Trump adverte Cuba em relação à Venezuela

Trump Warns Cuba on Venezuela

Por Steve Herman/Voice of America, edited by Diálogo
maio 03, 2019

O presidente dos EUA Donald Trump está ameaçando Cuba com um “embargo total e completo” contra a ilha e “sanções do mais alto grau”, caso o governo comunista não cesse imediatamente o apoio militar e qualquer outro tipo de suporte à Venezuela.

A exigência divulgada através do Tweeter em 30 de abril foi feita pela Casa Branca, que observa ansiosamente o que considera um ponto crucial na Venezuela, esperando uma onda de apoio dos cidadãos e militares daquele país, para que Juan Guaidó assuma pacificamente o poder em substituição a Nicolás Maduro.

Minutos depois do tweet de Trump, o secretário de Estado dos EUA afirmou que Maduro estava preparado para deixar a Venezuela na manhã do dia 30 de abril, mas que foi dissuadido pelos russos.

“Ele estava partindo para Havana”, disse Mike Pompeo à CNN.

Quando lhe perguntaram se gostaria de dizer algo diretamente a Maduro, Pompeo respondeu: “Ligue o motor do avião”. Quanto aos cubanos, Pompeo disse: “É inaceitável que estejam protegendo esse bandido.”

Mais cedo, o assessor de Segurança Nacional John Bolton reconheceu que há “uma situação muito séria” no país sul-americano e disse que Trump estava monitorando a situação “minuto a minuto”.

A administração de Trump culpa os cubanos e os russos pelo apoio para manter Maduro no poder. Em 2013, ele sucedeu a Hugo Chávez, que assumiu o poder em 1998, ao vencer uma eleição após uma tentativa frustrada de golpe.

“Esperamos que os russos não interfiram na Venezuela”, disse Bolton aos repórteres, em 30 de abril, na Ala Oeste da Casa Branca.

Quanto à incerteza do sucesso de Guaidó, Bolton afirmou que o líder da Assembleia Nacional tem o apoio dos EUA e de diversos outros países e apelou ao ministro da Defesa, aos tribunais superiores e ao comandante da guarda presidencial da Venezuela “para que agissem nessa tarde ou noite [em 30 de abril]” e apoiassem a ação para tirar Maduro do poder.

Em um informe do Departamento de Estado dos EUA, o representante especial da agência para a Venezuela Elliot Abrams disse que parecia que as três mais altas autoridades de Maduro não estariam mais cumprindo o que haviam prometido durante as negociações internas no país.

“Se esse esforço falhar, eles afundarão em uma ditadura com muito poucas alternativas”, previu Bolton.

Em resposta a uma pergunta da Voz da América sobre o que aconteceria depois se Guaidó não conseguisse triunfar no dia 30 de abril, Bolton respondeu que seria possível que a situação atual se mantivesse.

“Não vemos indícios de que exista uma parte substancial dos militares que esteja pronta para atirar em civis inocentes, seus compatriotas”, acrescentou Bolton.

O assessor de Segurança Nacional minimizou a importância de uma cena vista nos meios televisivos de um veículo militar atropelando manifestantes que estariam atirando pedras contra blindados que levavam militares. “Pode ter sido um incidente isolado”, disse.

Bolton não quis informar o tipo de apoio que os Estados Unidos estão prestando atualmente ao país sul-americano, além da assistência humanitária.

Como ele e o presidente dos EUA vêm enfatizando há meses, Bolton disse que todas as opções permanecem na mesa, ao ser perguntado sobre a possibilidade de uma intervenção militar por parte dos EUA.

“Simplesmente não darei mais explicações sobre isso”, acrescentou.

O que vem acontecendo na Venezuela é confuso e o governo dos EUA está recebendo informações contraditórias, segundo Abrams.

Autoridades governamentais dizem que a tentativa de Guaidó de assumir o poder não deve ser encarada como uma tentativa de golpe, porque o líder da Assembleia Nacional já foi reconhecido como chefe de Estado pelos governos ocidentais.

Além de Cuba e Rússia, países como a China e a Turquia continuam a considerar Maduro como presidente da Venezuela.
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