O futuro das UPPs no Rio

The Future of UPPs in Rio

Por Dialogo
abril 11, 2013


Com o objetivo de instituir polícias comunitárias em favelas, a Unidade de Polícia Pacificadora, ou simplesmente UPP, é um projeto da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro que visa a desarticular quadrilhas que controlam o tráfico de drogas nos morros fluminenses.

A primeira UPP foi instalada na favela Santa Marta em 20 de novembro de 2008. Posteriormente, outras unidades foram implementadas em comunidades como a Cidade de Deus, Batan, Pavão-Pavãozinho, Morro dos Macacos, entre outras.

O programa tem tido boa acolhida pelos especialistas e tem sido tão bem sucedido que os governos de vários estados estão copiando o modelo. A Bahia criou as Bases Comunitárias de Segurança (BCSs), o governo paranaense montou as Unidades Paraná Segura (UPSs), e o governo do Maranhão implementou as Unidades de Segurança Comunitária (USCs), todas inspiradas nas Unidades de Polícia Pacificadoras do Rio.

Para falar sobre o que vai acontecer com as UPPs daqui para frente, Diálogo visitou o Comando Geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro para conversar com o Coronel Robson Rodrigues da Silva, Chefe do Estado-Maior Administrativo da PMERJ.

Dialogo: Quantas UPPs devem ser implementadas daqui até o início da Copa do Mundo de 2014?

Coronel Robson Rodrigues da Silva: Serão 40 UPPs implantadas até 2014. Eu acho que o plano varia, dependendo do cenário. Não é algo fixo. Pode surgir a necessidade de momento, ou de uma aglutinação do período, mas o marco é de 40 UPPs implantadas até lá. Dessas UPPs, nem todas se parecem. Há umas que vão ter mais unidades incorporadas, contempladas, e outras menos. Se a gente for dar uma olhada na primeira UPP, na Santa Marta, era basicamente uma UPP para uma comunidade. Saímos desta, mais simples, para outras mais complexas, como foi a situação do Complexo do Alemão. A gente não previa chegar no Alemão tão cedo quanto nós chegamos. A previsão era de acumular um know-how, uma experiência maior, mas as necessidades daquele momento fizeram com que antecipássemos o processo de pacificação do Alemão. Foi bom também, porque nós consolidamos esse know-how. O plano operacional começa a tomar mais corpo, mais musculatura, a partir disso; e isso foi até um fator muito interessante para a ocupação da Rocinha que também veio logo depois.

Diálogo: Foi por causa dessa antecipação que houve a participação das Forças Armadas, ou esta participação já estava planejada?

Cel Robson: O plano era partir, primeiro, de uma necessidade logística. É feito um estudo de todas as áreas onde nós pretendemos implantar as UPPs e a maior necessidade é a de recursos humanos. É um programa que não nasce com essa concepção clássica, é um processo aberto. Então, naquele momento inicial, o Rio de Janeiro apresentava um cenário muito diferente. Havia uma tensão muito grande, havia desconfiança por parte da sociedade, por parte da polícia, havia medo, muito medo, aliás. Então a ideia inicial, pelo que a gente pode ver nesse planejamento até 2014, era a de uma ocupação territorial simplesmente. Aí começa a se incorporar a tecnologia, a necessidade de uma melhor preparação dos policiais para que eles possam ter uma maior produtividade individual, ao invés de nós termos aquela concepção antiga, do modelo anterior de polícia, de que é necessário muita gente para ocupar. Vimos que a qualidade tem preponderância. Naquele momento a gente tinha uma previsão com essa perspectiva, com esse modelo, de tantos homens. Era um cálculo muito simples: se eu vou ocupar o Alemão, eu preciso de tantos homens a mais, ou seja, a velocidade de produção, capacitação e formação desses policiais tem um limite, um ritmo, um timing, então, naquele momento do Alemão, nós não teríamos como suprir com os recursos humanos para a ocupação. Conta simples: precisamos de tantos homens e a única força que poderia ajudar nesse sentido, e que ficaria um tampão até que a polícia pudesse entrar, seria o Exército.

Diálogo: Depois da Copa, entre a Copa e as Olimpíadas, continua esse processo de estabelecimento de UPPs, Coronel?

Cel Robson: A Polícia Militar está se preparando para dar continuidade ao processo. É lógico que há fatores políticos, eu acredito que a sociedade está mais madura, as instituições já estão se consolidando democraticamente, então as populações vão tendo mais voz, e com isso se tem uma pressão maior para que algumas políticas se perpetuem, se mantenham. Agora, no meio ambiente de institucionalidade frágil, há um descuido maior. Acredito que o processo de pacificação está dando voz, não só hoje, mas está dando voz a essa população, o que está tendo um papel fundamental. Quando se olha isso rapidamente, se vê que antes a autoridade de segurança pública, especialmente a polícia, dificilmente era chamada para participar de algum marco político, porque era vítima na certa para tomar pancada. Agora não, agora somos chamados para trabalhos deles, inclusive porque é um motivo de alta na popularidade de certos políticos. Então acredito que esse programa seja fundamental e qualquer político que venha não vai ser louco de acabar com ele.

Diálogo: Em termos do uso de tecnologia… Vimos recentemente que 80 câmeras de vigilância foram instaladas na Rocinha. Isso é uma tendência também? A Polícia Militar do Rio de Janeiro já está equipada suficientemente para apoiar os mega eventos que vão acontecer?

