Trinidad e Tobago define padrão regional na luta contra o ebola

Trinidad and Tobago Sets the Standard  in the Fight Against Ebola

Por Dialogo
março 10, 2015




A maioria dos países do Caribe depende profundamente do turismo. Mesmo para Trinidad e Tobago, um país formado por duas ilhas ricas em petróleo, o setor do turismo é um componente importantíssimo da economia nacional, por isso um único caso de ebola poderia afetar seriamente seu produto interno. Uma possível queda de 30 a 50 por cento no turismo seria bastante possível na região, segundo Gaston Browne, presidente da Comunidade do Caribe e primeiro ministro de Antígua e Barbuda. Talvez esse seja o motivo pelo qual Trinidad e Tobago tenha encarado a ameaça com seriedade e decidido nomear o General de Brigada Anthony Phillips Spencer, segundo homem na hierarquia no setor de Defesa do país, como chefe da Equipe de Informações e Reação de Prevenção Nacional Contra o Ebola.

Para falar sobre essa difícil tarefa e sobre outras questões envolvendo a segurança nacional de Trinidad e Tobago, Diálogo
encontrou-se com o General de Brigada Phillips Spencer, na XIII Conferência de Segurança das Nações do Caribe (CANSEC), realizada em Nassau, nas Bahamas, no fim de janeiro de 2015.

DIÁLOGO:
Qual é sua percepção desta conferência?

General de Brigada Anthony Phillips Spencer:
Acredito que atingimos um nível de abertura acerca da necessidade de ações bastante concretas sobre os assuntos já discutidos em CANSECs no passado. Acredito que o enfoque na melhoria do sistema de treinamento da região é uma indicação clara do sucesso da CANSEC 2015. Nota-se também que a questão do compartilhamento de informações é essencial para nosso sucesso, no trabalho conjunto para lidar com ameaças como o tráfico ilícito; foi mais um ano em que houve claramente um profundo compromisso com a tomada de ações, além de muitos dos assuntos que discutimos no passado.

DIÁLOGO:
O senhor acredita que a discussão agora passará das palavras à ação?

Gen Brig Phillips Spencer:
Correto. Um plano não é uma base para a ação. Da mesma forma, um instrumento não é a base para a implementação. O instrumento precisa ser institucionalizado. Todos os participantes precisam se reunir e determinar como vamos nos organizar, alinhar nossos esforços, coordenar nossos recursos e nossas capacidades e, então, passar à ação. Acredito que a discussão nessa CANSEC concentrou-se na maneira com que vamos passar desses instrumentos que foram aprovados para nós, em muitas instâncias, por nossos governos, para a execução e a implementação efetivas dessas medidas, que tratarão dos principais problemas que ameaçam a segurança dos cidadãos.

DIÁLOGO:
Durante a CANSEC 2015, houve muitas discussões sobre a coleta e o compartilhamento de informações. Por que isso é tão difícil de implementar?

Gen Brig Phillips Spencer:
O compartilhamento de informações envolve dois aspectos importantes. O primeiro é a confiança. O segundo é a padronização. A confiança engloba questões que garantem que os riscos envolvidos no compartilhamento de informações, por qualquer país, possam ser administrados e a melhor resposta, o melhor contexto em que se pode ter conforto para aceitar tais riscos, é onde houver confiança. A construção da confiança entre os parceiros de segurança do hemisfério exige a certeza de que foram definidos os mesmos padrões para filtragem e aprovação, e todos esses detalhes, garantindo que o nível de profissionalismo em todas as agências envolvidas no compartilhamento de informações seja suficientemente aceitável. Então são duas questões: uma é a confiança, a outra é a padronização. Nenhum país gostaria de saber que, em boa-fé, ofereceu informações sigilosas a outro país para, em seguida, descobrir que essa informação não foi tratada com o nível de confiança adequado.

DIÁLOGO:
Mas aparentemente o compartilhamento de informações funciona bem no que se refere à Joint Interagency Task Force-South (JIATF-South, Força Tarefa Conjunta Interagências-Sul), em que diversas agências, de diversos países, trabalham intimamente em conjunto. Trata-se de um modelo que deve ser repetido?

Gen Brig Phillips Spencer:
Com certeza. Na verdade, durante a conferência, você deve ter ouvido o diretor executivo da CARICOM IMPACS, Francis Forbes, referindo-se à JIATF-South como o tipo ideal de centro de compartilhamento de informações. É porque na JIATF-South os padrões são suficientemente altos para possibilitar a confiança e transmitir que há confiança no sistema para o compartilhamento de informações. Portanto, qualquer um que queira participar do compartilhamento de informações por meio das agências que participam da JIATF-South deverá estar preparado para atender ao padrão. Por isso mencionei anteriormente sobre a importância da padronização. Não se pode entrar no jogo sem estar preparado para atender aos padrões exigidos.

