Ideias que vão longe

The Prodigious Reach of Ideas

Por Dialogo
abril 12, 2012



O crime organizado transnacional leva o luto às famílias latino-americanas,
ocupa o lugar do governo nos locais onde a presença do estado é fraca, acaba com os
valores morais e cria um clima de insegurança onde o desenvolvimento econômico e
social não encontra terreno fértil. Para traçar estratégias e unir esforços contra
esse adversário inescrupuloso e rico em recursos para financiar seus atos ilícitos,
oficiais de operações de informações do Equador, Colômbia, Guatemala, Panamá e
Estados Unidos se reuniram no início de março de 2012 na sede do Comando Sul dos EUA
(SOUTHCOM) em Miami, Flórida.
Organizado pela divisão de Operações de Informações do SOUTHCOM, o evento
permitiu o intercâmbio das lições aprendidas e das ideias surgidas entre os países
que compartilham desafios similares apesar de viverem situações políticas,
econômicas, culturais e sociais distintas. “É muito importante que nos unamos e
utilizemos nossos recursos, nossos bens materiais e nossos orçamentos com foco em
objetivos específicos. E a presença de vocês aqui, reunidos e conversando sobre
esses temas, é essencial para que possamos avançar em nossa região”, afirmou em seu
discurso de boas vindas o General-de-Brigada Steve Arthur, subdiretor da Divisão de
Operações do SOUTHCOM.
Durante os dois dias de apresentações e debates, os participantes ratificaram
que as operações de informações são uma arma de grande calibre para as forças
militares e de segurança regionais.

E nesse campo, a Colômbia tem experiência. O Coronel Javier Molina Calero,
diretor de Planejamento de Operações de Informações (DOPOI) da chefatura de Ação
Integral Conjunta do Comando Geral das Forças Militares deste país sul-americano,
falou sobre o sucesso do programa de Ação Integral na luta para conquistar os
corações e as mentes dos colombianos.
Com base no conceito de que as guerras atuais são vencidas com inteligência,
mais do que com a força, o programa oferece uma combinação de segurança e presença
do estado e suas instituições nos locais que, durante décadas, ficaram à mercê dos
guerrilheiros e narcotraficantes. O propósito disto? Desterrar permanentemente os
grupos fora da lei e contribuir para promover o desenvolvimento social com uma
abordagem holística.
No entanto, os panfletos, as emissoras de rádio e outras ferramentas
tradicionais não são suficientes para eliminar décadas de influência dos
guerrilheiros e quadrilhas criminosas, disse o Coronel Molina. O departamento que
ele comanda desenvolve campanhas de operações de informações que se mesclam a
atividades de apoio cívico às populações afetadas e servem de respaldo para o
programa de Ação Integral. Entre esses esforços, referiu-se à campanha Fe en la
Causa (Fé na Causa) – que destaca a moral e o prestígio dos militares colombianos –
bem como outras campanhas para promover a desmobilização, resgatar a confiança na
lei e no estado, evitar o recrutamento de crianças, adolescentes e mulheres.
Diga você mesmo


Tal como no caso da Colômbia, ficou claro que para os demais países
representados no evento, o desafio de fazer com que o povo confie nos militares é
agora tão ou mais importante do que nunca. De acordo com o Coronel Rony Urízar,
porta-voz do Ministério da Defesa da Guatemala, o Exército de seu país desfruta hoje
de 81 por cento de credibilidade entre a população. Esta conquista, disse ele,
deve-se à sincronização entre as palavras e os atos, e à transparência no trato das
informações por parte das instituições militares.
Urízar garantiu que contar a história primeiro, antes que outros a contem à
sua própria maneira, é parte da missão de sua equipe de trabalho. “Diga tudo, diga a
tempo, diga você mesmo”, enfatizou, repetindo as palavras de Eduardo Ramírez, que
falou em nome do Gabinete de Comunicações Estratégicas do SOUTHCOM.
Por sua vez, os representantes do Equador explicaram que as Forças Armadas de
seu país organizam cursos para jornalistas dos meios de comunicação nacionais. Dessa
maneira, disseram, permitem uma visão reveladora da vida dos militares equatorianos.
No caso do Equador, as operações de informações servem de apoio direto aos
objetivos militares do Comando Conjunto das Forças Armadas (COMACO) e dos cinco
comandos operacionais distribuídos nas distintas regiões do país.
No comando operacional norte, cuja missão é proteger os 700 quilômetros de
fronteira com a Colômbia, as operações de informações são essenciais para
interceptar as mensagens da Voz da Resistência, a emissora das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (FARC). Nesta questão, o Tenente-Coronel Jorge Villalba,
diretor de Operações da Informações do COMACO, destacou a ajuda em equipamentos e
treinamento que receberam do Grupo de Apoio Militar da Embaixada dos Estados Unidos.
Além disto, a Academia de Guerra do Exército do Equador já conta com um curso de
operações de informações que acaba de formar vários oficiais equatorianos e um major
do Exército brasileiro, disse Villalba.
Além das fronteiras
A proteção das fronteiras também está na mira das forças militares do Panamá.
Como o país é a porta de entrada na América Central para os países do sul, evitar
que a nação seja utilizada pelo crime organizado e o narcotráfico é tarefa do
Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT). O Major Eduardo Araúz, oficial de
operações de informações desse organismo, explicou que seu trabalho se concentra em
neutralizar as ações criminosas das organizações e trabalhar com a população para
protegê-la contra o influxo de tais grupos.
Parte desse trabalho concentra-se nas populações remotas, onde até pouco
tempo erguia-se a bandeira colombiana. “Ali começamos a levar nossas operações
táticas, de ajuda humanitária e civil, e operações de informações para que a
população se sinta panamenha”, comentou Araúz. “É importante que saibam que o estado
está presente em cada comunidade, em cada conjunto residencial, e que lhes
transmitimos segurança”, acrescentou.
As fronteiras, no entanto, são uma muralha que devemos derrubar para dar
passagem ao livre fluxo de experiências entre os militares e as forças de segurança
da região. Após dois dias de diálogo honesto e cordial, os oficiais de informações
que participaram do evento comprometeram-se a manter um intercâmbio ativo de
conhecimentos e lições aprendidas. Visitas, oficinas de trabalho regionais e
treinamento conjunto foram algumas das opções mencionadas pelos participantes. A
Colômbia, por exemplo, disse que a Escola de Missões Internacionais e Ação Integral
tem as portas abertas para os alunos das outras nações, enquanto o Equador ofereceu
ajuda no planejamento, implementação e capacitação de oficiais dos países
latino-americanos que não contam com programas de operações de informações, como é o
caso do México. Finalmente, o Coronel Miguel Hobbs, chefe da Divisão de Operações de
Informações do SOUTHCOM, sugeriu que fosse utilizada a Rede de Acesso a Todos os
Sócios (APAN), uma ferramenta de redes sociais, para consolidar os elos criados
durante o evento e aprender uns com os outros.



Sou conhecedor da área mencionada pelo Sr. Presidente Pérez Molina. Considero oportuno esclarecer que a Guatemala compartilha com o país vizinho uma área de 962 quilômetros e não 900 como diz a nota. Além disso, não são 4 Departamentos (Estados) mas 5 os quais a Guatemala compartilha na fronteira com o México. Os departamentos são San Marcos, Huehuetenango, Quiché, Alta Verapáz e Petén, esse último com uma área de 35.000 quilômetros quadrados.-
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