Cel Robson: Os projetos que visam aos grandes eventos, com uso de tecnologia, material etc. já vêm se desenhando há bastante tempo, há mais de quatro anos. Acho que estaremos preparados sim.

Diálogo: A pacificação irá aliviar o planejamento e uso de forças de segurança durante os mega eventos?

Cel Robson: Há alguns anos, se você estivesse em um evento que não fosse um desses normais, vamos chamar assim, viriam as Forças Armadas, a polícia ocuparia os morros, porque não estavam pacificados, pois o processo de pacificação ainda não havia iniciado, com uma tranquilidade aparente, todo mundo super armado, e depois que passasse o evento tudo voltaria a ser ‘como antes no quartel de Abrantes’. O novo fator é exatamente a pacificação, que traz uma paz, uma segurança mais consolidada. Isso facilita o planejamento e execução, com certeza.

Diálogo: Em termos de interesse de outros países sobre as UPPs, em estabelecer algo parecido…

Cel Robson: São vários países que já expressaram interesse, como a Venezuela e a Argentina. O Panamá tem um convênio conosco; lá já construíram a primeira base de unidade de polícia com militar, que teve inspiração aqui. Nós treinamos lá os policiais deles. É uma característica similar à do Rio de Janeiro, uma favela encrustada no centro da capital. O México também já expressou interesse. Mas nós também temos procurado algumas experiências similares no mundo. Uma comissão foi a Portugal para ver a polícia de proximidade de lá. Estamos fechando um convênio e vamos enviar alguns policiais para a Irlanda e a Escócia para tratar desses assuntos, porque a polícia da Irlanda teve uma transformação recente, com o IRA, então ela conseguiu se transformar. A Escócia também entrou no circuito, viu que nós estávamos interessados e ela tinha interesse em alguma coisa que nós estávamos fazendo aqui também.

Diálogo: Com relação aos países sede de eventos como a Copa do Mundo, há um intercâmbio de experiências e informações?

Cel Robson: Por coincidência, estamos indo para a África do Sul. Temos convênio com o instituto Liberté, que está nesse momento fazendo ou tem feito alguns laboratórios nas nossas UPPs para construir aplicativos para a função policial específica da UPP. Fomos a Dakar também, na África, para tratar da questão das drogas, porque a UPP tem um prisma completamente revolucionário com relação à prevenção das drogas. Estivemos em Barcelona, em Madri, vamos mandar policiais para Salamanca; vai haver uma troca agora com a Colômbia também. Nós vamos mandar policiais do BOPE, do Choque e das UPPs para realizar um curso lá. Há conversações até mesmo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A troca está sendo interessante. Essa visibilidade do Rio de Janeiro acontece não só por causa dos Jogos Olímpicos e dos grandes eventos, mas também por causa desse processo, que é uma realização que traz uma possibilidade diferente do combate simplesmente, como se fazia. Então você faz uma polícia de proximidade no Rio de Janeiro, uma coisa que faz com que as pessoas perguntem: “Como vocês estão conseguindo isso?”, “Como é a fórmula disso?”. Muita gente tem vindo aqui, não só policiais, mas ministros, primeiros-ministros e outros políticos importantes de vários países, como a Noruega.



Rio de Janeiro, 15 de abril de 2013.

Coronel Robson,
fico feliz em reconhecer os esforços da Corporação PMERJ/RIO.
O mais importante é não desistir porque o ALVO é de grande valor!
O povo, também, sabe que atualmente existem as Pioneiras em ações internas e externas
e que fazem toda a diferença em todas as tomadas de decisões da Instituição.
A PMERJ, tem muita qualidade principalmente, o Rio de Janeiro, que pode contar com
"As Briosas da Corporação Pioneiras/turma/1983", que atualmente fazem 30 anos de Corporação.Parabéns! Assim, também, as equipes femininas posteriores a turma 83. Falo da importância e do valor feminino e suas interferências sociais e das ações elaboradas da Coronel Sayonara do Valle, Coronel Bernardete Campbell, Coronel Cátia Boaventura, Coronel Célia Rodrigues. Abro parenteses: (a referência que faço é pelo fato de ter tido o privilégio de em algum momento estar com uma e outra e perceber a execução de uma parte dos seus trabalhos, de forma a me dar o luxo de refenrenciá-las), e digo a todas Mirian Broitman, Rosana Reis e Deise Contreva e outras as quais conheço apenas por fotos e ou agindo no campo de batalha mas que certamente, ocupam seus cargos de fundamental importância, lugares relevantes, e atuam em várias funções na Corporação que às denomino de "As Guerreiras!"
Agradeço a Deus pelos(as) que lutam e sentem os corações da humanidade pulsar, bater e doer.
Sou grata pela/o(s) Policiais comprometidos e estes são presentes de Deus para mim e para o povo.
Segue ao corpo feminino e a todos(as) mulheres e homens de guerra e de paz, as minhas orações e com certeza a de muitos cristãos que suplicam a Deus proteja a vocês e familiares.
Saudações em Cristo Jesus.
Celeste Lucindo. bom.,,,,,, que este projeto continue , mais nao esquecao da baixada fluminense , porque a bandidagem migrou para estas localidades , porque no momento da ocupacao para instalacao das upps ,avisavao a bandidagem o dia e ahora da ocupacao , dando tempo para esses meninos irem atazanar outras comunidades.
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