SOUTHCOM é ‘parte da solução’ para o crime do tráfico de drogas

Por Dialogo
março 09, 2012


A principal missão do Comando Sul dos EUA – eliminar o tráfico transnacional de drogas, armas, dinheiro e pessoas na América Central e na América do Sul – é demasiadamente ampla e complexa para que um órgão, até mesmo o comando de combate dos EUA, a assuma sozinho, disse o líder do SOUTHCOM no dia 7 de março em uma declaração à comissão das Forças Armadas da Câmara de Representantes.

O Tenente-Brigadeiro-do-Ar Douglas Fraser, da Força Aérea dos EUA, disse isto em sintonia com a estratégia do presidente para o combate ao crime organizado transnacional. O SOUTHCOM trabalha com outras agências governamentais norte-americanas e com as agências militares e policiais de seus parceiros internacionais para localizar, prender e condenar as pessoas que transformaram diversos países das Américas nos mais violentos do mundo.

O sucesso desse esforço baseia-se em outra importante missão do comando, que cria parcerias e cooperação internacionais e entre as agências, disse ele aos repórteres.

O SOUTHCOM é “apenas uma parte da solução” para o crime organizado transnacional e suas consequências na América Central e na América do Sul, lembrou Fraser. Tanto os Estados Unidos quanto a comunidade nacional estão focados nesta questão, acrescentou.

“Estamos trabalhando para reunir todas as diversas agências, capacitações e a comunidade internacional para melhorar nossa capacidade de coordenar e concentrar nossos esforços para enfrentar esse problema maior”, disse ele.

Enquanto o crime organizado transnacional não é uma ameaça tradicionalmente militar, disse Fraser, a violência e a corrupção geradas pelo comércio global de drogas nos países ao sul dos Estados Unidos destruíram, em muitos casos, os processos policiais e judiciais.

Fraser disse que não vê uma ameaça convencional militar interna ou externa na região, mas muitos países estão lançando mão de seus exércitos para reforçar as forças policiais insuficientes ou corruptas.

O maior impacto do crime transnacional é visto na América Central, disse ele. Honduras, em 2011, liderou o índice mundial de assassinatos per capita, com 86 mortes para cada 100 mil pessoas, lembrou Fraser. Em El Salvador esse índice é de 66 para cada 100 mil, acrescentou, enquanto a média na Guatemala é de 41 para cada 100 mil, com maior concentração em algumas partes do país.

Esses três países realmente usam suas forças militares nos esforços para combater o crime, disse Fraser. Ele lembrou que Honduras disponibilizou metade de suas forças para esse esforço, e que a Guatemala utilizou forças em 60 dias de cerco a áreas de alto índice de criminalidade.

“Os esforços [do SOUTHCOM] nessa linha voltam-se para o apoio aos militares durante os treinamentos, com alguns equipamentos – para ajudá-los na repressão policial e também no combate ao tráfico na América Central”, acrescentou ele.

Fraser disse que as forças do SOUTHCOM têm uma missão militar mais convencional no litoral da região, onde há 20 anos localizam e monitoram o movimento do tráfico por ar e por mar, desde o norte da América do Sul até diversos destinos, passando pelo Caribe – mais frequentemente, agora, na América Central.

O SOUTHCOM ainda realiza exercícios de treinamento e preparação para desastres e outros compromissos tradicionais entre os exércitos junto com as forças das nações parceiras na região, disse Fraser, mas os esforços internacionais e dos EUA são principalmente voltados para o combate ao comércio de drogas.

Por exemplo, a Operação “Martillo”, ou Martelo, é voltada para a vigilância aérea e marítima do Caribe e do leste do Pacífico, utilizando recursos do SOUTHCOM, incluindo navios da Marinha e da Guarda-Costeira e aeronaves da Marinha, Força Aérea e da Proteção de Alfândega e Fronteiras dos EUA, lembrou Fraser.

A Operação “Martillo” apreendeu em 45 dias 3,5 toneladas métricas de cocaína e dez embarcações do contrabando, mas o objetivo geral do esforço é a constante vigilância a fim de forçar os traficantes a mudar suas rotas para águas internacionais, disse o tenente-brigadeiro.





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