DIÁLOGO:
Em outubro de 2014, o senhor foi nomeado como líder da Equipe de Informações e Reação de Prevenção Nacional Contra o Ebola. Como está esse trabalho? Está funcionando bem?

Gen Brig Phillips Spencer:
Sim. Acho que estamos nos saindo bem. Uma das percepções sobre a reação ou sobre como estar preparado para reagir ao vírus ebola é estar claramente consciente de que nenhuma agência isolada, seja o Ministério da Saúde ou o Ministério da Segurança Nacional, será capaz de responder efetivamente a essa doença. Então, uma vez que conseguimos conquistar a boa-vontade por parte dos principais participantes para o trabalho em conjunto, descobrimos que a implementação de uma estratégia que desenvolvemos tornou-se bastante possível. Assim, neste momento, conseguimos, na verdade, realizar diversos exercícios simulados. Fizemos todas as nossas pesquisas de preparação de locais, em todos os portos de Trinidad e Tobago. Estabelecemos ancoradouros para quarentena de embarcações para todas as embarcações que entrarem em nossa jurisdição. Em nossos respectivos aeroportos, conseguimos estabelecer salas de isolamento, no caso de Piarco, e envoltórios de isolamento, no caso do Aeroporto Robinson, em Tobago, e agora chegamos a um ponto em que desenvolvemos os procedimentos padrão de ação [Standard Operation Procedure]
para várias outras áreas e eventos específicos, para os quais precisamos estar prontos e, agora, estamos passando aos exercícios simulados. Isso realmente exigiu que reuníssemos todos os interessados, então não contamos somente com agências do setor público, contamos também com órgãos do setor privado. Temos órgãos da sociedade civil, temos sindicatos sendo representados como parte da equipe, porque não se deve esquecer que todos os interessados em impedir a chegada ou a introdução do vírus ebola desejarão estar envolvidos no processo. Além disso, já conseguimos envolver as respectivas comunidades em Trinidad e Tobago. Por exemplo, depois de minha volta a Port of Spain, nos encontraremos com a comunidade de Cora. O povoado de Cora é onde se estabeleceu o Centro de Tratamento de Ebola de Trinidad e Tobago e, portanto, precisamos nos envolver diretamente com a comunidade, para que entendam profundamente a extensão das medidas que tomamos para minimizar o risco que correm, como resultado da existência de um centro de tratamento de ebola na comunidade. Então, acho que estamos nos saindo bem.

DIÁLOGO:
O senhor acha que todos os países da região estão no mesmo nível de padronização que Trinidad?

Gen Brig Phillips Spencer:
Não posso responder pelos outros países. O que sei é que, quando os líderes da CARICOM se encontraram em Port of Spain, no início de dezembro, concordaram que todos os seus Estados participantes trabalhariam em conjunto e que estariam preparados para apoiar uns aos outros. Por exemplo, já recebemos uma solicitação de ajuda de Granada, porque é uma questão da capacidade da infraestrutura de saúde pública de cada país. Serra Leoa , Libéria e Guiné foram três países da África Ocidental que têm infraestruturas de saúde pública subdesenvolvidas, e é por isso que a contenção da propagação do ebola mostrou-se tão difícil. Pode-se observar isso na Nigéria, um país com uma infraestrutura de saúde pública muito mais sofisticada e desenvolvida, onde a recuperação de um incidente foi muito rápida.

DIÁLOGO:
No que diz respeito ao crime organizado internacional, há dois anos, um dos maiores problemas de Trinidad e Tobago era o fato de que as drogas estavam passando pelo país, muito embora não estivessem ficando, mas os traficantes de drogas estavam deixando para trás armas que caíram nas mãos de jovens, especialmente rapazes. Esse problema diminuiu desde então?

Gen Brig Phillips Spencer:
Não há dúvidas de que em Trinidad e Tobago há mais armas de fogo ilegais do que gostaríamos. A boa notícia é que, em 2014, o Serviço de Polícia de Trinidad e Tobago conseguiu retirar o maior número de armas de fogo das ruas, mais do que jamais havia sido retirado em muitos anos. Isso significa que se as armas ilegais continuam chegando e sendo deixadas para trás, o problema é nosso, e nossa capacidade de tirá-las das ruas melhorou. A próxima necessidade será impedir que essas armas ilegais entrem em nossa jurisdição, por isso, o ministro da Segurança Nacional está procurando equipar a Guarda Costeira com as embarcações e os interceptadores necessários, para melhorar a segurança das fronteiras contra a infiltração e a importação de armas de fogo ilegais.



