SOUTHCOM participa do Tradewinds 2015 com nações parceiras

SOUTHCOM Participated with Partner Nations in Tradewinds 2015

Por Dialogo
junho 30, 2015




Vários países do Caribe, além de México, Canadá e Estados Unidos, participam da Fase 2 da iniciativa de treinamento militar marítimo Tradewinds 2015, coordenada pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), em Belize. O objetivo do programa é fortalecer a cooperação regional em operações complexas e multinacionais, inclusive em missões de resgate e humanitárias.

O Tradewinds é um exercício anual conjunto e combinado que ocorre em vários locais no Caribe, envolvendo marinhas, corpos de segurança marítima e Guardas Costeiras da região.

“O Tradewinds oferece uma oportunidade de desenvolver e fortalecer nossas alianças e ajuda todos os participantes a proteger sua segurança nacional”, disse o General do Corpo de Fuzileiros Navais John F. Kelly, comandante do SOUTHCOM.

Por meio do Tradewinds e de operações semelhantes, o SOUTHCOM ajuda a fortalecer a interoperabilidade nos países caribenhos e trabalha com nações parceiras para desenvolver respostas a desastres naturais e crises humanitárias, além de lutar contra o crime organizado transnacional, disse Javier Oliva Posada, analista de segurança da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Treinamento extensivo


A primeira fase do Tradewinds 2015, que ocorreu de 30 de maio a 9 de junho, começou na ilha de St. Kitts e Nevis, cobrindo segurança e desastres marítimos. Os participantes avaliaram os mecanismos de resposta e coordenação no caso de catástrofe em teoria, prática e simulações de treinamento de segurança, permitindo aos militares melhorar suas capacidades de resposta.

Já a segunda fase, que culminou em Belize, ocorreu de 15 a 24 de junho, com foco em operações terrestres e marítimas. Em particular, seu foco foi a troca de conhecimento e experiências para fortalecer as capacidades em manuseio de armas, técnicas de tiro, operações de segurança em áreas ribeirinhas e de floresta tropical, assim como o apoio militar a forças de segurança, o uso de armas não letais, investigação de cena de crimes e habilidades de mergulho.

Durante os exercícios, os militares usaram ferramentas como sistemas de radar, lanchas, armamento leve (metralhadoras de 30mm), armas padrão de resistência à água salgada, equipamentos especiais para se aproximar e embarcar nos tipos de barco tradicionalmente usados pelo crime organizado e helicópteros de artilharia de turbina usados para perseguir embarcações, segundo Daniel Pou, analista-assistente e pesquisador na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) da República Dominicana.

“Cheguei da realização de tarefas especiais recentemente e estou no Exército há pouco mais de um ano, [então os exercícios do Tradewinds são] algo que sempre quis fazer”, disse o Soldado Victor Adana, um soldado de infantaria da Força de Defesa de Belize. “Minha parte favorita foi o treinamento de combate a curta distância. Muita coisa eu já tinha feito antes, mas nunca com tantos outros países. No começo, todos tínhamos muitas maneiras de fazer as coisas e, ao longo do treinamento, parece que todos nós nos adaptamos ao universo do outro, e isso foi algo que jamais esquecerei.”

Troca de conhecimento e experiência


Com certeza, o Tradewinds 2015 se beneficiou da ampla participação internacional. Cerca de 1.350 militares americanos juntaram-se aos exercícios combinados; a Guarda Costeira dos EUA, com unidades da Marinha americana, participa de programas de treinamento com as Marinhas de nações parceiras há 31 anos. Além disso, durante a parte terrestre dos exercícios, os Fuzileiros Navais da Força-Tarefa Marítima, Aérea e Terrestre de Propósito Especial do Comando Sul (SPMAGTF-SC), do 2º Batalhão de Cumprimento da Lei, ao lado do Exército do Canadá, realizaram o intercâmbio de assuntos de especialistas com outros militares das nações parceiras em técnicas de tiro ao alvo e habilidades de manuseio de armas, operações de segurança em ambientes ribeirinhos e de selva, apoio militar a forças de segurança, comando e controle.

Outras nações que participaram do Tradewinds 2015 foram os países caribenhos de Antigua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, República Dominicana, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, St. Kitts e Nevis, St. Vincent e Granadina, Suriname, Trinidad e Tobago, além do México e do Reino Unido.

“É importante que as nações parceiras trabalhem juntas porque, no ambiente atual, nenhum país trabalha sozinho”, disse o Tenente Coronel David Hudak, oficial em comando da Força-Tarefa Marítima, Aérea e Terrestre de Propósito Especial do SOUTHCOM. “Os países encaram desafios semelhantes e, se trabalham juntos, podem se posicionar melhor no combate a esses desafios, e os maiores desafios dessa região são o tráfico de drogas, armas e pessoas.”

“Os principais benefícios para as marinhas são trabalhar de maneira coordenada, estabelecer protocolos de confiança na troca de códigos de informação, conhecer outras forças navais e desenvolver tecnologia aplicada a uma carreira militar, de forma que possam antecipar e, no caso de uma crise, reagir imediatamente de forma organizada”, disse Oliva Posada.

O treinamento também permite que as Forças Armadas de diferentes países desenvolvam protocolos que lhes darão respostas mais rápidas e eficientes, além de aprender os métodos diferentes que os traficantes usam para contrabandear cargas de drogas da América do Sul para as áreas principais na América Central e no Caribe.

Iniciativa de Segurança da Bacia do Caribe


Os exercícios do Tradewinds apoiam a Inciativa de Segurança da Bacia do Caribe (CBSI), criada em 2010, à qual os Estados Unidos doaram US$ 263 milhões (R$ 820,56 milhões) em equipamentos e treinamento contra o tráfico de armas e drogas na região.

O governo dos EUA trabalha em estreita cooperação com os países da região para colaborar em iniciativas de assistência humanitária e contra desastres nos últimos anos.

Por exemplo, após o terremoto de janeiro de 2010 no Haiti, forças americanas mobilizaram cerca de 20.000 soldados, além de cúters da Guarda Costeira, navios da Marinha dos EUA e dezenas de aeronaves para oferecer auxílio ao país, segundo informações do SOUTHCOM. Durante a missão, eles entregaram milhares de toneladas de alimentos e água e prestaram assistência médica. O SOUTHCOM trabalhou com autoridades locais e internacionais para atender às necessidades de longo prazo.

E, em setembro de 2008, o governo dos EUA destinou auxílio humanitário ao Haiti no valor de US$ 19,5 milhões (R$ 60,8 milhões) para assistência a vítimas de desastres climáticos — tempestades tropicais Fay e Hanna, além dos furacões Gustav e Ike — que deixaram 328 mortos e 114.000 desabrigados. Além disso, uma embarcação americana, o USS Kearsarge, entregou ao Haiti cerca de 466 toneladas de alimentos de emergência e aproximadamente 5.867 litros de água.

“No final, os exercício de treinamento das forças navais permitem uma maior cooperação ante novas ameaças e melhores relações públicas entre países aliados da região”, disse Oliva Posada.


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