Cavaleiros Templários e Cartel de Sinaloa operam na Costa Rica

Por Dialogo
janeiro 10, 2014



O cartel Cavaleiros Templários, uma organização criminosa mexicana transnacional, está transportando drogas da Colômbia através da Costa Rica e de lá para a América do Norte, segundo o Organismo de Investigação Judicial (OIJ) da Costa Rica e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Estabelecido no estado de Michoacán, o cartel está usando a Costa Rica como um “ponto estratégico de trânsito de cocaína da Colômbia com destino ao México e aos Estados Unidos”, segundo o jornal mexicano El Universal.
Organizações criminosas transnacionais do México e da Colômbia estão intensificando suas operações na Costa Rica, de acordo com Michael Soto Rojas, chefe do Departamento de Planos e Operações do OIJ. Além do Cavaleiros Templários, o Cartel de Sinaloa (liderado pelo chefão das drogas foragido Joaquín “El Chapo” Guzmán), o La Familia Michoacana, o Cartel do Golfo (CDG) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) estão transportando grandes volumes de drogas através da Costa Rica, diz Soto Rojas.

Passos para derrotar o narcotráfico

Mais de 80% da cocaína contrabandeada para os Estados Unidos é transportada através da América Central, de acordo com o Relatório de Estratégia de Controle Internacional de Narcóticos 2013 (INCSR, na sigla em inglês] divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.
As autoridades costa-riquenhas informaram que estão tomando medidas contra o narcotráfico. O governo da Costa Rica está aumentando de 30 para 70 o número de embarcações da Guarda Costeira. Também está ampliando o número de bases marítimas ao longo do litoral para barrar o tráfico de drogas e intensificando o uso de radares para detectar voos de aeronaves que transportam drogas.
As autoridades também utilizarão cães treinados para detectar dinheiro, drogas e explosivos, afirmou o coronel Martín Arias, diretor da Guarda Costeira Nacional (SNG) da Costa Rica, em um comunicado em que anunciou a ação para combater o narcotráfico. “Esta é uma mensagem para o comércio de drogas: se vocês inovarem, nós nós anteciparemos à inovação”, disse o coronel.

Importante rota de transporte

Limón, localizada no Mar do Caribe na fronteira com a Nicarágua, é uma importante área de transporte para os narcotraficantes. Todo o litoral caribenho do país está nessa província. Mas os traficantes de drogas também operam no litoral do Pacífico da Costa Rica.
Segundo Soto, os grupos do crime organizado transportam drogas através da Costa Rica para 39 países diferentes, incluindo o México e os Estados Unidos.
O aumento da atividade dos cartéis de drogas coincide com o maior número de apreensões de drogas realizadas pelas forças de segurança costa-riquenhas.
De acordo com o jornal colombiano El Tiempo, as forças de segurança da Costa Rica apreenderam 18 toneladas de drogas em 2013, quase o dobro do volume – 8,9 toneladas – das apreensões em 2011.

História da atividade do crime organizado

Soto explica que o tráfico de drogas através da Costa Rica é não é recente.
“Nos anos 90, tivemos uma forte presença de traficantes de drogas colombianos em nosso país, que transportavam drogas da Colômbia para o México, e havia colombianos espalhados por Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala”, afirma Soto. “A penetração do narcotráfico é séria.”
De acordo com Soto, nos últimos anos, os cartéis de drogas mexicanos assumiram o controle das rotas do narcotráfico na Costa Rica. As autoridades costa-riquenhas começaram a focar os membros dos cartéis de drogas mexicanos em várias investigações importantes.

Prisões de suspeitos de cartéis de drogas mexicanos

De acordo com Soto, nos últimos anos, os cartéis de drogas mexicanos assumiram o controle das rotas do narcotráfico na Costa Rica. As autoridades costa-riquenhas começaram a focar os membros dos cartéis de drogas mexicanos em várias investigações importantes.
Em junho de 2013, após uma investigação de seis meses, o OIJ prendeu dois irmãos mexicanos suspeitos de pertencer ao Cavaleiros Templários. Os dois homens teriam cometido dois homicídios na Costa Rica. Os agentes do OIJ também capturaram quatro costa-riquenhos suspeitos de trabalhar com os irmãos.
Entre 2007 e 2012, as forças de segurança da Costa Rica capturaram 68 cidadãos mexicanos. Os suspeitos eram acusados de tráfico de drogas, crimes violentos e outros delitos e seriam membros do Cavaleiros Templários, do Cartel de Sinaloa, do La Familia Michoacana e do CDG.

