Militares chilenos promovem a diversidade recrutando índios

The Chilean Military Promotes Diversity by Recruiting Indigenous People

Por Dialogo
janeiro 15, 2015




O Exército Chileno está recrutando homens e mulheres indígenas, como parte de um esforço para representar a diversidade do país nas Forças Armadas.

A campanha é promovida por oficiais de alta patente, incluindo o subsecretário das Forças Armadas, Gabriel Gaspar. Atualmente, povos indígenas respondem por cerca de 3% de todos os recrutas, informou o jornal Diario Uchile
em 16 de dezembro.

“Essa iniciativa é fruto de uma mudança cultural em favor do respeito e da integração dos vários povos à realidade nacional”, disse o ministro da Defesa Nacional, Jorge Burgos, durante o discurso de abertura do “Seminário sobre Povos Originários e Defesa”, no Centro Conjunto para Operações de Paz do Chile (CECOPAC). O seminário foi realizado em 3 de dezembro na Base Militar General René Schneider, em La Reina.

“Enquanto não valorizarmos a diversidade cultural e reconhecermos que esta é uma sociedade multicultural, o Chile nunca poderá aspirar legitimamente ao desenvolvimento”, completou Burgos. “O governo impulsionará e promoverá os direitos dos povos indígenas e adaptará seus mecanismos internos para implementar efetivamente os tratados internacionais que o Chile ratificou nessa área, assim como assegurar que os povos indígenas tenham acesso aos seus recursos naturais.”

Autoridades do Exército, da Marinha e da Força Aérea do Chile participaram da conferência. Também estiveram presentes líderes de grupos indígenas, acadêmicos e representantes das Forças Armadas do Canadá e da Nova Zelândia, que falaram sobre suas respectivas experiências com esforços de recrutamento para aumentar a diversidade.

Solução para uma dívida histórica


A campanha para aumentar a diversidade dentro das Forças Armadas do Chile saldará uma “histórica dívida” do país com os povos indígenas, segundo comunicado divulgado em 2 de dezembro pelo Ministério da Defesa.

“O Ministério da Defesa quis ser pioneiro nesse campo e estabeleceu uma equipe voltada à inclusão para gerar políticas internas que permitam o avanço efetivo não apenas da questão indígena, mas de assuntos relacionados a gênero, deficiências e diversidade sexual”, disse Burgos durante o seminário de 3 de dezembro.

Historicamente, as instituições militares, especialmente o Exército, são vistas por muitos chilenos como um mecanismo de mobilidade social, o que atrai povos indígenas às Forças Armadas.

As Forças Armadas começou a recrutar mais minorias e mulheres para seus quadros há pelo menos 25 anos.

Em 1989, o candidato à presidência Patricio Aylwin aliou-se a representantes dos povos indígenas de todo o Chile para o “Acordo de Nueva Imperial”, que estabeleceu três compromissos, de acordo com o Ministério da Defesa.

O primeiro compromisso foi a criação de uma lei indígena, a Lei 19.253, e de instituições indígenas; o segundo foi a ratificação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ocorrida em 2008; e o terceiro compromisso foi o reconhecimento constitucional de que há uma dívida pendente com os povos originários do Chile.

Nos últimos anos, esse esforço “se fortaleceu”, diz Miguel Navarro, pesquisador da Academia Nacional de Estudos Políticos e Estratégicos (ANEPE) do Chile.

Oficiais do Exército Chileno buscam somar recrutas indígenas aos atuais 64.000 integrantes das Forças Armadas, que chegou a ter quase 81.000 soldados em 2004. Embora tenham diminuído, as Forças Armadas Chilenas tiveram um enorme avanço em suas capacidades tecnológicas nos últimos anos, diz Navarro.

Povo mapuche está bem representado entre os militares


O maior grupo indígena do país, o povo mapuche, está bem representado entre os militares. Também conhecidos como “Arucanos”, os mapuches vivem no centro-sul do Chile e têm um forte senso de identidade cultural.

“Sempre houve uma proporção importante de mapuches nas Forças Armadas”, afirma Navarro. “Os mapuches são considerados soldados muito bons e não enfrentaram nenhuma limitação para galgar postos mais altos nas instituições militares.”

A população indígena do Chile é de 1,71 milhão de pessoas (de um total de 16 milhões), de acordo com o Censo de 2012. Dessas, 84% se identificam como mapuches e o restante se divide em 10 outros grupos étnicos. A maioria dos povos indígenas do Chile vive nas regiões metropolitanas.

As Forças Armadas do Chile, que tinham 80.900 soldados em 2004, foram reduzidas a 64.200 homens oito anos depois, segundo o Balanço Militar para a América do Sul, 2013, publicado pelo site Nueva Mayoría
.





