Navios-escola de marinhas latino-americanas iniciam regata de intercâmbio

Training Ships from Latin American Navies Kick Off Exchange Regatta

Por Felipe Lagos/Diálogo
abril 03, 2018

Um desfile inigualável de navios-escola de forças armadas internacionais ocorrerá em águas latino-americanas do Pacífico e do Atlântico entre março e setembro. Um total de 11 navios-escola participarão do evento, que visitará 16 portos da América Latina e do Caribe, percorrendo cerca de 12.000 milhas náuticas (mais de 19.000 quilômetros).

O Velas Latinoamérica 2018 começou em 25 de março no porto do Rio de Janeiro, Brasil, e terminará em 2 de setembro em Vera Cruz, México. Em sua terceira versão, a regata de grandes veleiros oferece uma oportunidade única em termos de treinamento e intercâmbio profissional para os tripulantes dos navios-escola.

“A oportunidade está justamente nas diferenças em relação a um cruzeiro de instrução normal”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha do Chile Carlos Dietert, coordenador-geral do Velas Latinoamérica 2018. “Do ponto de vista da navegação e operação do navio, não há grandes variações; contudo, o fato de fazer parte desse grande evento náutico internacional permite aos participantes interagir com seus pares de outras marinhas e criar laços de amizade e de intercâmbio profissional que os acompanharão pelo resto de suas carreiras.”

Para os cadetes e marinheiros que compõem as tripulações, o evento envolve muito mais do que navegar e compartilhar com seus homólogos; é também uma oportunidade de aprender as habilidades e técnicas de seus oficiais que embarcam nos diferentes navios-escola. “Em cada trecho de navegação, são realizados intercâmbios de acordo com o que os respectivos comandantes proponham, segundo as atividades programadas e as exigências acadêmicas”, explicou o CMG Dietert.

Encontro internacional

Os navios-escola das marinhas da Argentina, do Brasil, Chile, da Colômbia, do Equador, México, Peru, Uruguai e da Venezuela fazem parte do evento como representantes das marinhas latino-americanas. A esses veleiros se juntaram dois navios-escola da Europa.

“Para esta versão 2018, foram enviadas cartas-convite a todos os países que possuem grandes veleiros”, disse o CMG Dietert. “Porém, infelizmente, por motivos de planejamento e das diferenças sazonais entre os continentes, só se pôde contar com os [navios] da Espanha e de Portugal.”

Os veleiros farão uma travessia de 157 dias, fazendo escalas na Argentina, no Chile, Peru, Equador, na Colômbia, República Dominicana e no México. A versão 2018 do evento contempla atracar pela primeira vez nos portos de Balboa, no Panamá, Willemstad, em Curaçao e na ilha de Cozumel, no México.

Capacitação e festa

Mais do que uma oportunidade de aprendizagem no mar para as centenas de cadetes e marinheiros que compõem as tripulações dos navios, o evento lhes permite descobrir culturas e tradições diferentes e compartilhar com os cidadãos de cada porto visitado. Além disso, o evento representa uma significativa contribuição econômica e turística para os portos hospedeiros.

“Em cada porto a ser visitado, é uma festa cidadã com múltiplas atividades sociais, culturais e esportivas, que levam alegria às pessoas”, disse o CMG Dietert. “Isto permite às tripulações interagir com essas pessoas e conhecer a idiossincrasia do país visitado.”

Além de poder apreciar as características singulares dos grandes veleiros, como tamanho, quantidade de mastros, tipo de velas e outros detalhes, o CMG Dietert enfatizou as diferentes tradições militares. “É interessante aproveitar as cerimônias, desfiles e outros atos semelhantes para conhecer as diferenças nos uniformes, formas militares e tradições das diferentes marinhas participantes.”

Por sua parte, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Claudio de Sousa Freitas, subchefe do Estado-Maior da Marinha do Brasil, destacou o impacto positivo do evento, que busca “fortalecer os laços de amizade entre as diferentes marinhas e a população dos países e portos visitados”. O CMG Sousa Freitas acrescentou que, pela segunda vez, os navios passarão pelo Rio de Janeiro. “Este ano, voltamos ao Rio de Janeiro como etapa de saída porque o Rio é bonito e sempre é uma atração muito grande para os navios que vêm nos visitar.”

Uma grande responsabilidade chilena

A Marinha do Chile assumiu a organização do Velas Latinoamérica 2018 e aproveitou a ocasião para enfatizar vários marcos da história da instituição. Além de celebrar o bicentenário de sua Marinha, o Chile comemora o bicentenário da criação da Escola Naval Arturo Prat, a formação do Corpo de Fuzileiros Navais e a primeira viagem da Primeira Esquadra Nacional.

“A Marinha do Chile é uma instituição que não só nasce com a República, mas que também tem sido um agente preponderante no desenvolvimento de nosso país”, disse o Almirante-de-Esquadra Julio Leiva, comandante-em-chefe da Marinha do Chile. “A relevância do passado se une com a atualidade, na qual a Marinha se junta ao esforço de todo o Estado para fazer do Chile um país mais desenvolvido e próspero, e relembra com um evento dessa magnitude os dois séculos de serviço ao país.”

O encontro de grandes veleiros nasceu em 2010 com uma iniciativa das marinhas do Chile e da Argentina e sob a denominação Velas Sudamérica. Na 25ª Conferência Naval Interamericana de 2012, as marinhas latino-americanas concordaram em mudar o nome para Velas Latinoamérica e repetir o evento a cada quatro anos. A versão 2014 esteve sob a responsabilidade da Marinha da Argentina.

“O aspecto especial está no conhecimento mútuo e nas relações de amizade que são criadas”, concluiu o CMG Dietert. “No futuro, facilitará as relações entre as marinhas e, por conseguinte, entre os países.”
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