A maioria dos países do Caribe depende profundamente do turismo. Mesmo para Trinidad e Tobago, um país formado por duas ilhas ricas em petróleo, o setor do turismo é um componente importantíssimo da economia nacional, por isso um único caso de ebola poderia afetar seriamente seu produto interno. Uma possível queda de 30 a 50 por cento no turismo seria bastante possível na região, segundo Gaston Browne, presidente da Comunidade do Caribe e primeiro ministro de Antígua e Barbuda. Talvez esse seja o motivo pelo qual Trinidad e Tobago tenha encarado a ameaça com seriedade e decidido nomear o General de Brigada Anthony Phillips Spencer, segundo homem na hierarquia no setor de Defesa do país, como chefe da Equipe de Informações e Reação de Prevenção Nacional Contra o Ebola.

Para falar sobre essa difícil tarefa e sobre outras questões envolvendo a segurança nacional de Trinidad e Tobago, Diálogo
encontrou-se com o General de Brigada Phillips Spencer, na XIII Conferência de Segurança das Nações do Caribe (CANSEC), realizada em Nassau, nas Bahamas, no fim de janeiro de 2015.

DIÁLOGO:
Qual é sua percepção desta conferência?

General de Brigada Anthony Phillips Spencer:
Acredito que atingimos um nível de abertura acerca da necessidade de ações bastante concretas sobre os assuntos já discutidos em CANSECs no passado. Acredito que o enfoque na melhoria do sistema de treinamento da região é uma indicação clara do sucesso da CANSEC 2015. Nota-se também que a questão do compartilhamento de informações é essencial para nosso sucesso, no trabalho conjunto para lidar com ameaças como o tráfico ilícito; foi mais um ano em que houve claramente um profundo compromisso com a tomada de ações, além de muitos dos assuntos que discutimos no passado.

DIÁLOGO:
O senhor acredita que a discussão agora passará das palavras à ação?

Gen Brig Phillips Spencer:
Correto. Um plano não é uma base para a ação. Da mesma forma, um instrumento não é a base para a implementação. O instrumento precisa ser institucionalizado. Todos os participantes precisam se reunir e determinar como vamos nos organizar, alinhar nossos esforços, coordenar nossos recursos e nossas capacidades e, então, passar à ação. Acredito que a discussão nessa CANSEC concentrou-se na maneira com que vamos passar desses instrumentos que foram aprovados para nós, em muitas instâncias, por nossos governos, para a execução e a implementação efetivas dessas medidas, que tratarão dos principais problemas que ameaçam a segurança dos cidadãos.

DIÁLOGO:
Durante a CANSEC 2015, houve muitas discussões sobre a coleta e o compartilhamento de informações. Por que isso é tão difícil de implementar?

Gen Brig Phillips Spencer:
O compartilhamento de informações envolve dois aspectos importantes. O primeiro é a confiança. O segundo é a padronização. A confiança engloba questões que garantem que os riscos envolvidos no compartilhamento de informações, por qualquer país, possam ser administrados e a melhor resposta, o melhor contexto em que se pode ter conforto para aceitar tais riscos, é onde houver confiança. A construção da confiança entre os parceiros de segurança do hemisfério exige a certeza de que foram definidos os mesmos padrões para filtragem e aprovação, e todos esses detalhes, garantindo que o nível de profissionalismo em todas as agências envolvidas no compartilhamento de informações seja suficientemente aceitável. Então são duas questões: uma é a confiança, a outra é a padronização. Nenhum país gostaria de saber que, em boa-fé, ofereceu informações sigilosas a outro país para, em seguida, descobrir que essa informação não foi tratada com o nível de confiança adequado.

DIÁLOGO:
Mas aparentemente o compartilhamento de informações funciona bem no que se refere à Joint Interagency Task Force-South (JIATF-South, Força Tarefa Conjunta Interagências-Sul), em que diversas agências, de diversos países, trabalham intimamente em conjunto. Trata-se de um modelo que deve ser repetido?

Gen Brig Phillips Spencer:
Com certeza. Na verdade, durante a conferência, você deve ter ouvido o diretor executivo da CARICOM IMPACS, Francis Forbes, referindo-se à JIATF-South como o tipo ideal de centro de compartilhamento de informações. É porque na JIATF-South os padrões são suficientemente altos para possibilitar a confiança e transmitir que há confiança no sistema para o compartilhamento de informações. Portanto, qualquer um que queira participar do compartilhamento de informações por meio das agências que participam da JIATF-South deverá estar preparado para atender ao padrão. Por isso mencionei anteriormente sobre a importância da padronização. Não se pode entrar no jogo sem estar preparado para atender aos padrões exigidos.