Presença do Cavaleiros Templários na Costa Rica é ‘uma surpresa’, diz analista

A forte presença do Cavaleiros Templários na Costa Rica é “uma surpresa”, porque o cartel de drogas é conhecido por operar principalmente no México e nos EUA, afirma Jesús Aranda Terrones, pesquisador da organização Coletivo de Análise da Segurança com Democracia (CASEDE).
“Os Templários são conhecidos por ser uma organização regional. Nós estamos enfrentando mais uma cartel que tem o objetivo de ampliar seus laços com a região da América Central. Isso coloca a segurança da Costa Rica em risco”, diz Aranda Terrones.
Segundo Aranda Terrones, o Cavaleiros Templários é uma “organização criminosa forte, que não está batendo em retirada e tem a capacidade de se expandir internacionalmente”.

Disputa entre cartéis mexicanos

O Cavaleiros Templários é uma ramificação do grupo La Familia Michoacana. Em dezembro de 2010, a Polícia Federal (PF) mexicana abateu Nazario Moreno González, fundador do La Familia Michoacana. Ele era conhecido como “El Chayo” e “El Mas Loco”. Sua morte enfraqueceu muito o grupo, e alguns dos principais membros formaram o Cavaleiros Templários.
O Cavaleiros Templários reúne cerca de 4.000 membros, operando principalmente em Michoacán e outros nove estados mexicanos.
O grupo Cavaleiros Templários atualmente é liderado por Servando Gomez Martinez, conhecido como “La Tuta”. O Cavaleiros Templários, o La Familia Michoacana, o Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), o Los Zetas e o Cartel de Sinaloa estão travando uma guerra sangrenta pelo controle da produção e do tráfico de maconha e drogas sintéticas no litoral do Pacífico no México.
De acordo com Aranda Terrones, as autoridades costa-riquenhas vão trabalhar em colaboração com autoridades dos EUA para combater o Cavaleiros Templários e outras organizações criminosas transnacionais.

Autoridades barram organizações de narcotráfico costa-riquenhas

Além das organizações criminosas transnacionais mexicanas e colombianas, as forças de segurança da Costa Rica estão combatendo grupos locais de tráfico de drogas.
Por exemplo, a polícia da Costa Rica prendeu 12 costa-riquenhos suspeitos de traficar cocaína da Colômbia e maconha da Jamaica para a Costa Rica. Os suspeitos estariam transportando as drogas para a Europa e também vendiam algumas drogas localmente, disse o procurador-geral Jorge Chavarria em 21 de dezembro de 2013, segundo relatórios divulgados. De acordo com Chavarria, a organização utilizou US$ 200.000 para as despesas operacionais.
Segundo as autoridades, as forças de segurança precisam continuar vigilantes na luta contra as organizações criminosas nacionais e transnacionais.
“Nós não podemos presumir que estamos ganhando esta luta. Todo dia surgem novas organizações criminosas e métodos engenhosos para transportar narcóticos. O objetivo é fazê-las acreditar que não é fácil se estabelecer em nosso território”, disse o diretor do OIJ, Francisco Segura, em coletiva de imprensa.
Boas reportagens. É impressionante que um grupo de narcotraficantes locais possa expandir-se para outros países graças à impunidade que existe no México e em outros países centro-americanos. Grupos como o Cavaleiros Templários conseguem expandir sua violência e terror e atividades criminosas para onde querem e como querem, isso terminará quando os governos realmente se comprometerem a fazê-lo, por enquanto tudo é blá blá... Durante os anos 2012 e 2013, assumi funções de segurança na zona de fronteira com a Nicarágua, especificamente em um lugar conhecido como Delta Costa Rica. Parte da patrulha era realizada por meio de longas caminhadas ao longo da margem do rio San Juan, e outra parte era realizada usando viaturas-tratores e quadriciclos, adquiridos pelo governo, em toda linha de fronteira em diferentes operações para o controle de estrangeiros sem documentos, tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. Lamentavelmente, os veículos constantemente ficavam não operacionais por falta de manutenção. Isso é parte da realidade de nossa Força Pública e do patrulhamento das vias fluviais, e me surpreende que isso não fosse feito, porque, assim como as viaturas-tratores e quadriciclos, as embarcações se encontram não operacionais por falta de manutenção, exceto para os agentes da Guarda Costeira, que contavam com somente duas embarcações para cobrir extensões desde a desembocadura do rio Colorado até Parismina e toda zona fluvial do rio Colorado, como lagoas e brejos do Tortuguero. Isso é lamentável e, óbvio, uma boa oportunidade para os traficantes da região. Acredito que esta organização em particular tenha suas influências no comércio de materiais também produzidos por eles, rastreando interação social prévia que poderia revelar mais contribuidores e participantes. Eu ouvi dizer que este sujeito era um professor de escola.
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