha do Chile, a Força Naval da África do Sul, a Marinha de Guerra do Peru, a Marinha Militar da Itália, a Força Naval da Índia, a Marinha da Espanha, a Força Naval da Bolívia, a Marinha do Brasil e a Marinha dos Estados Unidos. Um dos objetivos centrais do curso NAVANTAR é o de contribuir com os conhecimentos necessários para cumprir o direito internacional aplicável e, desta maneira, obter uma navegação mais segura, assim como capacitar sobre a legislação referente à contaminação ambiental. O curso foi desenvolvido em torno de conceitos vinculados à “segurança náutica” em águas polares e na prevenção da contaminação ambiental, temas em que a Marinha da Argentina conta com ampla experiência. Relações Internacionais e Legislação Antártica, bem como Navegação e Segurança Náutica foram temas incluídos no plano de estudos do NAVANTAR. Todo o conteúdo foi elaborado de acordo com as recomendações provenientes da OMI. “O NAVANTAR tem a finalidade de ser identificado como um curso modelo da OMI; é por isso que nele foram desenvolvidos tópicos relacionados aos requisitos aplicáveis para que as embarcações naveguem em águas polares”, explicou o Contra-Almirante da Marinha Gustavo Jorge Iglesias, diretor geral de Educação da Marinha da Argentina. “Estamos cada vez mais conscientes da relevância de compartilhar o precioso conhecimento e a experiência adquirida durante mais de um século naquelas águas gélidas com aqueles que integrarão as dotações de embarcações que navegarão para o sul”, acrescentou. Ao longo do curso, foram abordados aspectos referentes à importância do continente antártico para a história da Argentina e sua relação com o mar, posto que o país – por meio de sua Marinha Nacional – tem presença ininterrupta na Antártica desde o ano de 1904. Para concluir, o C Alte Iglesias disse que a Marinha e o SHN foram participantes ativos no desenvolvimento e na organização do Código Internacional Polar para navegar as águas gélidas da OMI desde o ano de 2014. O Capitão-de-Fragata da Marinha da Argentina Gustavo Daniel Ferraro, subdiretor da ESCM, destacou que o curso leva o nome do Capitão-de-Mar-e-Guerra Vicente Manuel Federici em homenagem ao falecido oficial superior, que foi assessor náutico antártico do SHN por muitos anos. “O Capitão-de-Mar-e-Guerra Vicente Manuel Federici é reconhecido nacional e internacionalmente por sua ampla experiência nas operações na Antártica”, ressaltou. Uma das inovações da edição 2017 do curso foi a incorporação de um módulo de gelos, que foi agregado ao simulador Transas Navi-Trainer Professional 5000. “O referido módulo permite recriar cenários com a existência de gelo marinho e terrestre, o que permitiu que os participantes visualizassem, por meio de uma simulação, como é navegar em diferentes tipos de campos de gelo”, acrescentou o CF Ferraro. Além disso, destacou que, de acordo com as emendas incorporadas à Convenção Internacional sobre Normas de Formação, Certificação e Vigilância para os Navegantes Marítimos, assinada em Manila no ano de 2010, é possível que a realização anual do NAVANTAR seja um requisito obrigatório, a curto ou médio prazo, para trabalhar em embarcações que naveguem em águas polares. “Como parte da capacitação também foi ministrado um curso de treinamento operacional para o emprego do módulo de gelos, onde contamos com a presença do professor associado Christian Hempstead, instrutor de Transas Américas”, concluiu o CF Ferraro.
Share