DIÁLOGO:
Em outubro de 2014, o senhor foi nomeado como líder da Equipe de Informações e Reação de Prevenção Nacional Contra o Ebola. Como está esse trabalho? Está funcionando bem?

Gen Brig Phillips Spencer:
Sim. Acho que estamos nos saindo bem. Uma das percepções sobre a reação ou sobre como estar preparado para reagir ao vírus ebola é estar claramente consciente de que nenhuma agência isolada, seja o Ministério da Saúde ou o Ministério da Segurança Nacional, será capaz de responder efetivamente a essa doença. Então, uma vez que conseguimos conquistar a boa-vontade por parte dos principais participantes para o trabalho em conjunto, descobrimos que a implementação de uma estratégia que desenvolvemos tornou-se bastante possível. Assim, neste momento, conseguimos, na verdade, realizar diversos exercícios simulados. Fizemos todas as nossas pesquisas de preparação de locais, em todos os portos de Trinidad e Tobago. Estabelecemos ancoradouros para quarentena de embarcações para todas as embarcações que entrarem em nossa jurisdição. Em nossos respectivos aeroportos, conseguimos estabelecer salas de isolamento, no caso de Piarco, e envoltórios de isolamento, no caso do Aeroporto Robinson, em Tobago, e agora chegamos a um ponto em que desenvolvemos os procedimentos padrão de ação [Standard Operation Procedure]
para várias outras áreas e eventos específicos, para os quais precisamos estar prontos e, agora, estamos passando aos exercícios simulados. Isso realmente exigiu que reuníssemos todos os interessados, então não contamos somente com agências do setor público, contamos também com órgãos do setor privado. Temos órgãos da sociedade civil, temos sindicatos sendo representados como parte da equipe, porque não se deve esquecer que todos os interessados em impedir a chegada ou a introdução do vírus ebola desejarão estar envolvidos no processo. Além disso, já conseguimos envolver as respectivas comunidades em Trinidad e Tobago. Por exemplo, depois de minha volta a Port of Spain, nos encontraremos com a comunidade de Cora. O povoado de Cora é onde se estabeleceu o Centro de Tratamento de Ebola de Trinidad e Tobago e, portanto, precisamos nos envolver diretamente com a comunidade, para que entendam profundamente a extensão das medidas que tomamos para minimizar o risco que correm, como resultado da existência de um centro de tratamento de ebola na comunidade. Então, acho que estamos nos saindo bem.

DIÁLOGO:
O senhor acha que todos os países da região estão no mesmo nível de padronização que Trinidad?

Gen Brig Phillips Spencer:
Não posso responder pelos outros países. O que sei é que, quando os líderes da CARICOM se encontraram em Port of Spain, no início de dezembro, concordaram que todos os seus Estados participantes trabalhariam em conjunto e que estariam preparados para apoiar uns aos outros. Por exemplo, já recebemos uma solicitação de ajuda de Granada, porque é uma questão da capacidade da infraestrutura de saúde pública de cada país. Serra Leoa , Libéria e Guiné foram três países da África Ocidental que têm infraestruturas de saúde pública subdesenvolvidas, e é por isso que a contenção da propagação do ebola mostrou-se tão difícil. Pode-se observar isso na Nigéria, um país com uma infraestrutura de saúde pública muito mais sofisticada e desenvolvida, onde a recuperação de um incidente foi muito rápida.

DIÁLOGO:
No que diz respeito ao crime organizado internacional, há dois anos, um dos maiores problemas de Trinidad e Tobago era o fato de que as drogas estavam passando pelo país, muito embora não estivessem ficando, mas os traficantes de drogas estavam deixando para trás armas que caíram nas mãos de jovens, especialmente rapazes. Esse problema diminuiu desde então?

Gen Brig Phillips Spencer:
Não há dúvidas de que em Trinidad e Tobago há mais armas de fogo ilegais do que gostaríamos. A boa notícia é que, em 2014, o Serviço de Polícia de Trinidad e Tobago conseguiu retirar o maior número de armas de fogo das ruas, mais do que jamais havia sido retirado em muitos anos. Isso significa que se as armas ilegais continuam chegando e sendo deixadas para trás, o problema é nosso, e nossa capacidade de tirá-las das ruas melhorou. A próxima necessidade será impedir que essas armas ilegais entrem em nossa jurisdição, por isso, o ministro da Segurança Nacional está procurando equipar a Guarda Costeira com as embarcações e os interceptadores necessários, para melhorar a segurança das fronteiras contra a infiltração e a importação de armas de fogo ilegais.
Sim, acho que estão fazendo um bom trabalho. Continuem esse bom trabalho contra o tráfico e exploração de pessoas em benefício dos jovens que serão a geração do futuro. Eu sou Donna Dussard, de Dover, St. Mary
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