A guerra das mídias

Por Dialogo
abril 17, 2013


As guerras regulares e conflitos assimétricos em andamento no século XXI, notadamente no Paquistão, Afeganistão, Iraque e região do Oriente Médio, vêm apresentando uma nova realidade em termos de mídia global. Esta verdadeira revolução virtual, como vem sendo chamada, é utilizada tanto por exércitos quanto por grupos terroristas e insurgentes como estratégia multiplicadora de força somada ao poderio bélico.



A rapidez e abrangência da veiculação, o aperfeiçoamento de técnicas de filmagem e edição de vídeos destinados à mobilização, recrutamento, instrução e persuasão de diversos públicos como propaganda institucional transformaram estes conflitos em uma verdadeira guerra das mídias.



Tudo para acompanhar os novos padrões de consumo dos internautas, determinado pelo crescimento vertiginoso das redes sociais como blogs, Twitter e Facebook. E muitos dos produtos destas mídias, são veiculados em grandes empresas de comunicação que se aproveitam de fatores como custos e minimização de riscos a seus profissionais.



Esta estratégia teve início com os chamados insurgentes e grupos terroristas no Iraque, os quais, conscientes da importância de influenciarem a opinião pública mundial, passaram a filmar e fotografar por celulares atentados e ataques suicidas envolvendo as forças de coalizão, principalmente explosões de artefatos improvisados (IEDs), editando imagens e textos em árabe que minutos após eram veiculados em algumas das principais redes de TV internacionais e disseminados via internet.



Além de influenciar negativamente o moral das tropas e forças de segurança pelo grau de violência mostrado nos vídeos e intimidação de possíveis colaboradores, acabou se constituindo em excelente ferramenta para recrutamento.



Recentemente, as redes sociais mostraram esta eficiência quando, por meio do

Twitter, soube-se das táticas empregadas por um comando israelense, em uma operação confidencial na abordagem do navio finlandês SV Estelle que furara o bloqueio para a Faixa de Gaza, ou ainda, do desenrolar, em tempo real, da operação Jerônimo, que visava à captura do líder da rede terrorista Al Qaeda, no Paquistão.



Embora seja uma tendência irreversível, o perigo está na impossibilidade de controle e o mau uso destas mídias virtuais, incluindo a manipulação fraudulenta, a falta de compromisso com a ética e, em muitos casos, com a própria veracidade dos fatos. E nesta guerra, as forças de segurança saem em desvantagem, pois enquanto o material coletado por estas forças necessita de aprovação prévia, a veiculação de imagens coletadas por outros segmentos é quase que imediata.



*André Luís Woloszyn, Analista de Inteligência Estratégica






Excelente artigo, é simples e objetivo. Ele apresenta um paradoxo. A mídia ao longo do tempo contribuiu para a liberdade e para a democracia. Hoje, ela está sendo usada para destruir a liberdade e a democracia.
Share