O Exército Chileno está recrutando homens e mulheres indígenas, como parte de um esforço para representar a diversidade do país nas Forças Armadas.

A campanha é promovida por oficiais de alta patente, incluindo o subsecretário das Forças Armadas, Gabriel Gaspar. Atualmente, povos indígenas respondem por cerca de 3% de todos os recrutas, informou o jornal Diario Uchile
em 16 de dezembro.

“Essa iniciativa é fruto de uma mudança cultural em favor do respeito e da integração dos vários povos à realidade nacional”, disse o ministro da Defesa Nacional, Jorge Burgos, durante o discurso de abertura do “Seminário sobre Povos Originários e Defesa”, no Centro Conjunto para Operações de Paz do Chile (CECOPAC). O seminário foi realizado em 3 de dezembro na Base Militar General René Schneider, em La Reina.

“Enquanto não valorizarmos a diversidade cultural e reconhecermos que esta é uma sociedade multicultural, o Chile nunca poderá aspirar legitimamente ao desenvolvimento”, completou Burgos. “O governo impulsionará e promoverá os direitos dos povos indígenas e adaptará seus mecanismos internos para implementar efetivamente os tratados internacionais que o Chile ratificou nessa área, assim como assegurar que os povos indígenas tenham acesso aos seus recursos naturais.”

Autoridades do Exército, da Marinha e da Força Aérea do Chile participaram da conferência. Também estiveram presentes líderes de grupos indígenas, acadêmicos e representantes das Forças Armadas do Canadá e da Nova Zelândia, que falaram sobre suas respectivas experiências com esforços de recrutamento para aumentar a diversidade.

Solução para uma dívida histórica


A campanha para aumentar a diversidade dentro das Forças Armadas do Chile saldará uma “histórica dívida” do país com os povos indígenas, segundo comunicado divulgado em 2 de dezembro pelo Ministério da Defesa.

“O Ministério da Defesa quis ser pioneiro nesse campo e estabeleceu uma equipe voltada à inclusão para gerar políticas internas que permitam o avanço efetivo não apenas da questão indígena, mas de assuntos relacionados a gênero, deficiências e diversidade sexual”, disse Burgos durante o seminário de 3 de dezembro.

Historicamente, as instituições militares, especialmente o Exército, são vistas por muitos chilenos como um mecanismo de mobilidade social, o que atrai povos indígenas às Forças Armadas.

As Forças Armadas começou a recrutar mais minorias e mulheres para seus quadros há pelo menos 25 anos.

Em 1989, o candidato à presidência Patricio Aylwin aliou-se a representantes dos povos indígenas de todo o Chile para o “Acordo de Nueva Imperial”, que estabeleceu três compromissos, de acordo com o Ministério da Defesa.

O primeiro compromisso foi a criação de uma lei indígena, a Lei 19.253, e de instituições indígenas; o segundo foi a ratificação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ocorrida em 2008; e o terceiro compromisso foi o reconhecimento constitucional de que há uma dívida pendente com os povos originários do Chile.

Nos últimos anos, esse esforço “se fortaleceu”, diz Miguel Navarro, pesquisador da Academia Nacional de Estudos Políticos e Estratégicos (ANEPE) do Chile.

Oficiais do Exército Chileno buscam somar recrutas indígenas aos atuais 64.000 integrantes das Forças Armadas, que chegou a ter quase 81.000 soldados em 2004. Embora tenham diminuído, as Forças Armadas Chilenas tiveram um enorme avanço em suas capacidades tecnológicas nos últimos anos, diz Navarro.

Povo mapuche está bem representado entre os militares


O maior grupo indígena do país, o povo mapuche, está bem representado entre os militares. Também conhecidos como “Arucanos”, os mapuches vivem no centro-sul do Chile e têm um forte senso de identidade cultural.

“Sempre houve uma proporção importante de mapuches nas Forças Armadas”, afirma Navarro. “Os mapuches são considerados soldados muito bons e não enfrentaram nenhuma limitação para galgar postos mais altos nas instituições militares.”

A população indígena do Chile é de 1,71 milhão de pessoas (de um total de 16 milhões), de acordo com o Censo de 2012. Dessas, 84% se identificam como mapuches e o restante se divide em 10 outros grupos étnicos. A maioria dos povos indígenas do Chile vive nas regiões metropolitanas.

As Forças Armadas do Chile, que tinham 80.900 soldados em 2004, foram reduzidas a 64.200 homens oito anos depois, segundo o Balanço Militar para a América do Sul, 2013, publicado pelo site Nueva Mayoría
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