Espanha devolve 691 artefatos pré-colombianos confiscados em 2003 durante operação em Madri

Por Dialogo
outubro 13, 2014



Depois de 11 anos, a Colômbia recupera quase 700 artefatos roubados por um suspeito de lavagem de dinheiro que trabalhava para narcotraficantes.
“Recuperar para o nosso país esses 691 tesouros arqueológicos tem um valor que é realmente difícil de estimar”, diz a ministra de Relações Exteriores, María Ángela Holguín. “Eles são de muitas de nossas culturas (indígenas) e trazê-los de volta para casa levou anos.”
O Museu das Americas de Madri, na Espanha, entregou as peças à polícia colombiana em setembro, depois de anos de intensa investigação para determinar seus donos originais. Várias delas são de comunidades antigas do norte dos Andes e datam de até 1400 a.C., bem antes da chegada dos exploradores espanhóis, no século XVI. Cerca de 80% das peças da coleção têm 30 cm ou menos de altura. O restante são objetos maiores, como urnas, potes e vasos. Alguns retratam rostos humanos e outros são moldes com imagens simbólicas que artistas indígenas usavam para pintar seus corpos e estampar peças de vestuário.
As raridades são estimadas em pelo menos US$ 7 milhões (R$ 16,8 milhões), segundo especialistas em arte.

Busca da polícia espanhola levou aos artefatos

“Coordenação, compartilhamento de informação e tratados estabelecidos entre os governos de Colômbia e Espanha permitiram a recuperação das peças indígenas”, diz Edwin Hernández, analista de segurança da Universidade Nacional da Colômbia (UNAL). “É importantante que essas operações sejam estendidas a outros países para acabar com o roubo de herança cultural de países pelos sindicatos do crime organizado.”
A repatriação dos artefatos à Colômbia marca o fim de uma longa jornada em busca das peças que começou durante um operação antidrogas em 2003 em Madri, na Espanha.
Lá, em uma casa que seria usada por traficantes de drogas, 60 policiais prenderam 29 espanhóis e colombianos e confiscaram mais de 880 supostos artefatos. A incursão fez parte da Operação Florence, que teve como alvo cartéis de drogas e indivíduos envolvidos em lavagem de dinheiro. Depois de apreender os itens, a polícia os entregou ao Museu das Américas, em Madri, que os protegeu por mais de dez anos em um recinto seguro sob temperatura controlada.
Funcionários do Museu catalogaram as peças e começaram a identificar e descobrir as suas origens, um processo que levou anos. Em 2011, eles concluíram que 142 dos artefatos eram falsos e mais de 150 provavelmente pertenciam a Panamá, Peru e Equador. Os outros 691 objetos pertenciam à Colômbia.
Essa descoberta lançou um processo legal cuidadoso para devolver os itens a seus proprietários de direito. Ao determinar sua origem, funcionários do museu informaram a polícia espanhola que, por sua vez, notificou a embaixada colombiana. O governo colombiano entrou com petição pela devolução dos artefatos em 2012. Enquanto autoridades judiciais espanholas analisavam a petição, um arqueólogo do Instituto Colombiano de Antropologia e História foi à Espanha para examinar os artefatos. O especialista confirmou as descobertas dos funcionários do museu espanhol.
Em junho, a Suprema Corte espanhola deliberou que as peças pertenciam à Colômbia e deveriam ser repatriadas, o que levou à devolução dos itens, em setembro.
“Hoje é um dia muito especial para a Colômbia”, afirmou o embaixador colombiano na Espanha, Fernando Carrillo Flórez. “A chegada de quase 700 artefatos à Colômbia é um dos acontecimentos culturais mais importantes da história recente.”
Os artefatos começarão a ser exibidos ao público em geral na Colômbia em 2015.
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